Os restaurantes Villa Joya, em Albufeira, e o Vista, em Portimão, receberam os 3 Sóis Guia Repsol, a distinção máxima. Falámos com os dois chefs e contamos-lhe tudo.

Tanto o Villa Joya, em Albufeira, do chef Dieter Koschina, como o Vista, em Portimão, do chef João Oliveira, já eram referências gastronómicas incontornáveis no sul do País — e a partir deste momento, tem mais um motivo para os visitar e lambuzar-se com as suas iguarias.
Os dois restaurantes no Algarve receberam os 3 Sóis Guia Repsol, na gala deste ano do Guia Repsol, que aconteceu a partir de Évora esta segunda-feira, 13 de abril. Assim, com a distinção máxima do Guia, juntam-se a uma lista que conta agora com seis nomes, sendo eles o Belcanto, em Lisboa, Ocean, em Porches, Il Gallo D’Oro, no Funchal e o The Yeatman, em Vila Nova de Gaia.
Mas, afinal, o que significa ao certo a distinção dos 3 Sóis Guia Repsol? Um restaurante com 3 Sóis é “o motivo e o destino final de uma viagem. Aquele onde, mal se entra, se percebe que a experiência será única. Uma cozinha que aprofunda o conhecimento e nunca perde o ímpeto de se superar a cada serviço, oferecendo sempre a sua melhor versão”, conforme se lê no site.
Para o chef Dieter Koschina, do Vila Joya que conta com duas estrelas Michelin desde 1999, este é de um marco que vai além de uma conquista pessoal e que é “muito mais importante para toda a equipa” que o acompanha. “No ano passado foram 2 Sóis, agora 3 Sóis. É sempre bom e quantos mais prémios, mais contente eu fico. Seja Michelin ou 3 Sóis, quando se ganha algo é uma ajuda muito grande para o restaurante e para toda a equipa”, disse em entrevista à MAGG.
Ainda assim, depois de trabalhar 45 anos na cozinha e há 28 em Portugal, o chef austríaco considera que o prémio mais importante é aquele que se vê no dia a dia. “O primeiro e o melhor prémio é quando o cliente entra, sai e diz ‘muito obrigada’. Isso é para mim a melhor parte.”
Já o chef João Oliveira, do Vista, recebe a subida de categoria do restaurante com orgulho e como uma “grande ajuda para o negócio e para a estabilidade da equipa”. “Não estamos nos grandes centros, como Lisboa ou Porto, temos o nosso próprio cantinho em Portimão, numa cidade super calma à beira-mar. Estamos orgulhosos porque é um reconhecimento muito bom pelo longo trabalho que temos vindo a fazer”, admite em entrevista à MAGG.
O Vista conta com um portfólio de distinções vasto. Não só é distinguido com 1 Estrela Michelin desde 2017, como recebeu o reconhecimento do Garfo de Platina no Guia Boa Cama Boa Mesa 2025, entre outros. Apesar de todas as distinções, o chef João Oliveira diz que este é só o começo de um longo percurso.
“Os reconhecimentos vão e vêm e dão-nos ainda mais vontade de continuar e acreditar naquilo que se está a fazer. Chegar a este patamar não quer dizer que parámos, esse é o pior erro que se pode fazer. Temos acreditado no nosso potencial, caso contrário não estava há 11 anos no mesmo projeto”, admitiu.
Assim, o chef promete continuar a evoluir não para chegar à perfeição, mas sim para ser cada vez melhor. “Coisas perfeitas não existem, portanto, temos de tentar tornar as coisas cada vez melhores, como ter mais consistência, mais vontade de evoluir, procurar produtores e técnicos novos”, finalizou.
A segunda edição dos Sóis Guia Repsol Portugal decorreu esta segunda-feira, 13 de abril, no Teatro Garcia de Resende, em Évora, e distinguiu 120 restaurantes, dando Sóis a 41 estabelecimentos.
“Não somos Michelin”. Diretora do Guia Repsol nega comparações
Maria Rítter, diretora do Guia Repsol, fala de uma nova era para os Sóis Guia Repsol Portugal com um conceito inovador. “No ano passado mostramos o que havia em Portugal, este ano apresentamos uma lista filosófica, porque tanto se pode encontrar cozinha tradicional, como sofisticada, grandes chefs consolidados, mas também emergentes, mulheres e jovens, restaurantes na cidade ou no interior e ilhas. Percorremos Portugal para procurar talento e mostrar o que há aqui”, explica em declarações à MAGG.
Maria Rítter fez ainda questão de explicar que o Guia Repsol distingue-se das estrelas Michelin, isto porque traz um conceito diferente sem competição e mais união. “Não somos Michelin, não tem nada que ver. Temos o mesmo negócio, mas se vamos estar aqui a premiar apenas um tipo de cozinha que se tem de fazer de tal maneira, não há nada novo, estou a procurar o mesmo de sempre e não queremos isso.”
Assim, a responsável realça que, na realidade, o guia “serve para mostrar ao público o restaurante” e não vice-versa. “Para mim, o importante não está no chef, ou no que eu penso, mas sim nas opções que damos.”
