Uma moradora do Parque das Nações, em Lisboa, lançou o alerta nas redes sociais. No grupo Lisboa — Higiene Urbana, que serve como balcão de reclamações online ou de denúncia de situações ligadas à gestão do lixo na cidade, escreve: “Centenas/milhares de baratas apareceram esta manhã na zona Sul do Parque das Nações. Estão a entrar nas lojas e nos prédios e a subir para as casas”.

A mensagem, divulgada na terça-feira, 29 de agosto, teve até agora 65 comentários, quase todos de outros moradores que aproveitaram para denunciar — com relatos e com fotografias — situações semelhantes a acontecer noutras zonas da cidade.

“Para quando uma desinfestação nos Olivais? Há anos que existem baratas a sair dos coletores de esgoto e ninguém faz nada”, escreve um membro do grupo. Mas há mais: “Nunca tinha visto baratas no prédio onde moro há 54 anos e este ano já apanhámos várias nas escadas”. “Baratas e ratazanas, ontem andavam algumas a passear no Príncipe Real”. “Na Penha de França está igual. Baratas e ratazanas do tamanho de coelhos”.

Podíamos continuar, mas já deu para perceber que o problema não está localizado.

É cada vez mais difícil acabar com as baratas

Ainda na mesma publicação, a Câmara Municipal de Lisboa responde, esclarecendo que “continuam a decorrer em toda a cidade as intervenções de limpeza dos coletores de esgoto na via pública, para desinfestação de baratas na cidade”.

Adiantam ainda que estas intervenções foram já realizadas em Benfica, Olivais, Lumiar, Marvila, Ajuda, Belém, Carnide, Santa Clara.

À MAGG, a autarquia explica que a desbaratização na zona do parque das Nações aconteceu esta semana e que isso justifica o facto de haver mais baratas nas ruas. “Os blatídeos (baratas) saem das caixas de esgoto ou sumidouros, na tentativa de fuga, acabando por morrer pouco tempo depois (horas). Antecipando esta situação, os serviços municipais avisam atempadamente as Juntas de Freguesia, que têm como competência a varredura das ruas abrangidas, de modo a poderem ser limpas as zonas intervencionadas”, acrescenta.

A Câmara explica ainda que os serviços municipais, no controlo de pragas, atuam quer de forma regular e previamente calendarizada, quer em intervenções pontuais. Neste caso, a intervenção foi regular e, por isso, “são efetuadas ações diárias, previamente calendarizadas, de controlo de pragas, quer na rede de esgotos, quer à superfície, bem como o controlo sazonal de pragas e espécies nocivas na via e espaços públicos”. Este tipo de intervenção é feita quando há condições favoráveis para a ocorrência de pragas: os meses do período entre o início da primavera e o final do outono. Já as pontuais “acontecem a pedido dos serviços municipais ou dos munícipes, ou são feitas intervenções em fogos onde se verificam situações de insalubridade, a pedido das autoridades de saúde, Juntas de Freguesia ou outras organizações da comunidade”.

Ainda assim, a autarquia recusa-se a falar em pragas fora da norma para o que acontece habitualmente em Lisboa. “De acordo com os dados que temos disponíveis, relacionados com as reclamações/ocorrências registadas deste tipo, não temos registado um aumento das mesmas face a anos anteriores”, esclarece ainda à MAGG.

Para que o trabalho surta o efeito desejado, a Câmara apela à colaboração dos moradores e dos responsáveis pelos condomínios, dando-lhes tarefas a serem mantidas ao longo do ano. “Os responsáveis pelos condomínios devem proceder a intervenções regulares, pelo menos duas vezes por ano, nas caixas de visita ou nos esgotos dos coletores internos dos prédios. Os moradores deverão sinalizar, pelos meios de contacto disponibilizados pelo município, a existência de pragas, de modo a que possamos intervir atempadamente evitando a sua proliferação”, esclarece.