A nova temporada do “The Voice Portugal” estreou-se este domingo, 13 de outubro, na RTP. Houve muitas vozes de arrepiar, outras nem tanto e, para não variar do que se tem visto nas últimas edições, muita lamechice à mistura — tanto que, por vezes, ficamos na dúvida se estamos mesmo a ver o programa de talentos ou qualquer híbrido entre o “Ponto de Encontro” e o “Perdoa-me”, ali a espreitar a década de 90.

Mas já lá vamos. Nesta primeira fase do programa, as Provas Cegas, a mecânica do formato é simples: quatro mentores do mundo da música estão de costas voltadas para o palco quando os concorrentes começam a prova, e só podem virar a cadeira para ver quem está a cantar depois de os selecionarem para a sua equipa.

Este foi, sem dúvida, o grande gancho do formato replicado em dezenas de países, provando que só a voz e o talento importam (pelo menos nesta primeira fase), ignorando fatores como aparência física e carisma.

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Como não podia deixar de ser, foi exatamente pelas Provas Cegas que começou esta sétima edição do programa, ou a “temporada de todas as surpresas”, como foi reforçado ao longo da noite.

Diogo Piçarra e António Zambujo juntaram-se ao formato nesta sétima edição

Catarina Furtado e Vasco Palmeirim mantêm-se no papel de apresentadores, Aurea e Marisa Liz continuam como mentoras, mas Diogo Piçarra e António Zambujo juntam-se ao grupo, no lugar de Anselmo Ralph e Mickael Carreira. Outra novidade já revelada: nesta temporada, podem concorrer bandas.

A MAGG esteve atenta à estreia do “The Voice Portugal” e mostra-lhe 7 momentos marcantes do programa, com risos, lágrimas e atuações de encher o olho.

1. Os espaços dos patrocinadores estão cada vez mais arrojados (ou tontos, não conseguimos decidir)

É verdade que as marcas querem cada vez mais destaque nos programas que patrocinam, e que o público também já não engole qualquer promoção descarada. Assim, as produções dos programas de televisão ficam com um problema em mãos, tentando equilibrar as duas necessidades e chegar à utopia de agradar a ambos, marcas e público.

No caso do “The Voice Portugal”, um dos patrocinadores do programa é a Renault, sendo que a marca também oferece um carro, neste caso um novo Clio, ao grande vencedor do formato. E como é que a produção decidiu introduzir este facto no programa? Colocaram Vasco Palmeirim a conduzir, atrasado para chegar ao estúdio. Existe até uma chamada feita através do sistema de Bluetooth do carro, só para mostrar mais uma funcionalidade da viatura.

Ora bem, não é preciso ser um grande fã do apresentador para saber que este não tem carta de condução — Vasco Palmeirim nunca escondeu o tema e já brincou com o assunto publicamente várias vezes —, logo há aqui mistério. Ou será que a produção acha o público assim tão burro ao ponto de deixar isto passar?

Não, na cena seguinte conseguimos ver o Clio em cima de um camião, mostrando assim que Vasco Palmeirim não está a conduzir, nem a infringir nenhuma lei. Confessamos estar na dúvida entre a originalidade do momento, ou em achá-lo apenas desnecessário.

Ainda assim, sempre é melhor do que a estratégia utilizada pelo “MasterChef Portugal”, a aposta da TVI para concorrer no mesmo horário, que leva os espectadores à exaustão com a quantidade de vezes que inclui o salmão da Noruega e o Hyundai Tucson, dois patrocinadores, nos programas: a sensação é que os concorrentes cozinham este peixe todos os domingos, e usam o Tucson até para se deslocarem à casa de banho.

2. Alguém desligue as lágrimas, por favor

É verdade que a música é uma forma de arte emocionante. É verdade que há atuações que nos arrepiam todos os pelos do corpo e nos comovem. Mas também é verdade que nem todos os concorrentes são capazes deste efeito no público, nem todos possuem histórias de vida dramáticas.

