Kouri Richins escreveu um livro infantil sobre o luto após a morte do marido, mas foi agora condenada a prisão perpétua por o ter assassinado com fentanil.
Kouri Richins tornou-se conhecida depois de lançar um livro infantil sobre o luto para ajudar os filhos a lidar com a morte do pai. Agora, a norte-americana foi condenada a prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional pelo homicídio do próprio marido.
A sentença foi conhecida esta quarta-feira, 14 de maio, no Utah, nos EUA. A mulher de 35 anos foi considerada culpada de ter matado Eric Richins, com quem era casada, depois de lhe misturar uma dose letal de fentanil num cocktail, em 2022.
Segundo o tribunal, Kouri Richins administrou ao marido cinco vezes mais do que a dose considerada mortal. O júri condenou-a ainda por outros quatro crimes, incluindo fraude de seguros, falsificação e tentativa de homicídio, depois de ter tentado envenenar o companheiro semanas antes com uma sandes contaminada com fentanil.
“O tribunal considera que é demasiado perigosa para alguma vez voltar a ser libertada”, afirmou o juiz ao anunciar a pena de prisão perpétua.
O caso ganhou enorme atenção mediática depois de se descobrir que, meses após a morte do marido, Kouri Richins publicou um livro infantil sobre o luto, inspirado na perda vivida pelos três filhos do casal. A obra foi promovida como uma ferramenta para ajudar crianças a enfrentar a morte de um dos pais.
De acordo com os procuradores, a agente imobiliária acumulava milhões de dólares em dívidas e estaria envolvida com outro homem. As autoridades acreditam que planeava beneficiar financeiramente da morte do marido, depois de abrir várias apólices de seguro de vida em nome de Eric Richins sem o conhecimento deste. Kouri Richins acreditava ainda que herdaria um património avaliado em mais de quatro milhões de dólares.
Os testemunhos dos filhos do casal marcaram o julgamento. Atualmente com 13, 11 e 9 anos, os rapazes escreveram cartas lidas em tribunal por assistentes sociais. As crianças disseram sentir medo da mãe e afirmaram que não se sentiriam seguras caso esta voltasse a sair da prisão. Um dos filhos acusou diretamente Kouri Richins de ter destruído a família “por ganância”.
“Tiraste-me o meu pai sem outra razão que não fosse a ganância e só te preocupaste contigo e com os teus namorados estúpidos”, afirmou o filho do meio. A cunhada da arguida, Katie Richins Benson, que tem atualmente a guarda dos menores, deixou críticas durante a audiência. “Os filhos não são adereços para um livro infantil distorcido sobre dor e perda”, disse.
Durante o julgamento, os procuradores apresentaram mensagens trocadas entre Kouri Richins e o alegado amante, nas quais falava sobre deixar o marido e ganhar milhões de dólares num divórcio. Foram também mostradas pesquisas feitas no telemóvel da arguida sobre doses letais de fentanil, prisões de luxo e a forma como envenenamentos aparecem em certidões de óbito, escreve o “Correio da Manhã”.
Apesar da condenação, Kouri Richins continua a declarar-se inocente. Em tribunal, classificou o veredito como “uma mentira absoluta” e pediu aos filhos que “não desistam” dela. Os advogados da norte-americana já anunciaram que vão recorrer da decisão.
