O novo Geradora é restaurante, museu e bar. Já fomos conhecer o espaço do Esporão em Lisboa

Em parceria com o Instituto Superior de Agronomia, o Esporão, produtor de vinhos e azeites, prepara-se para abrir, em julho, um novo projeto na Tapada da Ajuda, em Lisboa. Saiba tudo.

Divulgação

A cozinhar o projeto desde 2014, o Esporão, uma marca de referência em vinho, azeite, turismo e agricultura biológica, decidiu inovar e criar um novo espaço onde a gastronomia, o vinho, o azeite e a cultura convivessem no mesmo lugar. Chama-se Geradora e fica na Tapada da Ajuda, dentro do Instituto Superior de Agronomia, num edifício histórico de estilo industrial.

O que inicialmente foi construído, no início do século XX, para ser um gerador a carvão para produzir eletricidade para o Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa, acabou por ser uma sala de arrumações. Isto porque o edifício nunca chegou a desempenhar a função para o qual foi desenhado, visto que as obras demoraram mais do que o previsto e que a Central Tejo passou a produzir energia para essa parte da cidade.

Apesar de nunca ter funcionado como um gerador, optou por manter o nome original, mas com uma função diferente. Mais tarde, a Geradora integrou o Instituto Superior de Agronomia, tornando-se um espaço de aulas e de oficinas ligadas à agricultura e maquinaria agrícola. Com o passar dos anos, o espaço tornou-se uma arrumação para tratores e maquinaria, e um edifício devoluto, em risco de queda.

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Foi aí que o Esporão surgiu. A marca andava à procura de um novo local de trabalho em Lisboa, visto que os escritórios no Restelo, numa casa privada onde se encontravam, não tinham capacidade para toda a equipa. “Precisávamos de um edifício novo, mas não queríamos que fosse um escritório e foi aí que o ISA surgiu. Queríamos ligar a universidade às empresas e fazia todo o sentido ser o Esporão, uma empresa agrícola”, começa por explicar aos jornalista António Roquette, diretor de turismo do Esporão, numa visita para conhecer o espaço da Geradora.

Em entrevista à MAGG, o mesmo explicou que em 2014 fizeram um pop-up no Mercado da Ribeira e que, desde então, sonhavam em “ter algo fora das origens e dos seus territórios”. “Queríamos ter um sítio em Lisboa, mas não um qualquer. Um local onde pudéssemos fazer uma casa Esporão em Lisboa, mais próxima de todos, e foi uma escolha unânime. Vai ser um sítio com identidade própria, mas com identidade do Esporão”, afirmou.

Apesar de ser um edifício que pertence ao Estado, conseguiram recuperá-lo mantendo o traço original para usufruir nos próximos 30 anos. “A ideia não é só ter um espaço que é idílico no campo, mas também estarmos próximos da academia”, acrescentou. Assim, a fachada foi mantida, tal como o chão, o mecanismo das janelas, colunas e alguns móveis.

A MAGG foi convidada para conhecer o novo espaço, bem como o restaurante. O Geradora encontra-se rodeado pela natureza e vai contar com vários espaços distintos, cada um com uma função diferente. À entrada, no lobby, terá um bar e uma loja onde poderá comprar produtos Esporão, como vinhos e azeites. À esquerda, encontra-se um museu onde será exposto o espólio do ISA, a universidade mais antiga de Portugal, desde estudos a modelos de gesso de flores coloridos, passando por amostras de solo e madeira de todo o território nacional, amostras de solo, de insetos, minerais, livros e microscópios. O museu terá uma exposição rotativa.

E o que é que vai poder comer no Geradora?

Do lado direito encontra-se o restaurante Geradora, com uma cozinha portuguesa com um toque contemporâneo e com uma ementa sazonal dividida entre a carta e pratos especiais. Já a carta de vinhos é maioritariamente dedicada aos vinhos do Esporão.

“Queríamos que a carta fosse de comida portuguesa, mas não necessariamente de comida tradicional portuguesa. Ou seja, tal como o espaço é um local tranquilo, que é o campo na cidade, nós queremos trazer um pouco disto para a cozinha. Produto português, simples, confortável e que as pessoas gostem”, explica o chef Manuel Liebaut, em entrevista à MAGG, que recebeu o convite do Esporão em 2023 e o aceitou um ano depois.

“Foi um comeback para a cozinha. Eu tinha estado quase três anos fora da restauração, estava só a fazer eventos, apenas ia fazendo alguns pop-ups”, conta o chef, que agora volta a meter as mãos na massa.

A MAGG teve a oportunidade de provar alguns dos pratos que vão estar presentes na carta. A nossa experiência gastronómica começou com um um clássico irresistível e que não pode faltar numa mesa portuguesa: um couvert com pão de massa mãe e broa da casa para molhar em azeite Esporão, azeitonas de Murças e manteiga de alho e ervas.

Seguiram-se três entradas que nos conquistaram do início ao fim. A primeira foi uma rabanada de sarrajão com toucinho, seguida por uma patanisca de choco com molho salsa que nos deixou com vontade de voltar ao Geradora só para voltar a repetir este prato cítrico e guloso. Por fim, provámos tártaro de vaca maturada com molho de pica-pau em telha de batata frita, que foi uma verdadeira surpresa, e é daquelas entradas que faz logo a refeição começar bem.

Seguimos para um prato principal de peixe, o linguado grelhado com molho de azeite e alho, xerém e salada e este foi sem dúvida o prato que mais deixou a nossa barriga a bater palminhas e que nos surpreendeu pelo tamanho bem generoso – e se é fã de peixe, então tem mesmo de prová-lo.

Sabe aqueles pratos que nos fazem regressar no tempo e reviver memórias muito queridas da infância? Foi isso que sentimos com este prato principal que nos remete aos sabores dos almoços na casa dos avós. Trata-se de um panado de cachaço de porco, servido com legumes grelhados e ovo, que promete ser uma aposta segura tanto para miúdos como graúdos.

Por fim, foi tempo de provar as sobremesas. Começámos com um doce com morangos, flor de sabugueiro e gelado de leite que é uma ótima escolha para comer nos dias de verão devido à sua frescura. Mas o destaque foi mesmo para o que se seguiu. Provámos um pão de ló de alfarroba delicioso com azeite e flor de sal, que vinha acompanhado de um gelado de amêndoa, caramelo de amarguinha e limão.

A refeição foi, do início ao fim, acompanhada por vinhos Esporão, desde Esporão Assobio Branco 2024 a Quinta Ameal Espumante 2006 e Reversa 2024.

Além do restaurante, o espaço unirá a gastronomia com a cultura e a cidade, contando com uma programação cultural recheada de eventos, desde concertos a conversas, sessões de poesia, cinema ao ar livre, workshops, provas, atividades para famílias e exposições temporárias ao longo do ano. Já no espaço exterior haverá uma esplanada, um bar de cerveja artesanal e um espaço para crianças brincarem.

“Queremos que a Geradora seja um espaço vivido com naturalidade, um lugar onde se possa almoçar, beber um copo de vinho, assistir a um concerto ou simplesmente passar tempo. Trouxemos para Lisboa muito daquilo que define o Esporão: a ligação à terra, à cultura e à partilha”, afirma João Roquette, presidente do conselho de administração do Esporão, em comunicado.

Mas as novidades não ficam por aqui. No piso inferior do Geradora haverá uma sala de provas com uma garrafeira, também disponível para refeições, pequenos grupos ou eventos privados. Ainda neste piso, haverá uma galeria de arte.

A abertura do Geradora está prevista para junho.

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