Pai das 2 crianças abandonadas em Portugal quebra o silêncio pela primeira vez. Saiba o que disse

O pai das crianças francesas, que foram abandonadas em Alcácer do Sal pela mãe e pelo padrasto, falou pela primeira vez do momento difícil que está a viver.

O pai de Zacharie e Barthelemy, de 3 e 5 anos, dois irmãos de nacionalidade francesa que foram abandonados pela mãe e pelo padrasto, a 21 de maio, na Estrada Nacional 253, que liga Alcácer do Sal à Comporta, quebrou o silêncio e falou abertamente, pela primeira vez, sobre o caso.

O homem não escondeu o sofrimento e disse que pensa nos filhos “a cada segundo”. Está atualmente em França e deixa um apelo à contenção mediática, bem como ao respeito pela privacidade das crianças para não serem bombardeados com o que aconteceu. “Os meus filhos vão precisar de se reconstruir, tal como eu, e não precisam que lhes recordemos este drama”, afirma em declarações à Franceinfo, um canal francês.

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Contudo, o pai não desvaloriza as ações da ex-mulher, que considera “graves” e chocantes”, mas recusa alimentar discursos de ódio dirigidos à mãe dos seus filhos. “Não pretendo defender ou minimizar os atos cometidos. (…) Os factos continuam a ser graves e profundamente chocantes. Recuso-me a acrescentar a isso palavras de ódio, insultos ou qualificativos destinados a desumanizar uma pessoa (…) mesmo que reconhecida culpada.”

O homem deixa agora o caso nas mãos da justiça. “Deixo as autoridades trabalharem enquanto aguardo o seu aval para os recuperar”, termina, acrescentando que apenas vai pronunciar-se novamente assim que estiver reunido com os filhos. Até então, a mãe tinha custódia das crianças, por isso, o ex-marido apenas tinha direito de visitas supervisionadas.

Na passada quinta-feira, 21 de maio, as crianças foram vendadas pela mãe, Marine, de 41 anos, e o namorado, Marc, de 55, padrasto dos dois irmãos, que lhes disseram para procurarem um brinquedo na floresta. Foi aí que os adultos abandonaram os meninos na Estrada Nacional 253, em Alcácer do Sal, deixando-as apenas com uma mala que continha uma muda de roupa, um pacote de bolachas, duas peças de frutas e uma garrafa de água. As crianças foram encontradas a chorar, a gritar e a vaguear sozinhos junto a Monte Novo do Sul, perto de Alcácer do Sal, por volta das 19 horas.

O casal seguiu para uma esplanada em Fátima, a quase 200 km do local de abandono, onde estiveram “mais de cinco horas” sentados de forma descontraída, segundo Jorge Lopes, dono do estabelecimento, citado pelo “Observador”. Foi nesse mesmo local que foram detidos, mais tarde, pela GNR.

Marine e Marc já estavam a ser procurados pelas autoridades. A 11 de maio, o pai biológico apresentou uma queixa à polícia, visto que as crianças estavam desaparecidas há 10 dias. Também a família da mulher fez queixa às autoridades, depois de não atender telefonemas, o que deu início a buscas pelo casal, conduzidas pelas autoridades francesas. 

A mãe e o padrasto são suspeitos de crimes de violência doméstica e de exposição e abandono, e também serão julgados pelos crimes cometidos em França, entre eles subtração de menores em contexto de regulação parental.

O casal encontra-se em prisão preventiva a aguardar julgamento, o qual deverá decorrer até ao final deste ano, tendo ainda de responder pelos mandados de detenção europeus. Marine e Marc devem ser julgados em Portugal, contudo, podem pedir para cumprir a pena em França. Para isso, os dois países terão de chegar a um acordo para que sejam extraditados e julgados em território francês.

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