A ação administrativa é exigida à Carris e à empresa de manutenção. A Carris garante que ainda não foi notificada. Saiba tudo.
Há exatamente 9 meses, a 3 de setembro, Portugal e o mundo ficaram chocados com o acidente do Elevador da Glória, em Lisboa, que provocou 16 mortos e 22 feridos. Desde então, a tragédia está longe de ser esquecida por quem perdeu familiares ou amigos. É o caso da família de uma das vítimas mortais, que agora exige uma indemnização.
O marido e a filha de Ana Paula Lopes, uma das 16 vítimas mortais do acidente do Elevador da Glória que faria esta semana 50 anos e era funcionária da Santa Casa da Misericórdia, exigiram um milhão de euros à Carris e à empresa de manutenção. A ação administrativa deu entrada esta segunda-feira, 1 de junho, no Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa.
A informação foi avançada pelo “Público”, esta quarta-feira, 3 de junho. Ana Paula Lopes teria sido uma das últimas pessoas a entrar na carruagem e fazia aquele percurso várias vezes para ir ter com uma amiga ao ginásio. Foi essa amiga que notou a sua ausência e, face às tentativas de contacto falhadas, ligou ao marido da vítima, Isaque Adam, que estava numa reunião e que só mais tarde percebeu o que realmente tinha acontecido.
Agora, passados 9 meses da tragédia, o marido e a filha de Ana Paula Lopes exigem mais de um milhão de euros por danos patrimoniais e danos não patrimoniais à Carris, à seguradora Fidelidade e à empresa Mntc – Serviços Técnicos de Engenharia, responsável pela manutenção do ascensor. A ação culpa ainda o Estado por manter a operação do meio “sem supervisão e controlo externo e independente”, além de denunciar falhas suportadas no relatório do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e Acidentes Ferroviários (GPIAAF).
“A sucessão de falhas verificadas na aquisição, receção, aceitação e validação técnica do cabo, na montagem, manutenção e controlo da pinha (peça que prende as extremidades do cabo de aço que liga das duas cabinas), na manutenção do ascensor, na fiscalização e registo das intervenções, na formação técnica dos trabalhadores, no controlo da qualidade dos trabalhos realizados e na reavaliação do sistema de freio revela uma deficiência objetiva na organização, funcionamento, coordenação, fiscalização, controlo técnico e gestão de risco do serviço público de transporte de passageiros em causa”, lê-se na ação.
A Carris confirma que ainda não foi notificada da ação administrativa, no entanto, garante que entrou em contacto com as famílias das vítimas e que os processos de indemnização estão a ser tratados pela seguradora.
