A MAGG está na Web Summit, a maior conferência de empreendedorismo e tecnologia na Europa, e ao longo dos quatro dias do evento vai procurar ideias e startups que se apresentem no Parque das Nações, em Lisboa, com a promessa de mudar as nossas vidas num futuro próximo. É o caso da Inlife, uma startup portuguesa recém-lançada no mercado que quer facilitar a vida de estudantes e trabalhadores que procurem casa fora da zona onde vivem.

O processo de procura de casa obriga a que se tenha em atenção várias condicionantes, como a distância entre o alojamento e a universidade (ou local de trabalho) ou a proximidade face aos serviços de transportes e a pontos de interesse — que podem ser restaurantes, supermercados ou lojas.

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Segundo Pedro Gancho, CEO da empresa que marcou presença na Web Summit para se apresentar ao público e a possíveis investidores, a Inlife pretende inovar na forma como se olha para todo o processo de procura e seleção de uma nova casa. Como? Possibilitando que os hóspedes visitem um alojamento muito antes de se mudarem de uma cidade para outra.

“Os nossos clientes têm sempre a possibilidade de reservarem antes de verem a casa. Mas caso a queiram ver, existem duas hipóteses: a visita presencial ou a visita através de videochamada que é feita em tempo real”, começa por dizer Pedro Gancho, que não esconde o orgulho de ter introduzido um conceito inovador no mercado de arrendamento.

As chamadas têm a duração média de cerca de 15 minutos e não se limitam apenas a mostrar a casa. “Focamo-nos em falar sobre tudo o que possa interessar aos utilizadores da Inlife, como todos os pontos de interesse perto do alojamento e supermercados mais próximos. No fundo, apostamos em oferecer informação válida e de qualidade que é veiculada por pessoas que vivem e conhecem as cidades sobre as quais estão a falar”, revela.

Essas pessoas são os Inlife Associates, uma equipa especializada dentro da empresa que trabalha na várias cidades em que o serviço está operacional — como Lisboa, Évora, Coimbra e Porto.

E embora Pedro Gancho conceba que o público principal do serviço sejam os estudantes universitários, garante que tem havido um aumento de trabalhadores deslocados das suas cidades a quem é preciso dar atenção neste processo. Daí a necessidade de apostar numa equipa especializada e centralizada nas comunidades.

“Os nossos Inlife Associates conhecem as cidades e sabem dar toda a informação relevante como todos os acessos disponíveis para se movimentarem dentro da região. E enquanto em Lisboa e Porto a informação é referente ao metro autocarros, em Coimbra e Évora essa informação é específica às linhas urbanas”, continua.

Mas a plataforma permite ainda uma curadoria de alojamentos consoante as necessidades e a disponibilidade financeira dos utilizadores.

“Se um cliente nos disser que tem um orçamento de 400€, que gostava de ter um quarto com varanda e que prefere morar perto da linha amarela do Metro, em Lisboa, o nosso algoritmo vai ser inteligente o suficiente para mostrar opções que correspondam a todos esses critérios.”

Mas o conceito pode ser ainda mais interessante para quem venha de outro país para Portugal. “Na altura de procurar casa, uma pessoa que não conheça o nosso País vai perder horas de pesquisa a tentar perceber qual o melhor bairro, qual a situação imobiliária em Portugal e quais são as cidades com melhores oportunidades. Nós disponibilizamos tudo isso”, explica.

E continua: “A informação que fornecemos pode ir das coisas mais complexas às mais básicas, mas nem por isso menos importantes. Um cidadão que venha da China para Portugal, se calhar vai gostar de saber que, ao pé da casa que está a pensar reservar, há um restaurante chinês com opções a menos de 8€. De outra forma, demoraria muito mais tempo.”

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O facto de Pedro Gancho acreditar profundamente no sucesso do projeto que ajudou a desenvolver não lhe permite desligar o modo pitch na forma como fala e apresenta o serviço, mesmo que do outro lado da conversa esteja a equipa da MAGG e não um investidor.

E é com orgulho que revela que, só no último semestre, a Inlife contou com mais de 300 reservas concluídas com sucesso, “embora existam mais utilizadores registados”. É que a plataforma foi lançada ao público em maio e, desde então, o feedback recebido tem sido “muito positivo”.

“A adesão à plataforma vai crescendo consoante o calendário letivo, mas registámos a chegada de muita gente em agosto e setembro”, conta.

Mas afinal, como é que a Inlife ganha dinheiro? É simples: cobrando uma taxa fixa a senhorios e hóspedes. “Para quem compra casa, o valor da reserva situa-se, e não quer dizer que seja estanque, nos cerca de 30% do valor da renda. Mas pode variar consoante o tipo de casa.”

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As visitas presenciais e por videochamada também são pagas, custando 19€ e 29€, respetivamente. Sobre estes valores, Pedro Gancho dá a explicação em piloto automático, como se soubesse a matéria de cor e não fosse possível apanhá-lo mal preparado.

“Embora tenhamos aumentado os preços das visitas nos últimos meses, isso tem uma explicação: é que qualquer uma é conduzida pelos nossos Inlife Associates que se têm de deslocar até ao alojamento para o mostrar. Isto tem custos operacionais que precisámos de ser capazes de cobrir.”

No entanto, estes valores não se aplicam se o utilizador decidir ficar com a casa que visitou. “No caso de um cliente nosso decidir ficar com a casa, então esse valor é descontado da renda e a visita acaba por ser gratuita”, reforça Pedro Gancho, que recorda ainda que é possível para qualquer pessoa reservar uma casa sem a visitar.