Rede de prostituição desmontada. Mulher foi obrigada a trabalhar 3 semanas seguidas depois de cirurgia ao útero

Cátia Ramos, alegada cabecilha da rede, usaria as contas bancárias da mãe e de dois irmãos para receber o dinheiro da atividade. Apesar dos lucros milionários, declarou ao Estado rendimentos mensais pouco superiores a mil euros.

Três casas de prostituição de luxo em Lisboa, mais de 20 mulheres envolvidas e lucros acima de dois milhões de euros. É este o cenário descrito pelo Ministério Público na acusação contra a alegada cabecilha da rede, Cátia Ramos, que está em prisão preventiva desde fevereiro de 2025, avança o “Correio da Manhã”.

Segundo a acusação, por cada uma das três casas de prostituição, passavam em média 30 homens por noite. As mulheres que cumpriam um rígido horário entre as 18h30 e as 06h30 conseguiam ganhar cerca de 1500 euros por semana. De acordo com o Ministério Público, apesar dos ganhos acima da média, as trabalhadoras estavam sujeitas a regras rígidas que tinham de ser cumpridas sem exceção.

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Cátia Ramos, alegada cabecilha da rede, enviava mensagens em tom de ordem e exigia que todas estivessem sempre bem-apresentadas. “Todas as meninas foram informadas por mim e relembradas várias vezes que têm de estar bem-apresentadas. Cabelo arranjado, maquilhadas e bem vestidas”, escreveu numa das mensagens citadas na acusação. Nenhuma das mulheres que trabalhavam para Cátia Ramos se atrevia a desrespeitar as indicações.

A pressão era tal que, quando uma destas mulheres disse que precisava de realizar uma cirurgia ao útero e consequentemente teria de parar 16 dias, foi avisada que, quando regressasse, teria de trabalhar três semanas seguidas sem folgas.

O Ministério Público afirma ainda que a arguida percebeu que o negócio podia ser ainda mais lucrativo se começasse a fornecer droga aos clientes. Para isso, recorria a um dos cúmplices da rede para ir buscar haxixe e cocaína, nomeadamente ao bairro da Cova da Moura, na Amadora.

A acusação refere também que Cátia Ramos usava, alegadamente, as contas bancárias da mãe e de dois irmãos para receber o dinheiro da atividade. Apesar dos alegados lucros milionários, não tinha qualquer casa em seu nome e declarou ao Estado, entre 2021 e 2024, rendimentos mensais pouco superiores a mil euros.

A investigação a cargo da PSP durou vários meses, com vigilâncias que permitiram às autoridades desmontar a rede de prostituição. Segundo o processo, o esquema rendia quantias elevadas e pode ter atingido os dois milhões de euros.

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