Adeus, minimalismo. Olá, arrojo. É assim que definiríamos aquilo que se avizinha para os próximos meses em termos de looks de maquilhagem. Ora veja.
Fashionistas de um lado para o outro, pincéis em movimento constante e luzes fortes. É neste ambiente acelerado que muitas das tendências que depois chegam às nossas rotinas de beleza começam a ganhar forma. E foi precisamente no meio desse ritmo frenétrico que conversámos com Vanessa da Corte, trainer da Kiko Milano, durante a ModaLisboa Pebbling, que se realiza até domingo, 15 de março.
A marca volta a assegurar a maquilhagem de vários desfiles e, como acontece em todas as Semanas de Moda, aquilo que migra dos bastidores para as passerelles torna-se um verdadeiro barómetro de tendências. Aquilo que se vê nos desfiles não fica somente reservado ao espetáculo, porque muitas das propostas acabam adaptadas ao quotidiano, com pequenas variações, mais subtis, mas igualmente interessantes.
Por isso, quisemos mesmo saber o que é que vai marcar o mundo da maquilhagem nas próximas estações. Isto porque, na primavera, os looks parecem querer afastar-se ligeiramente da estética ultra minimalista que tem dominado os últimos anos (olá, clean girl aesthetic). Contudo, as cores e os acabamentos, conforme nos explica a maquilhadora, vão voltar a ganhar permissão para arriscar.
A pele quer-se menos brilhante, mas não totalmente mate

A base de qualquer look, seja ele de primavera ou de outra estação, continua a ser a pele. Mas, ao contrário das tendências recentes, dominadas por acabamentos extremamente luminosos e dewy, a estação traz um regresso a algo mais equilibrado. Segundo Vanessa da Corte, a cobertura será média e modulável, permitindo adaptar o resultado consoante a ocasião.
“O acabamento vai ser um mate acetinado, que é a tendência total”, explica à MAGG. Aliás, basta olharmos para as tendências mais recentes e percebemos que, de facto, esta já começa a entrar em voga. Já deixámos um bocadinho para trás aquelas peles muito brilhantes, que parecem querer refletir todo e qualquer raio de luz, “para ter um efeito mais natural, de uma pele básica do dia-a-dia”, continua.
Trocando por miúdos, na primavera os looks de maquilhagem vão fazer a festa com pele fresca e luminosa, sim, mas com mais controlo e menos brilho excessivo. A ideia é que pareça saudável, como se a maquilhagem estivesse apenas a dar um leve aperfeiçoamento àquilo que já existe. Como promete, aliás, a nova base da marca, Love Fusion, que esteve em destaque no evento lisboeta e promete 24 horas de hidratação, 24 horas de proteção da barreira cutânea e até 16 horas de longa duração.
O blush não vai a lado nenhum

As redes sociais dizem que 2026 é um reviver de 2016. Pode ser assim em várias tendências que estão a ganhar força, é certo, mas isso não se aplica ao blush. Sim, porque quem não tem memória curta certamente lembrar-se-á de que, antes de voltar a ser socialmente aceitável sofrer de blush blindess, o truque das maquilhagens da década passada passava por abusar do bronzer.
No entanto, Vanessa da Corte diz que, tendo em conta que o blush voltou em força nos últimos anos, dificilmente vai sair do topo das tendências assim tão cedo. E há várias cores em que podemos apostar na primavera, como os icónicos “rosas, que agora vão ter uma tonalidade um bocadinho mais fria”, adianta, dizendo que os tons pêssego ou coral vão ficar de lado, pelo menos por agora.
Mais interessante ainda é a forma de aplicação. Há várias formas que têm ganhado tração nas redes sociais, como o boyfriend blush, mas aquele que mais vai encher as medidas das beauty addicts é o conhecido efeito lifting, que se aproxima mais “de um posicionamento na zona superior da maçã do rosto”, e cria um efeito “mais asiático”, não fosse a beleza coreana aquilo que mais está a bombar.
Os olhos luminosos vão voltar com tudo

Nos olhos, a primavera promete duas abordagens muito distintas, diz Vanessa da Corte. Por um lado, tons claros e luminosos, muitas vezes próximos do branco ou do prateado, que iluminam imediatamente o olhar. “Vamos fazer vários looks com sombras bem brancas, em tons mais metalizados”, revela, dizendo que estes são uma das diferenças mais visíveis em relação às primaveras anteriores.
No entanto, se o objetivo destas tonalidades é acrescentar dimensão e luz, sem recorrer a cores demasiado intensas, temos o outro lado do espetro, que também promete fazer-se sentir nos meses que se seguem. Isto porque, para quem prefere ousar ao mais alto nível, a estação traz cores vibrantes.
A maquilhadora fala de tons como rosas elétricos ou amarelos fortes, uma tendência que parece refletir uma vontade crescente de sair da estética ultra minimalista da chamada clean girl. “Acho que vai depender muito da personalidade“, resume. De uma coisa temos a certeza: uma das grandes impulsionadoras desta tendência poderá ser Zara Larsson, devido aos looks arrojados que tem feito em conjunto com Sophia Sinot, de quem já aqui lhe falámos.
A máscara de pestanas continua viva e de boa saúde (mas com um twist)

Desde que o minimalismo começou a ganhar tração nas redes sociais, tanto na moda como na beleza, que se anuncia o fim da máscara de pestanas. Como aficionados de beleza que somos, ouvimos essa teoria recorrentemente. Mas se não vive sem um bom pestanão, temos boas notícias: a máscara não vai a lado nenhum, mas a tendência é trazer mais leveza ao olhar.
Ou seja, se, durante anos, o volume extremo dominou, proporcionado por camadas generosas de máscara e um efeito dramático que definia o olhar, agora a abordagem é diferente (e basta estar atento aos lançamentos de várias marcas, que têm começado a apostar em fórmulas que, em vez de prometerem volume, prometem um comprimento e curvatura maiores).
“Vamos trabalhar mais o alongamento do que o volume”, confirma precisamente Vanessa da Corte. O objetivo é separar bem as pestanas, evitar que fiquem coladas e criar um efeito lifting, que abre o olhar de forma elegante. Só assim se garante um resultado final é mais limpo e sofisticado, mas que continua a dar presença aos olhos.
Os lábios vão ter mais definição

Nos lábios, a tendência vai seguir a mesma lógica de menos exagero, mas mais estratégia e definição. À semelhança das outras partes do rosto, os acabamentos extremamente brilhantes vão abrir espaço para texturas mais acetinadas ou mate suaves. E o contorno volta a ganhar importância, embora de forma mais discreta.
“O contorno começa a ser mais marcado nos cantinhos, mas depois esfumado na parte superior e inferior”, explica Vanessa da Corte, explicando que os looks vão ser mais definidos, mas sem parecer rígidos ou artificiais. Aliás, a maquilhadora descreve mesmo uma técnica muito simples para alcançar esse efeito: aplicar o batom e depois esbater ligeiramente o contorno com o dedo.
Em termos de cores, a palavra-chave é naturalidade. A especialista antecipa tons muito suaves, entre castanhos rosados e nudes quentes, “capazes de favorecer praticamente todos os tons de pele”.