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"The Devil Next Door" é o novo "Making a Murderer" da internet

Os comentários dividem-se entre quem acha que John Demjanjuk era ou não inocente. Unânime é apenas a opinião sobre a série: brilhante.

John Demjanjuk ou Ivan, o Terrível? É esta a questão lançada na nova minissérie da Netflix, “The Devil Next Door“. Com um total de cinco episódios, a história só chegou à plataforma de streaming esta segunda-feira, 4 de novembro, mas parece que já não se fala noutra coisa no Twitter. Se não faz a menor ideia do que estamos a falar, pode seguir em frente — este artigo não contém spoilers, apenas uma análise aos básicos da história e tudo o que tem sido dito sobre a série.

Vamos começar pela sinopse. No primeiro episódio, a Netflix descreve sucintamente a história da seguinte forma: “Em 1986, um humilde avô e mecânico de Cleveland é acusado de ter sido Ivan, o Terrível, um brutal guarda de um campo de concentração nazi”.

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É uma boa forma de resumir a trama: John Demjanjuk era ucraniano mas vivia nos Estados Unidos desde 1952. Reformado, tinha 66 anos quando foi deportado para Israel para ser julgado por crimes de guerra. Sobreviventes do campo de concentração Treblinka, na Polónia, não tinham dúvidas de que era aquele um dos homens mais temidos do segundo maior campo de extermínio depois de Auschwitz-Birkenau.

Ivan, o Terrível era uma pessoa assustadora. De acordo com os relatos dos sobreviventes, o guarda do campo não cumpria apenas a sua função, ele tirava verdadeiro prazer nisso. Uma das suas imagens de marca era usar uma espada para cortar membros àqueles que conseguiam escapar com vida das câmaras de gás. Homens, mulheres e crianças, Ivan foi responsável pela morte — e tortura — de pelo menos 27.900 judeus.

Ninguém tem dúvidas de que Ivan, o Terrível era um assassino em série. A grande questão é se aquele velhinho reformado de quem toda a gente gostava era de facto um ex-guarda nazi. John Demjanjuk era adorado na comunidade onde vivia, tinha tido uma carreira exemplar — trabalhou numa fábrica da Ford durante mais de 20 anos — e era um cumpridor da lei. Tanto que não tinha sequer uma multa de estacionamento no cadastro.

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É agora que vamos fugir aos spoilers: ao longo dos cinco episódios, “The Devil Next Door” deixa os espectadores numa luta constante entre culpado-inocente, da mesma forma que a primeira temporada de “Making a Murderer” nos fez culpar e ilibar Steven Avery uma centena de vezes.

No Twitter, já se discute se John é culpado ou inocente — e o primeiro parece ganhar. “Estou a ver ‘The Devil Next Door’. Caramba, que documentário. Este velho não me engana”, escreve um utilizador. “Se és inocente, porque é que metes um sorriso afetado na cara e fazes um espetáculo quando chegas a Israel? Ele é definitivamente Ivan, o Terrível”.

“Ele ERA Ivan, o Terrível. Consegues perceber isso na forma como se apresenta”, escreve outro. Outro ainda garante que a prova da sua culpa está na forma como se refere aos sobreviventes do Holocausto como “prisioneiros”. E as “provas” continuam a ser apresentadas no Twitter: “Todas as desculpas da família e do idiota do advogado são lixo”, garante um utilizador. “Se achas que John Demjanjuk, aka Ivan, o Terrível, era inocente, és só estúpido”.

Mas também há quem acredite que se trata de um caso de confusão de identidades. “Ele é claramente inocente”, escreve um utilizador.

A única opinião unânime é mesmo sobre a qualidade do documentário: “brilhante”, “fascinante” e “emocionante” são alguns exemplos de palavras utilizadas para descrever a série. “Um dos melhores documentários que vi em toda a minha vida”, garante um utilizador.

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