Stefano Gabbana renunciou aos cargos de gestão que ocupava no grupo. A marca garante que o designer continua totalmente envolvido na direção criativa.
Stefano Gabbana renunciou ao cargo de presidente da Dolce & Gabbana, numa decisão tomada em dezembro e tornada pública esta quinta-feira, 9 de abril. O designer de 63 anos estará agora a avaliar opções para a participação de 40% que detém na empresa que fundou em 1985 com Domenico Dolce.
A saída surge num momento delicado para a casa italiana. Desde janeiro, a presidência passou de forma interina para Alfonso Dolce, irmão de Domenico e atual CEO. Entre os nomes apontados para assumir o cargo está Stefano Cantino, antigo CEO da Gucci.
A Dolce & Gabbana veio entretanto esclarecer, segundo a “Vogue“, que a saída de Stefano Gabbana se limita às funções de gestão e não afeta o seu papel criativo dentro da marca. Em comunicado, o grupo sublinha que a decisão faz parte de “uma evolução natural” da estrutura e garante que o designer continuará a desenvolver as coleções, afastando assim a ideia de um corte com a identidade estética da casa.
Isto acontece numa altura em que o abrandamento do mercado do luxo, agravado pela instabilidade associada à guerra no Médio Oriente, levou a marca a rever planos de expansão anunciados no final de 2024, incluindo um projeto na Arábia Saudita. Em março, surgiram notícias de negociações com bancos para refinanciar uma dívida na ordem dos 450 milhões de euros.
Nos últimos meses, a empresa terá recorrido a uma injeção de até 150 milhões de euros, segundo a “Reuters“, à venda de ativos imobiliários e à renovação de licenças para reforçar liquidez. O processo de reestruturação está a ser conduzido pela Rothschild & Co e encontra-se ainda numa fase inicial.
Fundada em Legnano, a Dolce & Gabbana construiu um império que atravessa o pronto a vestir, acessórios, cosmética e fragrâncias, além de licenciar a marca para áreas como a ótica. Ao longo das décadas, a etiqueta destacou-se por uma estratégia pouco convencional dentro da indústria.
Em 2019, os fundadores já tinham revisto os planos para o futuro da empresa. Depois de anos a defenderem o encerramento da marca com a sua retirada, admitiram a possibilidade de esta permanecer nas mãos das gerações atuais e futuras da família Dolce.