A Câmara Municipal de Coimbra pede para que a baixa da cidade e as zonas ribeirinhas estejam em alerta máximo e a preparar a evacuação. Há estradas cortadas pelo País devido ao mau tempo e vários comboios suspensos.
Coimbra está, desde a noite de quinta-feira, 12 de fevereiro, em alerta máximo. Ao que tudo indica, segundo as informações dadas pelos vários meios de comunicação, é possível que o concelho esteja perante a possibilidade de ocorrência de uma cheia centenária (uma cheia que tem uma em 100 hipóteses de acontecer num ano), e a Câmara Municipal pede para que a baixa da cidade e as zonas ribeirinhas estejam em alerta máximo e a preparar a evacuação. Escolas também já foram encerradas, assim como a Universidade de Coimbra, e os negócios têm de fechar a porta.
Todo este risco na bacia do Mondego, que está a causar as inundações em Coimbra, tem que ver com a barragem da Aguieira. Isto porque o seu depósito já se encontra acima dos 99%, muito perto do limite de segurança da própria estrutura, e o seu volume máximo é de 126 metros – neste momento, já quase atingiu os 125. A água inclusive já entrou pela cidade, com algumas garagens a começarem a ficar inundadas e certas estruturas mais baixas a ficarem submersas. No entanto, a presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa, não vai evacuar mais pessoas.
“Durante a noite as coisas correram muito melhor, um bocadinho melhor do que o esperado. De qualquer modo, os valores, quer na Barragem da Agueira, quer no Açude-Ponte, estão no seu limite. Mantemos o estado de alerta, estamos tranquilos. Para já a indicação que tenho é que não iremos, por enquanto nas próximas horas, pedir às pessoas para evacuarem porque os valores, como volto a dizer, apesar de estarem nos valores limite, dão-nos alguma tranquilidade, mas muito alerta e pedimos às pessoas para seguirem todas as indicações”, disse, citada pela RTP.
Sabe-se também que o período da tarde, perto das 15 horas, pode vir a ser muito mais complexo, pelo que haverá uma nova avaliação com a presença da ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho. De acordo com o jornal “Público“, as áreas que serão potencialmente afetadas pela cheia centenária são a zona ribeirinha de Torres do Mondego, Ceira, Conraria, Portela do Mondego, Quinta da Portela, Rossio de Santa Clara, Baixa de Coimbra e zonas das ribeiras de Coselhas, Eiras, Fornos, Covões e Casais.
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Caso este pico da cheia durante a tarde se confirmar, poderão ter de ser retiradas das suas casas mais de nove mil pessoas, depois de 3500 já terem sido evacuadas. Também segundo o “Público”, foram registadas entre a meia-noite e as 7 horas da manhã 92 ocorrências, sendo que a maioria foram na região centro do País (39) e as restantes em Lisboa e Vale do Tejo (37). “Entre as ocorrências mais relevantes temos 33 quedas de árvores, 23 inundações, 14 quedas de estruturas e 13 movimentos de massa”, indicou a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil.
Estradas cortadas e comboios suspensos
E o resto do País também está a enfrentar problemas. O trânsito na A1 mantêm-se cortado entre o nó de Coimbra Norte e Coimbra Sul, em ambos os sentidos, devido à rutura do dique que canalizava o Rio Mondego, e o acesso de Vila Franca de Xira para o Porto também se encontrava cortado até às 9 horas devido ao perigo de queda de um placar informativo. No entanto, de acordo com a empresa Brisa, citada pela RTP, a estrada já foi reaberta ao trânsito.
Na quarta-feira, 11 de fevereiro, tinha-se dado um deslizamento de terras na A5 no sentido Lisboa-Cascais, que também cortou o trânsito em algumas vias rodoviárias na altura. Segundo a GNR, pelas 07h30 desta sexta-feira, 13, o trânsito nesta zona do deslizamento estava cortado apenas na via mais à direita, de forma a que seja possível decorrer os trabalhos de retirada da terra que ficou na via. Outras estradas cortadas são antiga Estrada Nacional 111, entre o Parque de Negócios e as Meãs do Campo, e na zona de Lavariz para a Carapinheira.
Quanto aos comboios, segundo a RTP, os Urbanos de Coimbra estão totalmente suspensos, assim como os da Linha do Oeste. Na Linha do Alentejo a circulação está suspensa entre Pegões e Bombel, na Linha do Douro entre Régua e Pocinho e na Linha de Cascais os comboios estão a circular com alterações nos horários. A Linha da Beira Baixa continua suspensa, estando a funcionar apenas os comboios regionais entre Castelo Branco e Guarda e entre Entroncamento e Abrantes, e na Linha da Beira Alta o serviço Intercidades entre Coimbra e Guarda está a acontecer com recursos diferentes.
A CP informou também que os comboios de longo curso entre Lisboa e Porto estão suspensos devido ao mau tempo e por razões de segurança, sem existir ainda alguma previsão de retoma. Para colmatar isto, a TAP informou que aumentou o número de voos entre Lisboa e o Porto e as suas capacidades, caso a deslocação seja urgente. Também as ligações fluviais entre o Seixal e Cais do Sodré estão suspensas sem previsão de retoma deste serviço, depois de as ligações entre Trafaria, Porto Brandão e Belém também terem sido suspensas.
