Para muitos, desenhar bandeirinhas na cara é inegociável no que diz respeito ao apoio da Seleção Nacional. As dores de cabeça surgem na hora de retirar – mas nós temos dicas.
A Seleção Nacional vai estrear-se no Mundial esta quarta-feira, 17 de maio, e há rituais que voltam a dar o ar da sua graça sempre que esta entra em campo: as camisolas saem do armário, os cachecóis voltam ao pescoço e, para muitos adeptos, não há jogo sem as tradicionais riscas verdes e vermelhas pintadas no rosto.
Seja com sticks de maquilhagem já pensados para cumprir o efeito de forma rápida ou, caso seja mais engenhoso e criterioso, com lápis, sombras ou outras tintas corporais mais resistentes, uma coisa é certa: transformar a cara numa bandeira improvisada sempre que Portugal joga numa competição internacional não é, para muitos, negociável.
As dores de cabeça surgem horas depois, já em casa, quando chega a hora de tirar tudo. Sim, em alguns casos, este género de pinturas é bastante mais difícil de retirar do que um batom ou uma base convencional. E podemos esfregar, recorrer a toalhitas ou insistir com água e sabão, que nada mais estamos do que a deixar a pele sensibilizada e com lesões.
Claro que nem todas as pinturas faciais são iguais. Algumas fórmulas são desenvolvidas especificamente para crianças, pelo que são facilmente removidas com água morna. Outras recorrem a ceras, pigmentos mais concentrados, silicones e formadores de filme, que aumentam a durabilidade da cor e a resistência ao suor, algo particularmente útil quando o jogo se prolonga.
Por isso, a forma de remover estas maquilhagens merece tanta atenção quanto a aplicação. Afinal, de pouco serve apoiar a Seleção com orgulho se, no dia seguinte, a pele acordar irritada, repuxada ou coberta de borbulhas, não é? Assim, para evitar esse cenário, dizemos-lhe o que pode fazer para que não tenha de entrar em pânico.
Isto é o que que não deve mesmo fazer
A tentação de recorrer às toalhitas desmaquilhantes é grande, bem sabemos, sobretudo por acharmos que é uma solução mais rápida e fácil (especialmente quando chegamos a casa depois de um dia longo e só queremos ir para o sofá). No entanto, não são, efetivamente, a melhor solução para este tipo de produtos.
Além de nem sempre conseguirem remover totalmente os pigmentos, obrigam a uma maior fricção mecânica. Em vez de dissolver a maquilhagem, acabam muitas vezes por arrastá-la pela pele fora, aumentando o risco de irritação. O mesmo acontece com sabonetes agressivos ou esfoliante físicos. E nem se atreva a usar álcool ou produtos do género, que vão favorecer a desidratação e comprometer a barreira cutânea.
A dupla limpeza é a melhor estratégia
Se há um método que faz sentido nestes casos em que a dificuldade impera, é a dupla limpeza. Este método foi popularizado pela cosmética asiática e continua a ser uma das formas mais eficazes (senão infalíveis, diga-se de passagem) de remover maquilhagem resistente sem comprometer a barreira cutânea.
O primeiro passo consiste na utilização de um óleo desmaquilhante ou bálsamo de limpeza. Aplicado diretamente sobre a pele seca, ajuda a dissolver os pigmentos, as ceras e os ingredientes mais persistentes presentes nas tintas faciais. O segredo está em massajar durante cerca de um minuto, sem pressa, permitindo que o produto derreta tudo por si.
Depois de emulsionar com um pouco de água morna, deve recorrer a um gel ou creme de limpeza suave, com uma base aquosa. Este passo elimina os resíduos do óleo usado previamente, suor, protetor solar e partículas de maquilhagem que possam ter ficado para trás. Assim, consegue uma pele verdadeiramente limpa, mas sem a sensação de repuxamento ou de ter sido esfregada como se não houvesse amanhã.
E se ainda ficarem vestígios de cor?
Em alguns casos, sobretudo quando se utilizam produtos de baixa qualidade ou fórmulas muito pigmentadas, podem permanecer pequenas manchas temporárias após a limpeza. Nestas situações, o melhor é repetir a limpeza suavemente em vez de esfregar – um disco reutilizável embebido em água micelar, por exemplo, pode ser um aliado de peso e bastante certeiro.
Se mesmo assim persistirem ligeiras marcas, a renovação natural da epiderme acaba por eliminá-las em poucas horas ou, no máximo, em um ou dois dias. Leia-nos com atenção: a paciência continua a ser uma estratégia melhor do que a agressividade. Vale também a pena lembrar que uma pele bem hidratada tende a libertar mais facilmente os pigmentos do que uma pele seca e fragilizada.
Depois da limpeza, a hidratação é obrigatória?
Não diríamos obrigatória (até porque não temos esse poder), mas é altamente recomendada. O que é facto é que, mesmo quando a remoção é feita corretamente, a pele passou várias horas cobertas por uma camada oclusiva de pigmentos, ceras e óleos, pelo que aplicar produtos hidratantes para restabelecer o conforto cutâneo é o mais acertado.
Pode apostar em ativos como ácido hialurónico, glicerina ou pantenol, por exemplo, que vão ajudar a minimizar qualquer sensação de secura e a reter a água na pele. Quem tem tendência para vermelhidão ou sensibilidade pode beneficiar particularmente de ingredientes calmantes, como niacinamida ou centella asiatica.
A boa notícia é que apoiar Portugal não tem de terminar com a pele em sofrimento. Com os produtos certos e alguns minutos de cuidado extra, é perfeitamente possível passar das bancadas, do sofá ou das mesas dos cafés para uma rotina de beleza.