Cheirar a banana é a grande tendência nos perfumes de verão. 6 fragrâncias que têm o fruto como protagonista

As pesquisas relativamente a perfumes de banana dispararam e até já há marcas a lançar fragrâncias em que este fruto não passa despercebido na pirâmide olfativa. Ora veja.

Se há uma coisa que a indústria da beleza adora fazer, é transformar ingredientes improváveis em objetos de desejo absolutos e inconstestáveis. Nos últimos anos vimos isso a acontecer precisamente com a cereja, o pistáchio, a baunilha torrada e até com o chocolate do Dubai, que rapidamente passaram do universo gastronómico para os perfumes, body mists e lip oils. Agora, tudo indica que a próxima fruta a dominar a beleza será a banana. Sim, leu bem.

Há largos anos que o aroma vive associado a fórmulas demasiado artificiais, sendo especialmente atribuído a produtos infantis (como esquecer os míticos glosses em tubo de plástico?). Mas, ao que parece, a narrativa tem vindo a mudar completamente, uma vez que as pesquisas globais por “banana perfume” não têm parado de surgir desde 2025, segundo dados do Google Trends, tendo várias marcas começado a colocar esta fruta no centro das pirâmides olfativas.

A Juliette Has a Gun lançou o Banana Rush, por exemplo, e a Granado fez o mesmo com o Yes, Nós Temos Banana, enquanto a Le Monde Gourmand e a Kayali também se atiraram de cabeça para a tendência com os Banana Délice e Maui In A Bottle Sweet Banana, respetivamente. O Boticário também se tinha aventurado com esta fruta com o lançamento de um perfume da linha Egeo, em 2025, e até a Prada Beauty foi percursora da tendência, no ramo dos cosméticos, com um bálsamo labial.

Espreite as opções

O mais interessante é que esta tendência diz muito mais sobre o estado atual da beleza do que possamos imaginar. Isto porque a indústria está a atravessar uma fase completamente dominada pela chamada foodification of beauty: produtos que usam referências alimentares, além dos óbvios efeitos aromáticos, como linguagem visual, sensorial e emocional. A beleza quer parecer deliciosa, quer dar ao cliente vontade de tocar, provar, cheirar e consumir, e as marcas sabem-no cada vez mais – a Rhode, de Hailey Bieber, é o exemplo perfeito disso.

Aliás, há até especialistas que já confirmam (e antecipavam) o facto de a tendência estar prestes a ser catapultada. “No ano passado, previmos que frutas tropicais mais apetitosas, especialmente a banana, começariam a ganhar força na perfumaria, e isso confirmou-se através de uma série de lançamentos intrigantes”, afirmou Lisa Payne, diretora de beleza da agência de tendências Stylus, à “Cosmetics Business“.

Segundo a especialista, a banana começou também a aparecer em maquilhagem, skincare e haircare, não só pelo aroma, mas pelo universo visual e emocional que transmite. Afinal, ao contrário da cereja ou do morango, que são reflexo de tendências mais femininas e românticas, a banana surge como uma alternativa igualmente doce, mas mais descontraída e, diga-se de passagem, ligeiramente caótica. Sim, porque cheirar a banana é toda uma experiência que vai custar a entranhar.

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Isto liga-se diretamente a outra grande tendência da indústria, que é a dopamine beauty. Segundo a WGSN, os consumidores procuram cada vez mais produtos que provoquem pequenas doses instantâneas de prazer emocional (lá está, aquela dose de dopamina que nos dá um boost de alegria instantâneo). E isto pode acontecer através da cor, do cheiro, da textura ou da nostalgia que estes elementos despertam – e há lá melhor fruto para isso do que a banana?

Este fruto encaixa perfeitamente nesse estado de espírito, sendo que é solar, nostálgico, reconfortante e, digamos, infantil. É que faz lembrar gelados, smoothies, snacks da infância e a lembrança longínqua daqueles três meses de férias que tínhamos depois de um ano letivo atribulado (volta, escola, estás perdoada). Isto faz-nos afirmar com toda a certeza que, depois do advento da beleza minimalista, este setor está a ficar divertido novamente.

O mais curioso é que a banana deixou de aparecer apenas em versões óbvias e artificiais. A perfumaria moderna começou a reinterpretá-la de forma muito mais sofisticada. Hoje, surge misturada com notas lácteas, baunilha, rum, sândalo, almíscar, flores ou até xarope de ácer (esta última está no topo da pirâmide olfativa do Banana Rush, da Juliette Has a Gun), o que origina fragrâncias mais quentes e cremosas, mas que não são, certamente, para todos os gostos. Mas que nos fazem sentir alguma coisa, fazem.

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