Teve uma otite o verão passado? É provável que o cenário se repita este ano

São muito ligadas às crianças, mas até são os adultos os que mais sofrem com as otites externas. Águas quentes e mergulhos não ajudam.

Nadar em águas mais quentes pode ajudar à formação de otites externas

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Quem tem filhos sabe que as férias de verão, com muita praia e piscina à mistura, são, muitas vezes, sinónimo de otites externas. Esta doença causa dores nos mais pequenos, e também os impossibilita de mergulhar e apanhar muito sol nos dias a seguir ao diagnóstico, o que se traduz em birras e descontentamento, e muito pouco descanso para os adultos.

No entanto, e apesar desta ligação das otites externas às crianças, a verdade é que esta é uma patologia que não escolhe idades. “As otites externas, conhecidas como otites de verão, são até mais frequentes nos adultos do que nas crianças”, garante Luísa Monteiro, otorrinolaringologista e coordenadora da unidade desta especialidade no Hospital Lusíadas Lisboa, à MAGG.

De acordo com a especialista, esta doença afeta quem “se banha em águas quentes”, nomeadamente em piscinas ou em praias com a água a uma temperatura mais elevada. “Formam-se com muita facilidade em quem passa férias e faz praia no México e em Marrocos, por exemplo”.

Para além da água quente, a médica explica que pode existir uma “predisposição para as otites nas pessoas com eczemas na pele do canal auditivo ou com pele seca na mesma zona”.

Os mergulhos são mais um inimigo, dado que quem tem por hábito mergulhar muito, durante vários dias seguidos — o que é normal em períodos de férias— cria “microtraumatismos na pele do canal auditivo, que resultam nas otites externas”.

Mas também há mitos no que diz respeito ao tema: se sempre pensou que a areia que entra nos ouvidos aquando dos banhos de mar pode ser um fator desencadeador da doença, está enganado. “A areia não tem nada a ver com as otites externas”, garante Luísa Monteiro.

Os tampões são boas alternativas, principalmente para quem sofre com otites todos os verões

Apesar de não existir uma razão médica identificada para tal, a otorrinolaringologista Luísa Monteiro explica que as otites externas podem ser recorrentes de ano para ano, tanto em crianças como em adultos.

“Mesmo sem existir um fator que nos alerte para a predisposição da patologia, aviso sempre os meus pacientes que, se tiveram uma otite no verão passado, pode suceder novamente. Não sabemos bem porquê, mas acontece”, alerta a médica especialista.

Luísa Monteiro é médica e coordenadora da unidade de otorrinolaringologia do Hospital Lusíadas Lisboa

E para desfazer mais um mito associado à doença, saiba que as otites externas nem sempre causam febre. Luísa Monteiro descreve que a patologia começa por dar “comichão e dor, principalmente ao toque, quando a t-shirt passa nas orelhas, por exemplo” e a dor vai-se intensificando, “existindo uma sensação de ouvido cheio e é possível que comece a escorrer um líquido amarelado do ouvido”.

Quanto a soluções, e embora deve sempre consultar um médico da especialidade numa fase mais avançada da doença, Luísa Monteiro elege as gotas auriculares com antibiótico como o melhor tratamento, dado que o antibiótico oral não é a melhor alternativa para esta patologia.

“Os antibióticos orais não são eficazes contra as bactérias que causam as otites externas”, afirma a especialista, que realça que, por vezes, “num estado mais avançado da patologia, pode ser necessário proceder a uma aspiração do canal auditivo”.

Já numa fase inicial, “as gotas auriculares para acidificação do pH do canal auditivo podem ser uma boa alternativa, dado que as bactérias não se desenvolvem tão bem num pH mais ácido”. Para além disso, a especialista recomenda que se seque bem os ouvidos e que se usem tampões para proteger o canal, úteis principalmente para quem sofre de otites externas de ano para ano.

No entanto, Luísa Monteiro não é da opinião que a população em geral deva recorrer aos tampões. “Se estamos a falar de pessoas saudáveis, não acredito que seja necessário”, conclui a médica.

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