Vídeos de tortura e grupo secreto no WhatsApp. Saiba tudo sobre o escândalo da PSP que envolve irmão de Nininho Vaz Maia

Mário Vaz Maia é um dos 15 novos agentes detidos esta terça-feira, 5 de maio. No centro da investigação estão “sessões de tortura” e violações a detidos vulneráveis. Entenda.

O caso de violência extrema nas esquadras da PSP de Lisboa ganhou novos contornos esta terça-feira, 5 de maio, com a detenção de mais 15 polícias e um segurança privado.

Entre os novos detidos está Mário Vaz Maia, agente da PSP e irmão do cantor Nininho Vaz Maia, que é suspeito de ter participado na partilha de vídeos que mostram detidos a serem torturados e humilhados.

De acordo com o que o “Observador” apurou, Mário Vaz Maia terá tido um papel na partilha dos conteúdos violentos em grupos de WhatsApp. Embora negue o seu envolvimento direto nas agressões, a investigação acredita que terá contribuído para a circulação dos vídeos, não tendo denunciado os crimes às autoridades. 

Ao todo, o número de agentes detidos neste processo já subiu para 24. Em causa está um grupo no WhatsApp, com cerca de 70 membros, que era utilizado para partilhar imagens de detidos, na maioria imigrantes e pessoas em situação de sem-abrigo, a serem severamente torturados agredidos ou violados. 

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O despacho do Ministério Público descreve atos de extrema violência praticados nas esquadras do Rato e do Bairro Alto. Os agentes envolvidos são acusados de escolher as vítimas entre os “seres humanos mais fragilizados”, incluindo toxicodependentes e estrangeiros em situação ilegal.

Os primeiros dois detidos já foram alvo de acusação, por alegadamente sujeitarem as vítimas a “verdadeiras sessões de tortura”, com socos pontapés, bastonadas ou gás pimenta, enquanto estavam algemadas. 

A acusação, já confirmada em instrução, afirma que os agentes “agiam de forma violenta, perversa, descontrolada e descompensada, exibindo requintes de malvadez, em total desrespeito pela integridade física das vítimas”, segundo avança o “Observador”.

Num dos casos, dois polícias terão sodomizado dois sem-abrigo com um bastão e um cabo de uma vassoura, ao mesmo tempo que outros agentes assistiam, filmavam e riam. 

Noutro caso, uma mulher foi esbofeteada e algemada, de braços abertos, “como se estivesse num crucifixo”. Um agente gravou um vídeo, que partilhou num grupo do WhatsApp, em que se vê a ofendida com espasmos e um polícia a gesticular “como se a benzesse”.

Os novos detidos, onde se inclui o irmão de Nininho Vaz Maia, encontram-se nas esquadras do Comando Metropolitano de Lisboa (COMETLIS). Deverão ser presentes a um juiz de instrução para o primeiro interrogatório e aplicação de medidas de coação até ao final desta semana.

Algumas das vítimas já estiveram no COMETLIS e conseguiram identificar “a maioria” dos suspeitos como estando presentes nos momentos das agressões ou a gravar os atos, de acordo com a mesma publicação.

O Ministro da Administração Interna, Luís Neves, em entrevista à CNN Portugal, admitiu a existência de um “pacto de silêncio” entre os agentes, recusando ainda haver uma “cultura instalada” no seio policial que favorece estas práticas. Luís Neves garantiu igualmente uma postura de “tolerância zero” perante estes comportamentos.

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