Apesar de já ter classificado as opiniões da autora sobre pessoas trans como “inexplicáveis”, John Lithgow admite agora que acredita que parte da polémica “foi distorcida e mal representada”.
O ator John Lithgow não se deixou abalar pela controvérsia em torno de J.K. Rowling. O artista, que vai dar vida a Dumbledore na nova série de “Harry Potter”, da HBO, voltou a abordar o tema numa entrevista recente e garante que não pondera abandonar o projeto.
Apesar de já ter classificado as opiniões da autora sobre pessoas trans como “inexplicáveis”, John Lithgow admite agora que acredita que parte da polémica “foi distorcida e mal representada”. Ainda assim, não esconde que discorda de várias posições da autora dos livros originais.
“Era um trabalho com tudo de atrativo e com segurança profissional numa fase mais avançada da minha vida. Não se ignoram essas questões”, explicou. O ator acrescenta que a discussão sobre as alegadas posições preconceituosas da escritora surgiu numa fase em que já tinha dito que sim ao papel. “Já me tinham dito para desistir, mas isso não estava sequer em cima da mesa.”
Para o ator, os motivos para aceitar o desafio falaram mais alto do que qualquer controvérsia. “As razões para fazer isto eram muito mais fortes do que as razões para protestar contra o que Rowling disse ou fez”, sublinhou, acrescentando que a autora “acabou por reforçar as suas posições, com custos para si própria”.
Curiosamente, John Lithgow revela que nunca conheceu pessoalmente J. K. Rowling, e que nem foi ela a convencê-lo a entrar no universo mágico. O verdadeiro “empurrão” veio da argumentista Francesca Gardiner e do realizador Mark Mylod, que lideram o projeto. “Ela foi a principal razão para eu aceitar”, admite, tal como escreve a “Variety”.
Ainda assim, John Lithgow não esconde algum desconforto com o impacto das escolhas da autora. “Surpreende-me e desilude-me o tom das publicações dela nas redes sociais”, acrescentou.
Apesar da polémica, o ator acredita que o universo de “Harry Potter” continua a transmitir mensagens de empatia, aceitação e luta entre o bem e o mal. “Não há qualquer traço de transfobia na história. É uma obra sobre bondade”, defende.
A nova série “Harry Potter”, da HBO, tem estreia marcada para o próximo Natal.
