Chef Kiko Martins vai abrir novo restaurante e quer ser “um dos melhores de Portugal”. Eis o que já sabemos

O chef Kiko Martins vai apostar todas as fichas num projeto com uma abordagem ao fine dining e vai reformular os seus restaurantes. Saiba tudo.

Francisco Rivotti

Depois de O Talho, El Mar, O Boteco, Las Dos Manos e Cevicheria, ainda há espaço para sonhar. Há 46 anos, nascia o chef Kiko Martins no Rio de Janeiro. Com 11 anos veio para Portugal, estudou em Paris e atualmente conta com cinco restaurantes. De cozinheiro a apresentador de televisão, o chef continua a sonhar alto e vai abrir um novo restaurante.

A novidade foi avançada pelo próprio num almoço com a imprensa n’O Talho. “É uma decisão de muita paixão. Eu já levo 20 anos disto, já não sou marinheiro de primeira viagem, já estou nesta vida há muito tempo e quis começar um novo capítulo da minha vida, que já passou por várias fases. Quero aproximar-me brutalmente outra vez daquilo que eu considero importante, que é estar na cozinha”, começa por explicar o chef Kiko Martins.

Este é um projeto há muito pensado pelo chef, mas que só agora ganhou forma. Apesar da carreira cheia de sucessos, admite que daqui a uns anos quer olhar para trás e perceber que apostou tudo. “Eu não gostava que daqui a vinte ou trinta anos, quando ligasse a televisão para ver a história da minha vida, visse que a determinada altura não tentei construir este filme, mesmo sabendo dos riscos de falhar, de não correr bem ou de não ser bem interpretado”, frisa.

Com capacidade para poucas pessoas, o novo espaço ficará em Lisboa, embora ainda não seja conhecida a zona. A abertura está prevista para o final deste ano ou início do próximo. “Eu gostava muito de, no próximo ano, abrir um dos melhores restaurantes de Portugal, onde eu esteja diariamente, onde viva e acompanhe cada um dos detalhes”, acrescenta.

No que toca à carta, o chef não quis revelar muitos detalhes, mas houve oportunidade de provar alguns dos pratos do novo restaurante. “Irei fazer uma cozinha que seja um espelho daquilo que sou: um jovem brasileiro que nasceu no Rio de Janeiro há 46 anos, veio para Portugal com 11 anos e que continua a sua vida aqui, mas que também terá um lado irreverente, mais disruptivo e inovador”, afirmou.

Foi possível provar um prato que promete fazer as delícias de qualquer amante de carne: rosbife de vitela maronesa com molho de enguia acompanhado por alcaparras. Houve ainda lugar a um gratin de batata com queijo gruyère e espargos. Para terminar, o chef deu a provar uma sobremesa inspirada na posset inglesa, com granizado de aipo, posset de limão e esferas de leite de tigre.

Ainda com detalhes por desvendar, o chef não revelou o conceito do espaço, mas promete afastar-se do fine dining na verdadeira acepção do termo. “Eu não gosto nada dessa palavra. Será um espaço onde tentarei demonstrar aquilo que sou e o que quero ser. Não será um restaurante biográfico e não vai buscar pratos dos outros restaurantes”, continuou.

Apesar de não ter em mente uma estrela Michelin, o chef salienta que acima dos prémios estão os clientes e a experiência – e que, ainda assim, o objetivo não deixa de ser criar “um dos melhores restaurantes de Portugal”. “Apontarei para ser o melhor possível. Se o melhor possível passar por aí [estrela Michelin], vamos embora, mas a ambição é fazer com que seja uma experiência mesmo fixe para quem visita, muito cuidada, acarinhada e acompanhada”, explicou.

Já fomos ao Las Dos Manos, o novo restaurante do chef Kiko Martins, e adorámos estes 3 pratos
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O chef reconhece ainda que Portugal enfrenta tempos de crise na restauração e que abrir um novo restaurante é um desafio, mas mantém-se confiante. “Há um excesso de oferta na restauração, há menos dinheiro entre os portugueses, o perfil do turista está a mudar. Tenho muita noção da altura que vivemos agora, mas isso não me tira o entusiasmo de querer fazer uma coisa única”, admitiu.

2026 será um ano de mudanças no grupo. Além do novo restaurante, O Talho, Cevicheria, Las Dos Manos e El Mar vão sofrer alterações, com novidades ambiciosas. “Eu quero deixar tudo preparado para quando começar este projeto novo estar em paz e focado nele”, relatou.

A primeira novidade será na Cevicheria, que mudará de carta e ficará “ainda mais alinhada com a procura de produtos mais especiais”. Já O Talho vai entrar em obras e terá também uma atualização de carta. Las Dos Manos passará por uma “grande mudança” de conceito ainda este ano, mantendo a identidade mexicana, mas com uma abordagem “disruptiva”. Já o El Mar mudará de pratos, enquanto o Boteco permanecerá igual.

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