Um juiz inglês defendeu e reconheceu que o veganismo ético é uma crença filosófica e que, por isso, deve ser protegida por lei. A afirmação vem na sequência de Jordi Casamitjana ter levado a tribunal a Liga Contra Desportos Cruéis, empresa em que trabalhava e de onde foi demitido, depois de ter levantado preocupações quanto ao destino do seu fundo de pensão: o homem acreditava que este dinheiro estava a ser investido em empresas envolvidas em testes com animais.

Casamitjana, 55 anos, leva o veganismo muito a sério: além de não incluir fontes animais na sua dieta ou vestuário, o homem não utiliza autocarros de modo a não estar envolvido em acidentes que possam envolver pássaros ou insetos, evita sentar-se em cadeiras de couro ou de agarrar em alças que possam ter sido fabricadas com pele de animal. Acredita que foi injustamente penalizado pela empresa, que optou pela sua demissão como consequência de este ter divulgado publicamente a sua preocupação. 

Após ouvir o relato da testemunha, o juiz determinou que este homem, que vive em Londres, adere à crença do veganismo ético (ou seja, que vai muito além da comida), convicção que deve ser protegida por lei — mediante uma série de testes que o provem — e que, por isso, é digna do respeito de uma sociedade democrática, não sendo incompatível com a dignidade humana ou sequer com os direitos fundamentais de terceiros, diz o “Daily Mail.”

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“Estou muito satisfeito pelo facto de o veganismo ético ter sido reconhecido como uma crença filosófica e por ter sido considerada uma característica que deve ser protegida”, disse Casamitjana. “Esta é uma decisão muito importante para os vegans de todo o mundo”, acrescentou, considerando ainda que o acontecimento tem potencial para inspirar pessoas de outros países.

O julgamento ainda não chegou ao fim e será concluído numa data posterior, afirmou o juiz. “O veganismo ético não é só sobre as escolhas na dieta, mas sim sobre o que a pessoa veste e todos os aspetos da vida que merecem ser governados sob essa crença.”

A próxima audiência, que vai determinar se a Liga Contra os Desportos Cruéis tratou Casamitjana de forma correta ou não, considerando a sua crença, está marcada para 20 de fevereiro.

Nos últimos anos, têm sido vários os casos a chegar ao tribunal de emprego pela discriminação no local de trabalho. Por exemplo: um jovem de 21 anos foi indemnizado depois de ter ficado provado que este era discriminado pelos chefes pela sua idade. Em 2013, Nadia Eweida, funcionária da British Airways, venceu uma batalha legal depois de ter sido mandada para casa por usar um crucifixo de prata no pescoço. Em causa estaria a discriminação religiosa, e o impedimento de expressar a sua crença, o que fez com que o tribunal Europeu dos Direitos Humanos  decidisse a seu favor.