Conseguir a base perfeita não depende só do produto escolhido. À MAGG, Erick Teran, National Face Designer Armani Beauty Iberia, explica os erros mais comuns e os truques que fazem a diferença no resultado final.
A procura pela base perfeita é quase tão antiga quanto a própria maquilhagem. Queremos cobertura sem ser demasiado, luminosidade sem a sensação de oleosidade e duração sem que fique tudo desintegrado ao longo dia. Parece uma equação impossível, mas a verdade é que, quando a fórmula certa se junta à técnica adequada, o resultado aproxima-se bastante daquela pele luminosa, uniforme e naturalmente bonita que se vê nas passadeiras vermelhas.
A Luminous Silk Foundation, da Armani Beauty, promete inserir-se precisamente nesse território (especialmente a nova). Afinal, 25 anos depois do lançamento original, a marca decidiu reformular uma das suas bases mais icónicas, mantendo o acabamento leve e radiante que a tornou um fenómeno global, mas acrescentando-lhe uma vertente mais próxima dos cuidados de pele – aquela lógica de produtos híbridos que está cada vez mais presente no mundo da beleza.
O que é que muda? Então, a nova fórmula passa a incluir ingredientes como glicerina, niacinamida e extratos florais mediterrânicos, pensados para reforçar a hidratação, melhorar a textura da pele e potenciar a luminosidade natural, promete a etiqueta italiana. Tudo isto sem comprometer o acabamento sedoso e a cobertura modulável que fizeram da Luminous Silk uma referência entre maquilhadores profissionais.
A reformulação, que tivemos oportunidade de acompanhar de perto num evento da marca em Madrid, despertou-nos a curiosidade. Afinal, se uma boa base pode fazer muito pela pele, o que distingue uma aplicação verdadeiramente impecável de uma apenas aceitável? Para percebermos como tirar o máximo partido desta novidade – ou de qualquer outra base – falámos com Erick Teran, National Face Designer Armani Beauty Iberia, que partilhou os truques de que se mune diariamente. Não fosse ele responsável por maquilhar personalidades como Magui Corceiro, Catarina Maia, Juan Perales, Clara Galle e a lista continua.
A pele perfeita não é uma pele sem textura
Já lá vai o tempo em que a indústria da beleza nos enganava com a ideia de que uma pele perfeita era completamente uniforme, sem poros visíveis, sem brilho e praticamente sem relevo. As redes sociais e os filtros digitais vieram alimentar ainda mais esse ideal difícil de alcançar, claro, mas estamos a caminhar numa direção diferente. Em vez de esconder a pele, procura-se valorizá-la, preservando a sua naturalidade e características próprias.
Erick Teran acredita que o segredo está precisamente no equilíbrio. A pele não deve parecer excessivamente maquilhada, mas também não precisa de abdicar totalmente da correção e uniformização. “Gosto de uma perfeição mais controlada, que melhore verdadeiramente o aspeto da pele sem a cobrir completamente”, explica. Na prática, isto significa utilizar “produtos que aperfeiçoem o tom e a luminosidade” sem apagar aquilo que torna cada rosto único.
O especialista defende ainda que uma pele bonita é, acima de tudo, “uma pele com vida”. A luminosidade continua a ser um dos elementos mais desejados, mas deve surgir de forma equilibrada e não traduzir-se num excesso de brilho – especialmente para quem tem pele oleosa. É essa dimensão que ajuda a criar um aspeto mais fresco, descansado, saudável e, sobretudo, profissional.
Escolher o tom errado continua a ser o erro mais frequente
Entre todas as decisões que envolvem a escolha de uma base, nenhuma tem tanto impacto no resultado final como a tonalidade. É um passo que muitas pessoas tendem a desvalorizar, seja por comprarem sempre o mesmo tom sem o testar, seja por escolherem uma cor tendo como referência única e exclusivamente a embalagem ou as fotografias disponíveis online. O problema é que um tom inadequado é imediatamente percetível.
Para Erick Teran, este continua a ser o erro mais comum e também aquele que mais compromete o resultado da maquilhagem. “Se não escolher o tom correto, a maquilhagem nunca vai ficar bem“, afirma. Uma “base demasiado escura cria um contraste artificial com o pescoço e o colo”, ao passo que uma demasiado clara tende “a retirar dimensão ao rosto” e a produzir um acabamento pouco natural.
Antes de experimentar qualquer tonalidade, o maquilhador recomenda “identificar o subtom da pele”. Trata-se de uma característica que permanece relativamente constante ao longo do ano e que influencia diretamente a forma como determinada cor se funde (ou não) com a tez. Regra geral, veias azuladas sugerem subtons frios, veias esverdeadas indicam subtons quentes e uma combinação das duas aponta para um subtom mais neutro.
Depois dessa identificação, chega o momento do teste propriamente dito. Em vez de experimentar a base na mão, uma prática muito comum mas pouco fiável, Erick Teran aconselha a aplicar três tonalidades semelhantes na zona entre o maxilar e o colo. “O tom que melhor se fundir com a pele será o mais adequado”, explica. É uma técnica simples, mas continua a ser uma das mais eficazes para garantir uma transição impercetível entre o rosto e o pescoço.
