Fomos conhecer a nova casa do Cícero e ficámos fãs das iguarias que unem sabores do Brasil, Portugal e França

O Cícero tem uma nova casa, no Chiado, em Lisboa. A MAGG foi conhecer o novo espaço e claro, provar o menu de degustação — e contamos-lhe tudo.

Depois de três anos em Campo de Ourique, o Cícero, um restaurante-galeria criado como tributo ao artista pernambucano Cícero Dias, ícone do modernismo, mudou de localização. O novo espaço fica no Chiado, em Lisboa, tem 30 lugares e está decorado, de uma ponta à outra (e do chão ao teto) com obras da coleção pessoal de Paulo Dalla Nora Macedo, co-fundador do projeto e colecionador de arte.

Assim, enquanto aprecia arte, pode degustar as propostas criadas pela head chef Alessandra Montagne e pelo novo chef executivo, Filipe Neves, num menu de degustação. Natural de São Paulo, no Brasil, o chef sempre teve o desejo de sair do País para ter uma carreira no mundo da gastronomia. “Eu sempre tive o objetivo de vir para a Europa e trabalhar na Europa. Como cozinheiro e chef, acho que é o melhor lugar para se estar”, começa por explicar em entrevista à MAGG.

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O sonho tornou-se realidade em 2020, com a ida para o Noma, em Copenhaga, mas teve de regressar à terra natal devido à pandemia. Em 2022 , o chef veio para Portugal e desde então já passou por várias casas, entre elas o Belcanto, de José Avillez, o 100 Maneiras, de Ljubomir Stanisic e, há um mês faz parte do Cícero, com 1 sol do Guia Repsol.

O que é que pode comer no Cícero?

Se antes o restaurante em Campo de Ourique apostava num menu mais casual, o novo espaço passa a seguir um conceito de fine dining:  mas não se preocupe porque o conceito manteve-se. “A essência passa por uma cozinha de técnica francesa, mas com produtos e ingredientes portugueses e brasileiros”, conta o chef Felipe Neves.

A MAGG teve a oportunidade de provar alguns dos pratos do menu de degustação, que conta com oito momentos. A experiência começou com dois pequenos aperitivos que nos abriram apetite para a refeição. Provámos uma mini sanduíche de mortadela com crocante de parmesão, com um toque final de mostarda e coentros, do chef Filipe Neves, e ainda um delicioso mini pastel de nata salgado de couve de flor, da chef Alessandra Montagne, que inicialmente pode gerar hesitação, mas que promete conquistar qualquer pessoa.

Seguimos para o primeiro momento do menu de degustação, que começa com as “Memórias Afetivas” da chef Alessandra Montagne, um trio irresistível que grita “Brasil”, composto por coxinha de frango, dadinho de tapioca com cogumelo e pão de queijo com caviar, harmonizado por Vinha Pan, Bairrada DOC.

Nas entradas, provámos um prato que não constava no menu de degustação (pelo menos até então). Para breve contexto, a nossa ida ao Cícero coincidiu com um jantar dedicado ao artista brasileiro Paulo Bruscky, a propósito da inauguração da primeira exposição em Portugal, “Bruscky em Brusque”. Para assinalar a ocasião, o chef Felipe Neves criou um prato exclusivo inspirado na coleção Registro de Viagens, da obra de Bruscky e ficará disponível no menu à la carte até ao início de junho, regressando no menu de verão.

“Quis fazer algo desconstruído com a temática do Brasil e das viagens, com formas geométricas. Eu quis trazer uma coisa que é muito tradicional no Brasil, que é a pamonha de milho”, conta o chef. Apesar de nunca termos provado este ingrediente brasileiro, que é uma espécie de bolo cremoso cozido a vapor, ficámos rendidos do início ao fim a esta entrada que une pamonha de milho com crocante de tapioca, queijo coalho, manteiga noisette francesa e espuma de coentros, sem esquecer o toque final de um carimbo com tinta de lula.

Ainda nas entradas, provámos um prato que une abóbora, queijo de cabra, espinafre e sálvia, que veio acompanhado por um mini croissant, uma proposta fresca e que será bastante apreciada por vegetarianos, acompanhada pelo vinho branco Chardonnay Bio Vegan, da Quinta da Biaia.

Nos pratos principais, pato em texturas, com polenta cremosa (ótima), mini milho e tucupi, um pequeno snack com harmonização de Pinot Noir da Quinta do Rol, e um prato do peixe do dia, composto por corvina, puré de castanha do Pará, couve de flor e beurre black fumado, servido com LV Reserva. Qual o melhor? Não nos atrevemos a escolher.

Seguiu-se uma pré-sobremesa, um gelado com infusão de rosas com espumante, seguida por um doce que une chocolate, avelã, maracujá, beterraba e coentro que conquista qualquer pessoa que seja gulosa e que faz alusão a uma das obras de Cícero Dias, ambos harmonizados com Moscatel de Setúbal de Venâncio Costa Lima.

O menu de degustação com oito momentos tem o custo de 105€ por pessoa, mais 75€ para se quiser juntar uma harmonização de vinhos. Existe ainda um menu vegetariano de cinco momentos por 90€.

Espreite as fotos.

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