No entanto, desde as últimas edições parece que existe uma tendência por parte da produção para emocionar os espectadores à força toda, mesmo quando os momentos não proporcionam emoção nenhuma — o que até pode tirar força aos verdadeiros momentos genuínos.

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Neste primeiro programa, foram apresentados 13 concorrentes e vamos aqui lançar uma estatística mais ou menos geral: houve choro em cerca de 80% destas atuações, mesmo naquelas em que não fazia sentido. Nas apresentações dos concorrentes há sempre alguém que falta, um tablet com entes queridos a enviar testemunhos, e quando não há, inventa-se. Sim, um concorrente que costuma cantar nas ruas de Lagos recebeu uma mensagem da vereadora da Cultura do município algarvio. Se a moda pega, é pedir a todos os autarcas para desatarem a gravar testemunhos.

Passa-se mais tempo a analisar uma atuação que não correu bem, e que não virou cadeiras, do que a ouvir mais segundos de música de outras que nos encheram as medidas. As frases feitas não faltam, desde o “não desistas”, “segue o teu sonho”, “sabes quantos nãos é que eu ouvi?”, e já só ansiamos pelo próximo concorrente.

Neste aspeto, uma nota positiva para um dos novos mentores: António Zambujo, que não teve problemas em ser direto com alguns concorrentes, afirmando que falharam, desafinaram, e que por isso não ficaram — e fê-lo sem perder a empatia, mas sem emoções desnecessárias.

3. O momento em que “Variações” esfrega a cabeça na barriga da mãe

A atuação de Cláudio Teixeira, 38 anos, vindo da Nazaré, esteve longe de ser incrível. A interpretação da “Canção do Engate”, de António Variações, não convenceu os mentores, que o acusaram de ficar muito preso à canção original.

Mesmo assim, o concorrente teve direito a tempo de antena, e desempenhou, ao lado da mãe, um dos momentos mais “vergonha alheia” do programa. Depois de esta subir ao palco, explicando aos mentores que teve tanto trabalho a inscrever o filho no “The Voice Portugal” para não resultar — e já tinha afirmado anteriormente que ver Cláudio no programa era o seu grande sonho —, o concorrente resolveu explicar o que ia fazer a seguir.

“Vou voltar para a minha primeira casa”, disse Cláudio Teixeira, antes de começar a esfregar a cabeça na barriga da mãe. MEDO.

4. Mickael Carreira deixou o programa, mas já tem sucessor

Diogo Piçarra é um dos novos mentores do programa e ocupou a cadeira que antes pertencia a Mickael Carreira. Mas para além desta semelhança com o filho de Tony Carreira, parece que o cantor de “Paraíso” está a seguir as pisadas do antecessor.

Já se pica com Marisa Liz, faz grandes efeitos quando vira a cadeira, optando por carregar no botão com o pé, tal como Mickael, e usa todo o seu charme para convencer os concorrentes a escolherem a sua equipa, com um sorriso malandro que conquista tudo e todos.

Diogo Piçarra já tem um concorrente de peso

Mas Diogo Piçarra está bastante bem enquadrado no programa, e promete momentos divertidos nos próximos meses — e já conseguiu um concorrente de peso, que até lhe pode dar a vitória na sua primeira participação como mentor no “The Voice Portugal”.

5. Aurea mostrou do que é feita e não deixou ninguém indiferente

É verdade que existiram duas ou três atuações marcantes no programa, mas uma delas não veio de nenhum concorrente, mas sim de uma das mentoras.

Depois de interpretar o tema “Hallelujah”, na versão de Alexandra Burke, e de ser selecionada por Aurea e António Zambujo, a concorrente de 24 anos, Serenela Duarte, de Leiria, estava indecisa sobre quem escolher. Para lhe facilitar a vida, pediu aos dois mentores para cantarem parte da canção com ela.

