Laurel Griggs tinha apenas 13 anos mas já era uma atriz conhecida da Broadway que, além do teatro onde já somava várias encenações, contava ainda com pequenas participações em séries de televisão como “Louie”, de Louis C.K., e “Bubble Guppies”. A atriz morreu na quinta-feira, 7 de novembro, vítima de um ataque de asma. A notícia só começou a circular na imprensa internacional dias depois.

Depois da morte de Laurel Giggs, o avô partilhou a notícia com familiares e amigos através de uma publicação na sua página de Facebook que é citada pela revista “The Hollywod Reporter”.

“É com o coração pesado que partilho esta notícia muito triste. A minha linda e talentosa neta, Laurel Griggs, morreu de forma inesperada depois de um ataque de asma grave. A Mount Sinai [uma rede de hospitais em Nova Iorque, nos EUA] foi valente em tentar salvá-la, mas agora ela está com os anjos”, escreveu.

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A notícia chocou quem a leu e quem conhecia a atriz. Não só pelo facto de Laurel ser muito nova, mas também pela causa da morte. Ainda é possível morrer de asma?

Afinal, o que é a asma?

Segundo Vítor Fonseca, pneumologista no Hospital de Cascais, a asma é, a par da doença pulmonar obstrutiva crónica, caraterizada “pela inflamação crónica das vias áreas” e o diagnóstico é sobretudo clínico e facilmente verificável quando “o doente apresenta sintomas de dificuldade respiratória, pieira, tosse irritativa crónica e aperto torácico.”

Embora o diagnóstico tenha em atenção o historial e os sintomas do paciente, o especialista ouvido pela MAGG diz que há provas de função respiratória que ajudam a reforçar a avaliação e a interpretar a gravidade da obstrução brônquica.

Sobre como pode surgir, Vítor Fonseca diz que a asma é uma doença multifatorial na medida em que pode ter uma componente hereditário, alérgica ou infecciosa. “Ao verificar-se uma origem infecciosa, está geralmente associada a alguns tipos de infeções virais que podem espoletar sintomas inflamatórios persistentes. Embora surja habitualmente na infância e na adolescência, atualmente há muitos diagnósticos confirmados em adultos”, explica.

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Mas por ser uma doença crónica, não é possível prevenir. Por isso, o pneumologista recomenda que seja feito um “acompanhamento médico regular e com medicação sempre que necessária”, que, garante, é capaz de atenuar ao máximo os efeitos da asma de modo a viver-se uma vida onde se assista uma “quase ausência total” de sintomas.

Há vários tipos de asma?

Laurel Griggs, a atriz de apenas 13 anos, morreu com um ataque de asma grave. No entanto, Vítor Fonseca desmistifica a ideia de que existam vários tipos diferentes de asma, até porque estamos a falar de uma única doença. No entanto, alerta: “Existem vários graus de gravidade que obrigam a uma necessidade maior de medicação inalada e terapêutica biológica para o seu controlo.”

E explica que há várias denominações quando se fala da doença, como asma brônquica, bronquite asmática, asma intrínseca, asma alérgica ou asma eosinofílica. “Não se trata de asma diferente, mas sim de termos comuns utilizados para diferenciar a etiologia, os fatores de agravamento e os sintomas da doença.”

Quanto aos diferentes níveis de impacto da asma na vida dos pacientes, o especialista considera que a asma grave será, naturalmente, a pior em termos de sintomas. Mas é também a que apresenta maior risco de mortalidade e que terá tirado a vida à atriz Laurel Griggs.

Vítor Fonseca é pneumologista no Hospital de Cascais e diz que o número de mortes por asma em Portugal é muito reduzido

“O termo de asma grave, crítica ou fatal usa-se para designar um pequeno grupo de doentes que apresentem agudizações asmáticas muito severas de obstrução brônquica de risco que possa gerar necessidade de uma ventilação invasiva”, para evitar perda de vida.

Para prevenir um desfecho trágico como o que tirou a vida a Laurel Griggs, Vítor Fonseca reforça a importância do acompanhamento médico constante e regular. “Neste acompanhamento médico é possível adequar a medicação inalatória à gravidade da asma do doente, bem como prevenir que a obstrução atinja níveis elevados que ponham em risco a vida do doente”, refere.

Apesar disso, o pneumologista assegura que a medicação para os vários tipos de casos está ao alcance de todos. “Embora o preço da medicação seja elevado, esta é comparticipada pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS). E até mesmo a medicação biológica, indicada para as asmas mais severa, que se distingue por ser mais cara, é comparticipada pelo SNS sempre que seja apresentada a devida justificação.”

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Quando questionado sobre se ainda se morre de asma em Portugal, Vítor Fonseca é rápido a responder. E diz que, embora o número seja reduzido, não se deve menosprezar a doença devido ao impacto que tem na vida dos doentes.

“Como em todo o mundo, há casos de asma quase fatais, ou até mesmo de morte, em Portugal, mas com uma percentagem muito baixa. Mas mesmo sendo diminuta, pode representar e ter um grande impacto no dia a dia dos doentes asmáticos — especialmente quando não é controlada.”

E embora não seja possível preveni-la, há cuidados a ter na alimentação quando os primeiros sintomas começam a surgir. O objetivo é não torná-los mais acentuados. “Existem alimentos com propriedades naturais que podem agravar os sintomas de asma, como o chocolate ou morango”.

Mas não são os únicos. Há outros alimentos que, devido às suas propriedades broncodilatadoras, potenciam a intensidade dos sintomas, como o café ou outras opções que tenham cafeína.

Além disso, também o leite o derivados aumentam a “viscosidade das secreções brônquicas” e isso, continua, “pode dificultar a sua eliminação que, por sua vez, aumenta a intensidade dos sintomas em doentes asmáticos”.