Marta Santos, criadora de conteúdos portuguesa, fez um rebranding ao seu clube antigo e lançou o Julgo Pela Capa, uma comunidade sem regras onde o objetivo é sentir que pertence a algo. Saiba tudo.

Há muitos clubes de leitura por aí – mas nenhum como o Julgo Pela Capa. Quem o garante é Marta Santos, criadora de conteúdos, devoradora ativa de livros e fundadora deste projeto que promete ser diferente de todos os outros. Com o objetivo de fazer com que todos se sintam incluídos, este é um clube que vai mesmo tirar toda a ansiedade que é, para alguns, estar em comunidade e falar em público, sendo que a liberdade de escolha é o tema central.
E dizemos isto mesmo de verdade: há liberdade de horário, de livro, de plataforma. Mas quem melhor para lhe explicar o que é o Julgo Pela Capa do que a própria Marta? “Antes, este era um projeto partilhado com uma amiga, mas agora é 100% meu. Fiquei com toda a responsabilidade do clube, a comunidade incluída, e decidi dar-lhe um novo nome e uma nova identidade, para lhe dar também uma nova vida”, disse Marta Santos à MAGG.
De momento, são mais de 2600 leitores que se juntam à criadora de conteúdos para fazer acontecer o Julgo Pela Capa, e todos com gostos muito diferentes. “Mostramos que não existe apenas e só um tipo de leitor em Portugal, há cada vez mais diversidade e isso é muito positivo, as pessoas estão aqui e sentem que pertencem a algum lado”, explicou, admitindo que a própria é uma leitora com gostos ecléticos e que gosta de ter essa diversidade disponível.
“Além disso, não nos focamos apenas em novidades, também lemos livros menos falados. Podemos ter, no mesmo mês, fantasia e José Saramago. E também não há leituras obrigatórias nem prazos. Essa liberdade faz com que as pessoas participem de forma mais natural”, disse Marta Santos. Na verdade, esse foi um sentimento que a criadora de conteúdos sentiu que faltava, e foi precisamente por isso que decidiu criar este clube de leitura.
Ou seja, enquanto muitos funcionam com prazos, livros estipulados e leituras por capítulo, Marta Santos não se foca em nada disso. “Sei que cada pessoa tem o seu ritmo, por isso quis criar um espaço seguro, sem regras rígidas sobre o que ler ou como ler. Um leitor é leitor mesmo que leia pouco, e tirar essa pressão faz com que haja menos receio”, contou. Posto isto, Julgo Pela Capa conta assim com várias liberdades, e Marta Santos explica tudo.
“Funcionamos no WhatsApp e no Discord. Há um grupo de conversa livre, onde se fala sobre livros, desde sugestões a opiniões, e depois grupos para as leituras do mês. As pessoas entram quando querem e participam como preferirem”. Desta forma, neste último grupo, apesar de ser sobre o livro do mês (existindo vários grupos destes, uma vez que existem vários livros em cada mês), não há uma reunião específica onde se pode debater.
Mas pondo isto em prática: imaginando que neste mês de abril foram escolhidos dois livros do mês, então existem três grupos – o geral e um para cada livro. Na conversa geral, como explicou Marta Santos, pode falar sobre tudo, e nos mais específicos pode fazer as perguntas que quiser e quando quiser sobre o livro daquele grupo. Se não quiser ler nenhum dos livros do mês nem de estar em nenhum destes grupos específicos pode, claro, não entrar.
É precisamente disto que se fala quando falamos de liberdade. “Eu posso entrar naquele grupo este mês e falar quando eu estiver a ler. Posso só falar quando terminar o livro, posso ter lido há um ano, mas entrar no grupo para ver as opiniões, ou posso nem sequer entrar e não ler este mês”, explicou a fundadora. E sim – também existem encontros presenciais, que Marta Santos tem tentado fazer com mais frequência (e sempre sem spoilers).
“Eu sempre gostei de ler, mas nunca tive muitas pessoas à minha volta com esse hábito. Aqui, as pessoas encontram um espaço seguro onde podem partilhar e sentir-se compreendidas. Não é só sobre livros, é sobre ligação entre pessoas, e o clube torna um hábito solitário em algo coletivo, sem perder a essência da leitura”, rematou a criadora de conteúdos. Posto isto, está à espera do quê para fazer parte da comunidade?
Para isso, basta ir às redes sociais de Marta Santos e aderir ao Julgo Pela Capa, e começar então nesta viagem onde os livros são mesmo um escape para a realidade – quer seja para quem já goste de ler quer seja para quem está a querer começar a criar esse hábito. E não, o nome do clube de leitura não é por acaso. “É muito honesto, eu julgo mesmo pela capa”.