Ambos acederem ao pedido, embora tenham deixado as expectativas baixas enquanto se encaminhavam para o palco. “Mas eu não sei a letra”, dizia António Zambujo, com Aurea a concordar que também não se lembrava bem. Está bem, Aurea, está bem.

Serenela Duarte ficou na equipa de António Zambujo

O cantor de “Lambreta” fez o seu melhor, chegando a alcançar notas que fogem muito ao seu timbre, mas foi quando Aurea abriu a boca que o público foi à loucura, mostrando a todos porque é que tem uma das maiores vozes de Portugal. E assim uma pessoa perdoa-lhe tudo, até aquele corte de cabelo à jogador da bola.

6. Os momentos mais emocionantes da noite pertenceram a Marisa Liz e a uma vítima de violência doméstica

Rui Rechena, o baixista dos Amor Electro, a banda de Marisa Liz, morreu a 7 de agosto deste ano. Neste primeiro programa, o músico foi recordado pelos Projeto 65, uma banda de Leça da Palmeira, que concorreu nas Provas Cegas.

Depois de tocarem o tema “Cold Little Heart”, e de conseguirem virar as quatro cadeiras, o grupo dirigiu-se a Marisa para recordar Rui Rechena, prestando assim a sua homenagem.

“Esta foi a música que eu ouvi durante todo o tempo que o Rui esteve doente. E quando vocês começaram a tocar esta música eu tive que fazer um stand by. Gostava de dizer que o Rui foi provavelmente um dos maiores baixistas do nosso País, um dos meus melhores amigos, sempre, um irmão”, disse a cantora, visivelmente emocionada. “Quando sai alguém, a banda não é a mesma. Ele está sempre aqui. Obrigada pela homenagem, espero que ele esteja a ouvir.”

As emoções voltaram a fazer das suas com a concorrente Michele Mara, 38 anos, natural do Brasil. Na sua apresentação, esta revelou ter sido vítima de violência doméstica numa anterior relação, e que perdeu um bebé aos 8 meses de gestação depois de ser agredida pelo companheiro.

A viver em Portugal na companhia da mãe e do atual marido, há já alguns meses, Michele é mãe de um bebé de 6 meses e revelou não cantar há muito tempo. E quando chegou ao palco, não cedeu e deu tudo de si numa imponente atuação de “Respect”, de Aretha Franklin — uma mensagem em que acredita e que tem tatuada no braço.

Apesar de só ter conseguido virar uma cadeira, Michele Mara pertence à equipa de Marisa Liz. “Agora estamos juntas”, disse-lhe a cantora no final da atuação.

7. Será que temos vencedor ao primeiro programa?

Fernando Daniel foi o grande vencedor da quarta edição do “The Voice Portugal” e não há fã do programa que não recorde a sua Prova Cega como uma das melhores de sempre, mesmo quando comparada com as centenas de provas de todos os formatos internacionais.

Aos primeiros acordes de “When We Were Young”, de Adele, o cantor conseguiu começar logo a virar cadeiras, e desempenhou uma interpretação de arrepiar — que permitiu a muitos dos espectadores adivinhar que o seu percurso no “The Voice Portugal” seria longo e de sucesso.

E é difícil não fazer comparações com a última atuação da noite de domingo, quando Gabriel Silva, 23 anos, natural de Mem Martins, subiu ao palco. Tal como Fernando Daniel, o jovem escolheu um tema de Adele e surpreendeu público e mentores com uma brilhante interpretação de “All I Ask”.

Virou as quatro cadeiras, fez os mentores lutarem entre si e desfazerem-se em elogios ao seu talento. “É por isso que estou aqui no The Voice”, afirmou Aurea, referindo-se à atuação de Gabriel. Depois de alguma hesitação, o concorrente optou mesmo por escolher pertencer à equipa de Diogo Piçarra, colocando o novo mentor com muitas hipóteses de se sagrar vencedor.