Quem é que vive sem aplicações? O Whatsapp para as conversas de família, o Instagram para as fotografias das férias, o Google para tirar todas as dúvidas, ou até a meteorologia para saber se vale a pena ir até à praia amanhã. Mas já pensou como é que estas empresas, que aparentemente lhe oferecem conteúdo, sobrevivem?

Não fique assustado, não lhe andam a entrar em contas bancárias clandestinamente, mas há outras formas de fazer dinheiro. De acordo com Borja Adsuara, professor e advogado especialista em direito digital, ” as aplicações gratuitas, redes sociais ou emails, são financiados graças aos dados pessoais” que fornecemos, escreve a revista “Vogue”.

Por exemplo, uma pesquisa feita pelo jornal “The New York Times” demonstra que as empresas que recolhem dados de localização “pagam aos criadores das aplicações meio cêntimo e dois cêntimos de dólar ao mês, por utilizador”.

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E isso não tem que ser negativo para o utilizador. Com certeza já lhe agradou encontrar publicidade a um item que estava exatamente à procura, e isso chama-se publicidade segmentada — foca-se naquilo que são os interesses pessoais dos utilizadores.

Os problemas chegam quando não se informa o utilizador da comercialização de dados ou se tenta tornar esta informação subentendida. “Os termos e condições de uso são muito ambíguos”, diz Borja Adsuara, que refere o exemplo do Twitter, que apresenta 18 páginas escritas em “linguagem técnica e ambígua”.

Para o especialista, a solução estaria numa autoridade para “avaliar se alguma das cláusulas que a empresa impõe é abusiva”, uma vez que muitas vezes a troca entre o que o utilizador oferece e o que a empresa lhe dá não é justa.

FaceApp. “As pessoas não se preocupam com a informação que estão a dar de mão beijada”

Mas para que possa continuar a instalar aplicações sem ficar a perder, Borja Adsuara partilhou com a publicação norte-americana algumas dicas preciosas:

1. Se não usa, desinstale

Se tem aplicações que nunca mais usou, desinstale. Para além de lhe tirarem memória do telemóvel, estão a lucrar com a sua informação pessoal, sem que ganhe nada em troca.

2. Se não tem tempo para ler agora, instale mais logo

É importante ler atentamente os termos e condições da aplicação antes de a instalar, para que perceba qual será o fim dos dados que indica — e se quer que tal aconteça.

3. Seja coerente

Ativar o serviço de localização ou a ligação direta à câmara só faz sentido se a app que instala assim o exigir. Obviamente que o Google Maps precisa desta função, mas que sentido faz ativá-la na lanterna? Seja coerente naquilo que aceita.

4. Se for de origem europeia, melhor

O especialista em direito digital aconselha a que, caso seja possível, dê preferência a aplicações oriundas da União Europeia, uma vez que “as regulamentações europeias são atualmente as mais seguras em relação ao processamento de dados.” A app FaceApp (que através da câmara fotográfica torna os rostos envelhecidos), por exemplo, viola vários pontos do regulamento em questão. No entanto, como é de origem russa, não pode ser sancionada.