Podia ter sido uma marca de luxo, mas, ao subir ao palco vestido de Zara, o artista transformou um look aparentemente simples num gesto carregado de significado. Perceba.
Bad Bunny subiu ao palco do intervalo da Super Bowl 2026, no Levi’s Stadium, em Santa Clara, Califórnia, com um visual inesperadamente contido e altamente simbólico. Em vez de uma maison de luxo, o artista porto-riquenho escolheu Zara para vestir num dos momentos mais vistos do planeta, algo que é mais uma forma de estar ligado à língua espanhola.
O músico, que fez história ao tornar-se o primeiro artista a atuar num intervalo da Super Bowl inteiramente em espanhol, abriu o espetáculo com o hit “Tití Me Preguntó”, numa cenário que evocava um campo verde, e seguiu com temas como “NUEVAYoL” e “DeBÍ TiRAR MáS FOToS”. Ao longo do set, juntaram-se-lhe convidados como Ricky Martin e Lady Gaga, além de figuras icónicas da cultura latina, como Toñita, proprietária do Caribbean Social Club, em Nova Iorque.
O look escolhido para a atuação foi desenhado pela Zara e emparelhado pelos stylists Storm Pablo e Marvin Douglas Linares. Bad Bunny apresentou-se num conjunto em tons de creme, composto por uma camisa com colarinho e gravata, uma camisola de inspiração desportiva com o apelido Ocasio e o número 64, calças chino e ténis. O número não passou despercebido aos fãs, que associam 1964 ao ano de nascimento da mãe do artista, Lysaurie Ocasio.
A meio da noite, o artista trocou-se para um segundo visual, também da marca espanhola, ao qual juntou um blazer cruzado no mesmo tom creme. Nos acessórios, manteve a coerência cromática com luvas a condizer e um Royal Oak da Audemars Piguet, de 37 milímetros, em ouro amarelo de 18 quilates, com mostrador em malaquite. Nos pés, usou os BadBo 1.0, ténis da sua colaboração com a Adidas.
O contexto político e cultural da atuação ajuda a perceber porque é que o look foi tudo menos inocente. Uma semana antes, Bad Bunny tinha usado o discurso de agradecimento nos Grammys para criticar abertamente o ICE, cada vez a impor com mais violência o aperto das políticas migratórias nos Estados Unidos, tendo aproveitado para defender a comunidade latina e imigrante.
Na Super Bowl, sendo um palco em que a mensagem política explícita é raríssima (e, por vezes, desencorajada), ter optado por cantar integralmente em espanhol, celebrar referências culturais latinas e afirmar presença através da normalização, foi intencional. Fez com que a atuação fosse uma arma política, mas pacífica, diga-se. Tanto assim foi que não passou despercebido e até Donald Trump já veio dar o seu parecer.





















