Hugo Strada está de volta depois do escândalo mediático que resultou numa acusação de extorsão infantil e má conduta enviada ao Ministério Público, no seguimento de ter beijado um dos rapazes do seu império de influenciadores da empresa Team Strada, num programa televisivo. O jovem tinha apenas 17 anos.

O manager e gestor digital de 36 anos recusou-se a comentar as acusações. Esta segunda-feira, 14 de outubro, criou um novo canal de YouTube, estreando-o com um vídeo de 20 minutos intitulado: “O que realmente aconteceu”. Terá sido na sequência disto que iniciou uma discussão publica com o youtuber Wuant, 23 anos, na noite de quinta-feira, 17.

As acusações, as tentativas de tentar impedir o seu sucesso, a toxicidade da fama, o apoio que recebeu dos pais e a “mentira do YouTube” foram os temas destacados no vídeo em que fala em frente à câmara. Deixou também uma espécie de aviso às pessoas que alegadamente lhe querem destruir a carreira. Mas já lá vamos.

O conteúdo já vai com 10.045 visualizações, tendo também uma caixa de comentários cheia: “Porque é que ele não fala das chantagens que fez aos membros da team e a outras pessoas? Hã?!”, lê-se num comentário. “Hugo, dou-te uma dica, apaga o teu canal e acaba com a Team Strada, estás a enterrar-te mais e estás a levar menores a fazer coisas estúpidas. Ninguém quer saber da tua team ou de ti, só queres fazer dinheiro e ter fama, mas não tens. Chantageaste o Windoh a ‘virar-se’ contra os amigos, não foi das melhores cenas.”

As reações não têm sido positivas. Mas voltemos ao vídeo: o manager, que também se define como influenciador, começa por dizer que “está a ser mais observado do que nunca”, convidando os pais dos adolescentes e jovens consumidores de conteúdos no YouTube a assistirem e subscreverem o seu canal.

Discussão no Instagram entre Hugo Strada e Wuant torna-se viral

Começa logo por falar num dos pormenores mais discutidos no rescaldo da controvérsia: a sua idade, muito superior à do grupo de influenciadores digitais com quem trabalhava e estava sempre.

“Nunca pensei que o português fosse tão preconceituoso”, diz. “36 anos não é ser cota. Sou uma ótima maneira de ver que é possível lidar com malta que podiam ser meus filhos.” Mais à frente, ainda numa alusão à sua idade, acrescenta: “Eu não sou nada mais nada menos do que um jovem adulto, um bocado irreverente, sim. Gosto de dar oportunidade às pessoas, gosto de criar conteúdo, gosto de criar coisas novas.”

Hugo Strada considera que, “apesar de não ser perfeito”, nada justifica a forma como a situação escalou, exceto o seu próprio sucesso.

“A não ser eu eu estivesse a incomodar muita gente e a fazer as coisas certas — no País errado”, ouve-se. “[Isto] É uma guerra de marcas e de agências que não querem ver ninguém a chegar tão longe, e a ter tanto sucesso, e a investir em carreiras de pessoas que não eram ninguém há um ano e hoje são”, diz.

“Eu perdi muito, perdi muitas parcerias com marcas, perdi muito dinheiro com esta maldade que me fizeram”, diz. “Mas também ganhei muito. Eu ganhei muito, muito, muito, com tudo isto que aconteceu, porque percebi quem é que está do meu lado de verdade, quem é que são os verdadeiros”, acrescenta, mais à frente, no vídeo.

“Eu estava a ser chamado pedófilo e acho que esse é o pior crime”

“Ya, eu uso um cap virado ao contrário, mas o problema não é o cap, é o que diz o cap”, diz, virando-se depois ao contrário, para que se veja aquilo que está escrito: lê-se “Strada”, em letras brancas e grandes. “É uma marca. É uma marca em que basta falar dela”, acrescenta, dizendo que não interessa o conteúdo do vídeo para que ele, estando sobre a sua chancela, tenha sucesso.

Hugo Strada assume que sofreu com toda a polémica, juntamente a quem estava consigo na altura, referindo-se a “meses horríveis”. Na sequência do escândalo, o gestor digital não saiu à rua nos dias seguintes, porque se andavam a dizer coisas “horríveis” sobre ele. “Eu estava a ser chamado pedófilo e acho que esse é o pior crime que, se calhar, se pode ter [cometer]”, diz. “Numa prisão, é uma coisa que ninguém perdoa — podem ter [na prisão] um grande assassino ou o pior crime de todos, mas um pedófilo nem os próprios criminosos aceitam dentro da comunidade de uma presidiária.”

O manager de 36 anos acredita que tudo o que aconteceu foi uma conspiração contra o sucesso do seu trabalho. “Eu efetivamente trabalho com menores. Se trabalho com crianças e publico jovem, digam lá de que me podiam ter acusado para acabar com a minha carreira? De pedófilo”, diz.

“Acho que é muito simples e toda a gente percebe isso. E toda a gente percebe que eu não sou um pedófilo, que respeito imenso as crianças, que respeito o público que me segue — faço eventos para eles há muito tempo e sou conhecido por isso.”

Hugo Strada fala sobre a diversidade de conteúdo partilhado na plataforma de vídeo e garante que o seu é de segurança. Lança o desafio: “Convido os pais a seguirem o meu trabalho e da Team Strada”, ouve-se.

