Caso Mónica Silva. Pai de Fernando Valente desligou o telemóvel na mesma altura que o filho

Ambos os homens desligaram os telemóveis ao fim do dia 3 de outubro – e só os ligaram na manhã seguinte. Autoridades investigam o envolvimento de Manuel Valente, que até acusou a tia de Mónica Silva de o ter ameaçado de morte.

Manuel Valente, pai do principal suspeito pelo desaparecimento de Mónica Silva, Fernando Valente, teve o telemóvel desligado durante a noite em que a grávida da Murtosa nunca mais foi vista. Agora, as autoridades estão a tentar perceber se o progenitor do suspeito teve alguma coisa que ver com o caso.

O homem teve o telemóvel desligado desde o fim do dia 3 de outubro até à manhã seguinte, segundo o “Correio da Manhã“. Trata-se do mesmo período temporal do filho, que desligou o seu dispositivo precisamente na noite desse mesmo dia, também por volta das 20 horas, tendo voltado a ligá-lo no dia seguinte.

Fernando Valente é suspeito de ter matado Mónica Silva, de 33 anos, bem como de ter plantado provas para baralhar as autoridades, que agora estão a tentar perceber se o pai ajudou o filho a cometer o crime. Para já, o único arguido do caso é o ex-companheiro da grávida, que responde por homicídio qualificado, profanação e ocultação de cadáver e aborto agravado.

E foi precisamente o pai do arguido que fez com que Maria Filomena Silva, tia da desaparecida, fosse chamada ao Posto da GNR da Murtosa, esta quinta-feira, 28 de dezembro. Isto porque Manuel Valente apresentou queixa da mesma, alegando que a mulher o teria ameaçado de morte numa marcha pelo aparecimento do corpo da vítima, que aconteceu na quinta-feira, 21 de dezembro.

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A tia de Mónica Silva optou por não prestar declarações, com base no direito ao silêncio, consagrado a qualquer arguido, segundo o “Jornal de Notícias“. Ainda assim, de acordo com a mesma publicação, fontes próximas de Maria Filomena Silva negam as acusações que lhe foram imputadas – é que, embora a marcha tenha parado à porta da florista de Manuel Valente, dizem que o homem não estava lá, pelo que seria impossível ameaçá-lo.

Entretanto, já se passaram quase três meses desde o desaparecimento de Mónica Silva. As autoridades procuraram pela mulher na ria de Aveiro, nas propriedades e no automóvel do suspeito, bem como num supermercado em construção. Na casa de Fernando Valente foram encontrados vestígios de sangue humano, cuja identidade está ainda por revelar, de acordo com o “Correio da Manhã”.

Agora, as buscas continuam e há mais duas pistas: uma antiga fábrica de cal, localizada no concelho de Ovar, onde familiares de Mónica Silva suspeitam que o corpo possa ter sido incinerado, e um terreno agrícola onde se costuma cultivar o milho, em parte alagado, na localidade de Murado Frade, em Bestida, onde uma máquina grande e uma carrinha foram vistas a laborar na madrugada de 7 para 8 de outubro.

A grávida desapareceu a 3 de outubro, na Murtosa, em Aveiro. Terá saído de casa na noite desse mesmo dia, alegando ir ao café e, no regresso, ligou aos filhos (de 11 e 14 anos) a dizer que estava a voltar para casa, o que nunca chegou a acontecer. O seu telemóvel foi desligado no próprio dia, tendo dado sinal 24 horas depois no Alentejo, no concelho de Cuba, onde Fernando Valente tem uma propriedade.

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