A internet transformou-se no caixote de lixo dos indignados. Garanto-vos: por dia, contam-se pelos dedos de uma mão as vezes em que alguém tem alguma coisa simpática a dizer, ou um mero comentário válido e pertinente que acrescente de facto alguma coisa ao tema. Pelo contrário, multiplicam-se ofensas, acusações, ironias e piadinhas, quase sempre repletas de muitos erros ortográficos e três ou quatro asneiras para mostrar a verdadeira indignação de quem está do outro lado.

O caso de Ângelo Rodrigues não foi diferente. Um ator de 31 anos é hospitalizado porque alegadamente tomou injeções de testosterona nas nádegas e caem bombas atómicas na internet. É óbvio que não tem nada na cabeça, é um vaidoso e um agarrado. Pior! Anda a influenciar os nossos jovens, a incentivá-los a drogarem-se.

Faz sentido. Os bulímicos e anorécticos, por exemplo, também não têm nada na cabeça. Querem tanto aquele ideal de corpo que fazem tudo o que está ao seu alcance para o conseguirem, como acéfalos que são. Eu própria me assumo como uma autêntica asna que, mais de dez anos depois de perder 50 quilos, ainda luto contra os meus demónios e morro de medo de engordar. Devia ter vergonha. Burra.

Era bom que a vida fosse a preto e branco, caríssimos. Era bom que o ser humano não fosse tão complexo como é. No entanto, a realidade é outra. A obsessão pelo corpo existe e, em casos extremos, transforma-se numa doença. Ninguém quer sofrer de um distúrbio alimentar, ninguém quer que a sua mente se revolte e mostre uma imagem que não é real no reflexo do espelho. Ninguém quer passar por isso, e nada tem que ver com ausência de neurónios. Infelizmente, acontece. É uma porcaria, mas acontece.

Estar informado sobre o assunto é essencial. Não resolve todos os problemas, mas ajuda. Não houve nenhuma confirmação oficial de que Ângelo Rodrigues tomou de facto injeções de testosterona, no entanto essa possibilidade fez despertar a atenção para um assunto de que se fala ainda muito pouco — e de que é preciso falar muito mais.

A realidade é esta: há quem injete testosterona, tome suplementação desnecessária e duvidosa, treine com excesso de roupa ou em jejum ou ainda exagere nas cargas sem qualquer técnica. Há um lado negro no universo fit, tal como a jornalista Ana Luísa Bernardino nos mostrou neste artigo. E é de facto assustador.

Tenho um amigo que sofre de diabetes e precisa de tomar injeções de insulina regularmente. No ginásio, já foi abordado no sentido de vender a sua insulina — ao que parece, altos níveis de insulina ajudam a ganhar massa muscular e a queimar gordura na musculação. Mas nem precisamos de ir tão longe: os escândalos sucedem-se no mundo do desporto, assim como no dia a dia dos ginásios. Um estudo realizado em 2011 pela associação europeia Health and Fitness, com o apoio da Comissão Europeia, revelou que 4,2% dos frequentadores de ginásio portugueses que serviram de amostra para a investigação confessaram consumir substâncias dopantes, contra a média europeia de 2,7%.

Disse-vos que ia falar do alegadamente. Faço-o de seguida: em nenhum dos artigos da MAGG assumimos como certa a toma de testosterona porque, mais uma vez, ainda não houve uma confirmação oficial. Mas deparamo-nos com uma sociedade de repente interessada em saber mais sobre o tema. O que são injeções de testosterona? Para que servem? Quais são os riscos? E o que é um choque séptico? O que é que os PT têm a dizer sobre este assunto? Quais os maiores perigos do mundo fit?

Falámos com especialistas e encontrámos as respostas. E, infelizmente, tivemos a confirmação de que vivemos num mundo em que isto é cada vez mais frequente. O nosso trabalho será sempre o de informar, da melhor forma que nos for possível. Com respeito, sem certezas — neste caso, assumindo que não há qualquer confirmação —, mas indo ao encontro das necessidades de um público que (finalmente) quer saber mais sobre os perigos destes produtos.

Tudo o que eu espero é que as pessoas leiam estes artigos e se sintam desmotivadas a optar por estes caminhos. E que procurem ajuda se já estão dentro deste buraco negro. Só não podemos assobiar para o lado e fingir que está tudo bem. Não está. Nunca está quando um jovem de 31 anos corre risco de vida desnecessariamente.

Esta semana, a MAGG explica-lhe o que é a amenorreia, nome dado ao problema que leva algumas mulheres a estarem meses — e às vezes até anos — sem menstruação. Isto é sinal de que algo não está bem e, em alguns casos, a explicação pode estar no excesso de treino, baixa percentagem de massa gorda, falta de descanso e de horas de sono.

Contamos-lhe também o que se está a passar em Lisboa — os moradores queixam-se de pragas de baratas nalgumas zonas da cidade e a Câmara Municipal de Lisboa explica porquê. Conversámos também com Inês Real, deputada do PAN, sobre sustentabilidade, touradas e problemas sociais como a violência doméstica e os sem-abrigo ou o turismo. Vale a pena ler.

E por falar em sustentabilidade, uma nutricionista lembrou-se de lançar um movimento para ajudar a deixar de comer carne (pelo menos durante um mês). Falamos do #SetembroSemCarnePt, que conta com a ajuda de 13 pessoas, maioritariamente vegetarianas ou vegans, para ajudar com receitas.

“Assinar petições é muito importante, mas fazer acontecer alguma coisa e tomar uma atitude é ainda mais importante”, disse-nos Ana Gomes, autora do blogue “A Melhor Amiga da Barbie”.