“Ao contrário de muitos youtubers em Portugal, eu não faço conteúdo a mandar comida para o chão, nem a maltratar ninguém. Eu faço conteúdo que motiva e inspira os outros a serem uma pessoa melhor e a acreditarem neles próprios. Isso estava na internet até mandarem o canal abaixo. E vai continuar a estar, porque é esse o meu motivo, o meu fundamento, é esse o Hugo Strada.”

“Eu tenho uma veia artística muito grande que consegue criar e fazer coisas diferentes”

A certo momento, Hugo Strada recua ao momento que deu origem à sua comunidade de influenciadores. Tudo começou com as Belieber Partys, nome que é uma alusão ao clube de fãs do cantor.

Strada não gostava do músico americano, que esteve também no centro de muito mediatismo. “Nessa altura eu não gostava do Bieber, ou seja, eu respeitava-o, tinha noção do que é que ele fazia, trazia, do que é que ele era para a camada mais jovem, mas não percebia porque é que um artista, que enche um MEO Arena e movimenta milhões de pessoas, estava revoltado e conseguia dar um murro a um fã e porque é que atuou à minha frente completamente mal humorado.”

Hoje, diz o manager, entende a reatividade de Justin Bieber. “Ele estava a ser vítima de uma coisa chamada fama. De uma coisa chamada indústria”, justifica. E, agora, admira-o: “Sei perfeitamente que ele é uma pessoa muito pura, que não se vendeu, nem se entregou a tudo o que a fama traz de negativo. E tudo o que nós víamos na comunicação social era ele a revoltar-se contra o sistema. E eu compreendo perfeitamente isso.”

“A popularidade consegue trazer uma toxicidade muito complicada, que eu já senti na pele. Isso é uma gestão que tem de ser feita o melhor possível porque isso pode destruir o ser humano. Eu hoje consigo compreendê-lo perfeitamente.”

O caso de Justin Bieber remete-o para o seu próprio contexto. A conspiração contra o seu trabalho, pensa, terá a inveja como motivo principal. “Incomoda muita gente o facto de eu ser manager, de eu ser influenciador, de eu ter aqui uma espécie de poder, e não ser uma pessoa que se esconde atrás das câmaras ou que é só influência. Eu consigo fazer um pouco de tudo. Eu tenho uma veia artística muito grande, que consegue criar e fazer coisa diferentes, o que para muita gente pode ser uma ameaça, mas para mim não deveria ser, porque, realmente, se eu faço alguma coisa de bom, as pessoas deviam aliar-se a mim e não atacar.”

Houve “manipulação, deturpação de factos”:  “[Houve] Muita gente a querer o meu mal e a querer que eu fosse pintado de monstro”, diz. “Grande parte do segredo da Team Strada e de tudo o que crio, e da minha essência, é o contacto com o público. Team Strada é do povo. Eu sou do povo. Eu gosto de estar em contacto com o público.”

Terá sido com o dinheiro destas festas que Hugo Strada lançou a Team Strada. “Todo o dinheiro que eu fiz com a Beliebers Party, gastei no projeto Team Strada. Todo. E investi em jovens e em pessoas em que ninguém teria acreditado se eu não o tivesse feito. E graças a Deus que o fiz porque criei uma coisa incrível, uma família.”

“Se continuarem a atacar-me e a fazer mal desta forma desleal, vão ter uma pessoa diferente a reagir a isto”

“O ser humano tem de ter os pés na terra porque é muito fácil deslumbrarem-se com tudo o que isto dá”, alerta o manager, referindo-se à fama no YouTube.

Hugo Strada fala em ataques gratuitos publicados na plataforma, que servem apenas para fins de popularidade. Do geral para o concreto, refere depois os comentários que outros youtubers terão feito sobre ele nas suas páginas. “O YouTube em Portugal é uma mentira, é uma elite fechada de pessoas que internamente nem gostam muito umas das outras, mas que estão no poleiro. Eu cheguei com a Team Strada e infelizmente fizemos mossa a muita gente”, diz, acrescentando: “Só para dizer também que sei tudo o que foi feito gratuitamente para ofender a minha pessoa, foi porque deu views, deu likes. E eu sei disso, tenho provas disso.”

Deixa alguns alertas: “É só para dizer que um homem inteligente só fala o que quer e não o que sabe — e eu sei muito”, diz. Não “quer dar expose [exposição] a ninguém”, mas, caso os ataques continuem, a sua postura pode mudar.

“Se continuarem a atacar-me e a fazer mal desta forma desleal, vão ter uma pessoa diferente a reagir a isto, vão ter uma pessoa completamente diferente a jogar o vosso jogo. Eu tenho 36 anos e sou um homem sábio para o fazer, só que escolho não ser medíocre, escolho ser superior.”

No final, deixa um pedido: “Peço que as pessoas se respeitem na internet e não sejam falsas, porque isso não vos leva a lado nenhum. Tudo o que vocês estão a criar é um mundo tóxico.”

E termina com um agradecimento: “Tenho a agradecer a toda a gente que me deu apoiou, principalmente aos pais dos membros. Jantámos muitas vezes, tornámo-nos numa família ainda mais forte, ainda mais unida.”