Uma experiência de paraquedismo em tandem com a Skydive Portugal que transformou nervosismo em liberdade absoluta. Saiba tudo sobre o momento, que promete deixar qualquer cliente o mais confortável possível.
Há medos que vivem silenciosamente dentro de nós: o medo da altura, da velocidade, da perda de controlo, o medo que sentimos numa montanha-russa prestes a descer ou numa diversão nas feiras onde pensamos “onde é que eu me vim meter?”. E depois, claro, há o salto de paraquedas, que parece reunir todos esses receios num só momento – aliás, durante muito tempo, tenho de admitir que esse também foi um dos meus “e se?”, e um misto de curiosidade e receio estava constantemente a chamar por mim.
Talvez porque, no fundo, sempre houve um motivo maior: o meu pai foi paraquedista militar, e havia em mim uma vontade quase silenciosa de perceber, nem que fosse por instantes, o que ele sentia lá em cima. Há uma forte ligação entre um pai trabalhador e uma filha mais velha, e há algo ainda mais interessante nessa combinação: a vontade de fazer mais, melhor, para todos e sem medos. Por isso, como podem calcular, foi mesmo isso que fiz: sem medos, segui, mesmo que de uma maneira um pouco diferente, os passos do meu pai, e que bem que me soube.
A oportunidade surgiu através de um convite da Skydive Portugal, a maior escola de paraquedismo em Portugal, e aceitei-o exatamente com esse espírito. Mais do que um salto, era quase uma homenagem pessoal, e o hangar do Aeródromo Municipal de Évora recebeu-me da melhor maneira possível. Num dia de calor e com o céu quase descoberto, fui também eu à descoberta de um sentimento adormecido, que acredito que muitos leitores desse lado tenham curiosidade. Afinal, como é que isto funciona?
Ora, basta chegar com dia e hora marcado, que do resto tratam os instrutores. Nervosismo existe sempre, claro, mas não precisa de ter medo – até porque, sejamos sinceros, já lá está em cima, e não há grande coisa que possa fazer para mudar isso. Mas a verdade é que desde o primeiro momento que toda a equipa se mostrou extremamente profissional e próxima, pelo que não precisa de se preocupar: são profissionais no que fazem, e pelo que percebi nas horas em que lá estive, devem fazer, em média, uns 15 saltos por dia.
E não, não houve pressão para decorar procedimentos ou instruções complexas – tudo nos foi sendo explicado naturalmente, passo a passo, à medida que avançávamos, quer fosse no momento ainda no hangar quer fosse já dentro do avião. Aliás, o salto tandem, feito sempre com um instrutor experiente, permite precisamente isso: viver a experiência ao máximo sem necessidade de qualquer formação prévia.
A ansiedade nunca bateu à porta, mas tenho de confessar que o único instante em que o medo realmente se fez sentir foi já no avião, quando me coloquei de joelhos à beira da porta aberta. Ali, por um segundo, tudo ficou real – pensei “ok, vou mesmo cair para o nada, no meio das nuvens e sem qualquer tipo de coisa para me agarrar”. O vento, a altura, o vazio, tudo se tornou um pouco mais palpável, mas antes que houvesse tempo para pensar demasiado, aconteceu: o salto.
No entanto, é difícil colocar em palavras o que se sente a seguir. A queda livre – a cerca de 200 km/h – é uma sensação absolutamente única. Uma mistura de liberdade total e ausência completa de controlo, onde a confiança tem de ser cega no nosso instrutor. Lembrou-me aquela sensação dos sonhos em que estamos a cair e acordamos antes da tragédia, onde existe apenas o vazio, o ar, e nós. Um momento de entrega total, quase como se o mundo deixasse de existir por alguns segundos. E, ao mesmo tempo, uma consciência muito presente: “eu estou mesmo a fazer isto”.
Quando o paraquedas abre, tudo muda. O silêncio substitui o vento, a velocidade transforma-se em leveza. E, de repente, estamos ali, a flutuar sobre a cidade de Évora, com uma vista que parece saída de um postal, mesmo que o dia esteja um pouco nublado. É possível até ouvir os passarinhos, num contraste quase surreal com a intensidade e a adrenalina dos momentos anteriores. Olhar à volta e perceber “eu estou a voar” é algo difícil de igualar, e é algo que, e digo isto do fundo do coração, toda a gente devia experimentar.
Porque mais do que uma experiência radical, este salto foi algo profundamente pessoal. Foi uma forma de me desafiar, de me conhecer melhor e, de certa forma, de me ligar a uma parte da história do meu pai – e talvez seja isso que torna tudo ainda mais especial. Porque no momento em que voltamos a pôr os pés no chão, há um pensamento que surge quase automaticamente: eu quero saltar outra vez. E não é preciso ter uma história, basta apenas perceber que são poucas as diferentes sensações que podemos sentir ao longo da nossa vida, e esta é, sem dúvida, uma delas.
Na Skydive Portugal, pode fazê-lo de diferentes maneiras: pode optar pelo Pack Silver (159€), onde faz 10 minutos de avião, 20 segundos em queda livre e 5 minutos de paraquedas aberto; pelo Pack Gold (199€), onde faz 15 minutos de avião, 50 segundos em queda livre e 5 minutos de paraquedas aberto; ou ainda pelo Pack Premium (249€), onde faz 20 minutos de avião, 65 segundos em queda livre e 5 minutos de paraquedas aberto. Além disso, pode adicionar fotos e vídeos à experiência (entre 75€ e 190€).
