Foi em 1985 que os investigadores da British Antarctic Survey descobriram pela primeira vez um buraco na camada de ozono na Antártida. Até 2000 a mão do Homem fez aumentar os níveis atmosféricos de substâncias destruidoras do ozono, o que levou a que o buraco registasse todos os anos uma grande extensão.

Só que este ano o caso mudou. Apesar de o buraco de ozono ter atingido 16,4 milhões de quilómetros quadrados a 8 de setembro, os últimos dados revelados pela NASA, relativos ao período entre setembro a outubro, revelam que o buraco de ozono fechou e atingiu menos de dez milhões de quilómetros quadrados.

Estes números só se registaram mais duas vezes num espaço de 40 anos: em 1988 e 2002. Foram apenas três os momentos em que o buraco de ozono teve uma extensão mais pequena do que aquela que, durante anos de condições climáticas normais, chegavam até aos 13 milhões de quilómetros quadrados entre o final de setembro e o início de outubro.

Apesar de Paul Newman, cientista chefe de Ciências da Terra do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA, reconhecer que são ótimas notícias, mantém o alerta: “É importante reconhecer que o que estamos a ver este ano deve-se a temperaturas estratosféricas mais quentes. Não é sinal de que o ozono na atmosfera esteja subitamente num caminho rápido para a recuperação”, explica, reforçando que o problema das alterações climáticas não está resolvido.

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Mas o que é o buraco na camada do ozono? “O buraco na camada de ozono na Antártida forma-se no final do inverno no hemisfério sul. À medida que os raios do sol regressam, iniciam-se reações que destroem a camada de ozono” — esta que protege o planeta dos raios ultravioleta, conforma explica a NASA.

Estas reações químicas ocorrem na superfície das partículas das nuvens que se formam nas camadas estratosféricas frias. Mas quando as temperaturas estão mais quentes, como aconteceu este ano, formam-se menos nuvens, limitando o processo de destruição da camada de ozono.

Aquilo que aconteceu foi que a estratosfera, camada onde ocorre o efeito estufa, da Antártida registou um aumento de 16 graus acima da média durante o período crucial para a destruição do ozono. É um facto que isso fez com que o buraco não se expandisse como nos outros anos, mas teve várias consequências.

Uma delas foi o enfraquecimento do vórtice polar — uma massa gelada de ar que está por cima do polo norte e que é responsável por regular a temperatura.

“Se o aquecimento não tivesse acontecido, provavelmente estaríamos a olhar para um buraco de ozono muito mais típico”, refere Susan Strahan, uma cientista da atmosfera na Universities Space Research Association, que trabalha para o laboratório de pesquisas espaciais da NASA.

De acordo com a NASA, os últimos dados, da passada quarta-feira, 16 de outubro, revelam que o “buraco na camada de ozono acima da Antártica continuava pequeno, mas estável”, contudo, deve expandir-se gradualmente nas próximas semanas.