Nem todas as bases servem para todos os tipos de pele
Encontrar a tonalidade certa é essencial, mas calma, porque não resolve tudo. Segundo o maquilhador, “escolher uma base que não seja adequada ao tipo de pele também é um erro muito comum”. Afinal, uma fórmula concebida para controlar a oleosidade dificilmente proporcionará conforto a uma pele seca, tal como uma base excessivamente nutritiva poderá não ser benéfica numa pele que tende a produzir mais sebo ao longo do dia.
“As consequências acabam por ser visíveis poucas horas depois da aplicação”, refere o especialista. Nas peles secas, podem surgir zonas de repuxamento, descamação ou um acabamento baço que retira frescura ao rosto. Já nas peles oleosas, a maquilhagem tende a perder estabilidade mais rapidamente, acumulando-se em determinadas áreas ou produzindo um brilho excessivo (que nada deve ser confundido com a luminosidade saudável que tantas pessoas procuram, atenção).
É precisamente por isso que conhecer a própria pele é tão importante quanto dominar técnicas de maquilhagem. Antes de investir numa base viral ou altamente recomendada nas redes sociais, vale a pena perceber quais são as necessidades específicas da tez. Uma fórmula adequada consegue não só melhorar o resultado imediato, como também garantir maior conforto e durabilidade ao longo do dia.
A ferramenta de aplicação muda completamente o resultado final
Existe uma tendência para procurar a ferramenta perfeita, como se houvesse um único método capaz de funcionar para toda a gente. No entanto, a realidade é bastante mais simples (ou mais complicada, dependendo da perspetiva): a melhor forma de aplicar uma base depende sempre do acabamento que se pretende alcançar. É que a mesma fórmula pode parecer completamente diferente consoante o que usar para a manusear.
Erick Teran defende que a escolha da ferramenta deve começar precisamente por essa questão. “Tudo depende do acabamento que se pretende”, afirma. Quem procura um resultado mais leve e natural deverá privilegiar pincéis menos densos e com fibras mais flexíveis, sendo que permitem espalhar o produto de forma uniforme sem acumular excesso de cobertura.
Este tipo de aplicação ajuda a preservar a textura natural da pele e a criar aquele efeito de “segunda pele” que continua a dominar as tendências de beleza. O produto funde-se mais facilmente com a tez, mantendo transparência suficiente para deixar transparecer sardas, sinais ou pequenas características que tornam o rosto mais autêntico.
Por outro lado, quando o objetivo passa por uma cobertura mais elevada ou por um acabamento particularmente polido, a esponja continua a ser uma das opções preferidas dos profissionais. A pressão exercida durante a aplicação ajuda a depositar mais produto na pele e a construir cobertura de forma gradual, criando um resultado mais uniforme e sofisticado.
A par disso, embora seja fácil esquecer, as mãos continuam a ser uma excelente ferramenta de aplicação. Certo é que há quem associe esta técnica a um resultado menos profissional, mas a verdade é que continua a ser amplamente utilizada por maquilhadores experientes, sobretudo quando procuram um acabamento mais natural.
Para Erick Teran, uma das grandes vantagens desta abordagem está no controlo. “Quando aplicamos a base com os dedos conseguimos controlar melhor a cobertura“, explica. A temperatura das mãos ajuda o produto a fundir-se mais facilmente com a pele, permitindo trabalhar pequenas quantidades de forma precisa e intuitiva.
Além disso, a aplicação torna-se muito mais personalizada. Em vez de distribuir a mesma quantidade de produto por todo o rosto, é possível concentrar cobertura apenas onde ela é realmente necessária, como nas zonas com vermelhidão, manchas ou marcas de fadiga. O resultado tende a parecer mais leve e menos artificial.
A verdadeira prova de uma boa base acontece horas depois
É fácil avaliar uma base nos primeiros minutos após a aplicação? Claro. Afinal, a cobertura está intacta, a luminosidade parece perfeita e tudo funciona, aparentemente, como prometido. A verdadeira prova dos nove surge, porém, ao longo do dia, quando a pele começa a produzir oleosidade, a perder hidratação ou a ser exposta ao calor, à humidade e a todas as condições que testam a resistência da fórmula.
Para Erick Teran, a durabilidade continua a ser um dos critérios mais importantes quando se fala em pele perfeita. Não basta que o resultado seja bonito ao espelho no momento da aplicação, porque é necessário que mantenha as suas características durante várias horas sem exigir correções constantes.
Essa preocupação está, aliás, no centro da sua definição de uma tez impecável. O especialista procura “uma pele luminosa, sem imperfeições visíveis, mas sobretudo uma pele em que esse efeito se mantenha ao longo do tempo”. A duração é aquilo que transforma uma maquilhagem bonita numa maquilhagem verdadeiramente eficaz.
É precisamente por isso que a preparação da pele, a escolha da fórmula adequada e a técnica de aplicação são tão importantes. Nenhum destes elementos funciona isoladamente. Quando todos trabalham em conjunto, o resultado não é apenas uma pele bonita durante alguns minutos, mas uma maquilhagem capaz de acompanhar o ritmo de um dia inteiro sem perder frescura, conforto ou luminosidade.


