Há provas de que alguns medicamentos para perda de peso podem impactar a saúde mental e reduzir perturbações, como depressão, ansiedade e automutilação. Saiba tudo.
Muitas vezes, os medicamentos usados no tratamento de perturbações mentais estão associados a efeitos secundários, embora isso não aconteça em todos os casos. Um estudo publicado na revista “The Lancet Psychiatry”, citado pela “EuroNews“, sugere que alguns fármacos podem estar associados a efeitos benéficos na saúde mental, incluindo uma redução do risco de agravamento de determinadas perturbações.
Em causa estão medicamentos utilizados no tratamento da diabetes tipo 2 e da obesidade que atuam nos recetores de GLP-1 (agonistas do GLP-1), como a semaglutida, uma substância ativa presente em fármacos para controlo do peso, como o Ozempic. Segundo os resultados, estes medicamentos podem estar associados a uma menor probabilidade de agravamento de condições como depressão, ansiedade, perturbações relacionadas com o consumo de substâncias e comportamentos de automutilação.
De acordo com o estudo, conduzido por investigadores da Universidade da Finlândia Oriental, do Karolinska Institutet, em Estocolmo, e da Universidade Griffith, na Austrália, indivíduos a tomar agonistas do GLP-1 apresentaram, em média, menor risco de agravamento de doenças mentais quando comparados com indivíduos que não utilizavam este tipo de medicação.
No caso da depressão, foi observada uma redução relativa do risco de cerca de 44%, e nas perturbações de ansiedade, de cerca de 38%. Os dados indicam também uma menor probabilidade de necessidade de cuidados hospitalares ou de baixa médica por motivos psiquiátricos entre os utilizadores destes fármacos.
Adicionalmente, a semaglutida foi associada a um menor risco de perturbações relacionadas com o consumo de substâncias. A necessidade de cuidados hospitalares e de baixas médicas por estas causas foi cerca de 47% inferior entre os indivíduos medicados. Foi ainda observada uma associação com menor risco de comportamentos de automutilação.
Ainda assim, os autores sublinham que os dados não permitem estabelecer uma relação causal direta entre a perda de peso e a melhoria da saúde mental. A relação entre estes medicamentos, a redução de peso e os indicadores de saúde mental é considerada complexa e multifatorial, pelo que a utilização destes fármacos deve ser sempre feita sob orientação médica.
