Editorial. Sabem que não existem cinzeiros em Lisboa, certo?

Os poucos caixotes do lixo com cinzeiros são um perigo para quem não apaga (mesmo) bem a beata. Aceito as multas — se me derem condições.

Quem for apanhado a atirar beatas para o chão vai ser multado

Estima-se que em Portugal são atiradas para o chão cerca de sete mil beatas por minuto. Tendo em conta o efeito que os cigarros têm no nosso ambiente, podem imaginar o que é que isto significa a longo prazo para o planeta. Como alguém com dois dedos de testa que não vive numa realidade à parte como Donald Trump, é óbvio que é preciso fazer alguma coisa.

A resposta chegou esta sexta-feira, 14 de junho, com a aprovação de um projeto de lei do PAN relativo aos cigarros deitados no chão. Por outras palavras, quem for apanhado a livrar-se da sua beata como se nada fosse vai ser multado. O senhor fumador sem respeito pela via pública será alvo de uma contraordenação ambiental leve ou muito grave, e de uma coima que pode chegar aos 500€.

Para dar uma ajuda a implementar isto, os estabelecimentos vão passar a ser obrigados a ter cinzeiros. Ora é neste momento que eu torço o nariz. Então mas esperem lá… e as autarquias? Ao Governo só cabe promover ações de sensibilização? É que, não sei se sabem, mas não há um único cinzeiro que não esteja partido em Lisboa. Isto significa que vou ter de andar a correr para os cafés e restaurantes para apagar o cigarro? E quais é que vão ter? Todos? E posso apagar o cigarro não tendo entrado no espaço? São demasiadas questões.

Eu sou fumadora. Não é algo de que me possa vangloriar, mas permite-me pelo menos opinar sobre este assunto com algum conhecimento de causa. Para quem não é fumador, passo a explicar que essa coisa dos cinzeiros existe em alguns (ênfase no alguns, ok?) caixotes do lixo em Lisboa. Muitos estão destruídos, a grande maioria tem um sistema muito pouco inteligente em que atirar a beata lá para dentro significa atirá-la para dentro do lixo. Onde há papéis. Plásticos. Vidros.

Já perdi a conta à quantidade de vezes em que meti beatas dentro da mala. Ou em que caminhei bastante tempo com uma na mão. Já perdi a conta à quantidade de vezes em que tive efetivamente que atirá-las para o chão, ou simplesmente perder o autocarro porque preciso de me assegurar de que apaguei bem a beata. É que pegar fogo aos caixotes de lixo sem querer é algo que acontece regularmente. E depois nem cinzeiro, nem lixo.

Não há cinzeiros em Lisboa. Lamento informar-vos sobre este pequeno facto, mas é verdade. Nem todos os fumadores são umas bestas desnaturadas que atiram a beata para o chão e dizem “Que se lixe o ambiente”. Muitos são vencidos pelo cansaço, outros tentam fazer o melhor que podem. A ausência de cinzeiros não ajuda.

Percebo a ideia de colocar cinzeiros à porta de estabelecimentos. Mas não sacudam a água do capote, não pode ser a única solução. Por favor, renovem os caixotes de lixo de Lisboa. Por favor, acrescentem-lhes cinzeiros decentes. E por favor, criem novos cinzeiros em Lisboa, estrategicamente colocados à entrada do metro, nas paragens de autocarro, no meio dos parques, nos miradouros, onde quiserem.

Acreditem no que vos digo: não é preguiça. Simplesmente não faz sentido que não nos facilitem também um bocadinho a vida. Hoje em dia, nem os supermercados têm um cinzeiro à porta. Se for para continuar assim, é simplesmente idiota.

Deem-nos a solução para o problema. Mas deem-nos, porque o nosso planeta precisa mesmo de ser salvo. Se dúvidas faltassem, esta semana a jornalista Marta Cerqueira mostrou-nos que ingerimos o equivalente a um cartão de crédito de plástico por semana. Por mês podemos contar com 20 gramas ou o equivalente a um pacote de pastilhas Trident, por ano os 250 gramas de plástico podem ser convertidos em, por exemplo, duas latas de atum. É simplesmente assustador.

Leonardo DiCaprio acredita que ainda é possível fazer alguma coisa. Foi por isso que lançou um documentário chamado “Ice of Fire”, da HBO, que mostra como é possível fazer a diferença ao mudar, por exemplo, a alimentação dos animais. Contamos-lhe tudo neste artigo da MAGG.

E falámos muito sobre relacionamentos esta semana. A psicóloga Sara Ferreira recebeu uma pergunta sobre um leitor, que queria saber dicas para usar o Tinder. A resposta está aqui. E porque ficámos a pensar nestas questões das aplicações de dating e primeiros encontros com estranhos, pedimos a vários especialistas que nos dessem exemplos de red flags a que devemos estar atentos num primeiro encontro. Do cavalheirismo extremo a esquecer-se de coisas que já lhe tinha dito, reunimos 24 sinais de alerta.

Mas há mais. Ana Luísa Bernardino mostra-nos o que vai mudar com o 5G, Fabíola Carlettis dá início à saga de sugestões para os casamentos (temos vestidos para convidados até aos 29,99€) e Fábio Martins dá-nos 8 razões por que Keanu Reeves é boa pessoa. Mas mesmo, mesmo boa pessoa.

Partilhe
Fale connosco
Se encontrou algum erro ou incorreção no artigo, alerte-nos. Muito obrigado. [email protected]