Val Kilmer “volta à vida” em novo filme após a sua morte graças à Inteligência Artificial — e divide Hollywood

O ator morreu no ano passado, aos 65 anos, e parece que vai voltar aos grandes ecrãs graças à Inteligência Artificial. Saiba tudo sobre a polémica decisão.

Val Kilmer morreu em 2025, aos 65 anos, devido a um cancro na garganta. Passado um ano da sua morte, volta aos ecrãs. O ator vai surgir no filme “As Deep as the Grave” (ainda sem estreia marcada) graças à Inteligência Artificial (IA).

O uso desta ferramenta tem gerado várias polémicas em Hollywood e o tema volta a ganhar destaque novamente devido à divulgação do trailer do filme protagonizado por Val Kilmer,  gerado por Inteligência Artificial. As primeiras imagens foram divulgadas esta quarta-feira, 15 de abril, onde se vê e ouve uma versão do ator gerada por IA.

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“As Deep as the Grave”, anteriormente intitulado de “Canyon of the Dead”, conta a história verídica de Ann e Earl Morris, dois arqueólogos do Sudoeste. O filme detalha as suas escavações no Canyon de Chelly, no Arizona e no seus esforços para traçar a história das nações indígenas da América do Norte.

Além de Val Kilmer, ou a versão gerada por Inteligência Artificial, o elenco conta com várias atores já conhecidos do público, como Wes Studi, de “Danças com Lobos”, Tom Felton, de “Harry Potter”, e Abigail Breslin, de “Little Miss Sunshine”.

O que levou a produção a usar Inteligência Artificial?

Antes de responder a esta questão, é importante perceber o estado de saúde do ator. Cinco anos antes da sua morte, Val Kilmer foi escolhido para interpretar uma personagem chamada Fintan, um padre católico que iria ter um papel fundamental no filme.

Contudo, o ator de 65 anos lutava contra um cancro na garganta e não conseguiu estar presente nas filmagens devido ao seu estado de saúde, conforme noticia a “Variety”. “Ele era o ator que eu queria para este papel”, disse Coerte Voorhees, argumentista e realizador do filme, em declarações à mesma revista. No entanto, “estava a passar por um período muito, muito difícil do ponto de vista médico e não conseguiu fazê-lo”, explica.

Apesar de ter morrido em 2025, não foi por isso que deixou de fazer parte do filme. Este teria sido um papel feito à medida do ator, inspirando-se na sua herança indígena americana, bem como na sua paixão pelo sudoeste e apesar de não ter filmado uma única cena, o realizador garante que conseguiu transmitir a visão do ator, bem como incluí-lo no elenco, graças à Inteligência Artificial. 

A decisão teve o apoio da família de Val Kilmer e terá sido isso que lhe deu vontade de honrar a sua memória. “A família dele não parava de dizer o quanto achavam que o filme era importante e que o Val queria mesmo fazer parte disto”, explicou Coerte Voorhees. “Ele achava mesmo que era uma história importante na qual queria ver o seu nome. Foi esse apoio que me deu a confiança para dizer: ‘Está bem, vamos a isto’. Apesar de algumas pessoas poderem considerar controverso, era isto que o Val queria”, afiança.

Mas nem tudo foi um mar de rosas, até porque inicialmente a equipa chegou a cortar algumas cenas que envolviam a sua personagem por questões orçamentais e por limitação de tempo, e chegaram a ponderar contratar outro ator para substituir Val Kilmer. Ainda assim, depois de verem as imagens, perceberam que teriam de o incluir para a narrativa ficar completa. Além disso, não havia orçamento para fazer essa mudança, por isso, o realizador teve de pensar como iria abraçar o desafio e chegou à conclusão de que a tecnologia podia ser uma aliada.

Como é que a Inteligência Artificial vai recriar o ator?

A versão do ator gerada por Inteligência Artificial irá aparecer numa parte significativa do filme. Para isso, o projeto recorreu a imagens do ator em mais novo, muitas delas fornecidas pela família, bem como imagens mais recentes para mostrar a sua personagem em várias fases da vida.

No que toca ao áudio, o filme usará a voz real de Val Kilmer, que, nos últimos anos, ficou prejudicada devido à cirurgia à traqueia. Este não é o primeiro projeto em que Val Kilmer usa a Inteligência Artificial. Para o filme “Top Gun: Maverick”, o ator colaborou com a Sonantic para criar uma voz com a IA. 

Val Kilmer já sabia que este novo filme usaria a Inteligência Artificial para a sua personagem, pelo menos para a sua voz, mostrando-se “grato” por existir essa possibilidade. “Enquanto seres humanos, a capacidade de comunicar é fundamental para a nossa existência e os efeitos secundários do cancro na garganta têm dificultado que os outros me compreendam”, disse o ator, citado pela “Variety”. “A oportunidade de narrar a minha história, com uma voz que parece autêntica e familiar, é um presente incrivelmente especial.”

Apesar do filme estar a levantar muitas questões sobre o impacto da Inteligência Artificial na cultura, a equipa de produção espera que “As Deeps as the Grave” mostre como a ferramenta pode ser usada de forma positiva.

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