Alerta designers, Porto e Matosinhos são destinos finais. A primeira edição do Porto Design Biennale chega esta quinta-feira, 19 de setembro — e prolonga-se até 17 de novembro. Durante estes quase dois meses, as duas cidades vão ser o palco do projeto que pretende analisar a configuração atual do design e dar oportunidade às estruturas e agentes (nacionais e internacionais) de trocarem ideias.

E porquê um evento de design no Porto e em Matosinhos? Porque foram estas “duas cidades que trouxeram a prática do design para o centro da sua estratégia cultural”, explica Rui Moreira, presidente do Board da Porto Design Biennale.

O tema do evento centra-se nas tensões do novo milénio e até 17 de novembro pode contar com a estreia de cinco exposições, duas instalações no espaço público, dois ciclos de oficinas, uma conferência performativa e um evento de conferência e debate sobre cultura digital.

Depois de analisar o programa, a MAGG sugere-lhe cinco eventos que não pode perder até ao final da primeira edição.

1. Exposição: “Millennials — Design do novo milénio”

A exposição “Millennials” começa esta quinta-feira, 19 de setembro, mas não precisa de se apressar porque está disponível até 17 de novembro. Esta tem uma forte relação com o tema central do evento e o objetivo é expor as primeiras duas décadas do atual milénio e refletir sobre as intenções (motivações, temáticas e valores), os processos (método e autoria) e sobre as formas de materialização dos projetos de design de comunicação contemporâneo.

O que vai poder retirar desta exposição é uma diferente perspetiva sobre a forma como as novas gerações aplicam o design e como o contexto tecnológico, económico, cultural e político influencia as suas decisões. A coordenar o “Millennials — Design do novo milénio” está o curador José Bártolo.

Onde fica? Na galeria municipal do Porto, nos Jardins do Palácio de Cristal. De terça a sábado pode visitar a exposição entre as 10 e as 18 horas e ao domingo as portas abrem mais tarde: às 14 horas.

2. Espaço público: “Hard design — os filhos de Eos e o tear de Aracne”

Eduardo Côrte-Real é o curador desta exposição que está à vista de toda a gente que passa pelo Porto e por Matosinhos.

O nome hard design está relacionado com o atual design industrial. Exemplo disso são as duas peças produzidas em série e de grande dimensão que foram colocadas no espaço publico das duas cidades. É não só uma forma de aproximar um público normalmente alheio a este tema — já que quem passa pelas peças não fica indiferente —, como também de aproximá-lo dos equipamentos de design industrial para perceberem melhor como funciona o processo de produção industrial e quais as tecnologias usadas.

A exposição vai expandir-se ainda para um ciclo de debates que tem como objetivo colocar em diálogo vários responsáveis por projetos de design portugueses e internacionais e debater o tema enquanto disciplina e prática profissional.

As peças vão estar em exposição até 24 de setembro.

Beyoncé usa criação de designer portuguesa

3. Ciclos de oficinas: 10.º encontro de tipografia — encontros sobre desenho de tipografia

O encontro acontece de 21 a 23 de setembro e conta com a participação de vários curadores: João Lemos, Margarida Azevedo, Rúben Dias, Sofia Meira e Diogo Vilar.

Os vários nomes envolvidos na organização justificam-se pelo facto de este ser um evento cientifico internacional, que reúne no mesmo espaço investigadores, profissionais, pedagogos, estudantes e parceiros.

Durante a décima edição do encontro, cujo tema é “borders” (limites), a ideia é divulgar pesquisas sobre tipografia e partilhar conhecimentos técnicos sobre o tema. O objetivo é que os participantes saiam do evento inspirados e com um conhecimento sobre tipografia mais aprofundado.

O encontro vai acontecer no teatro municipal de Matosinhos.

4. Conferência performativa: Monstrous design — os velhos monstros do novo milénio

Esta conferência vai ter duas sessões: uma a 23 de setembro no Palácio dos Correios e outra a 24 de setembro no Teatro Rivoli.

Como o nome indica, o tema central serão os velhos “monstros” do design que continuam a influenciar a atualidade. “Agora é o tempo dos monstros”, é a célebre frase que o filósofo italiano António Gramsci escreveu em 1930 enquanto estava preso, para descrever a crise institucional do seu tempo. 

O filósofo afirmava que o velho sistema estava a morrer, mas o novo não se conseguia formar. Porquê? É disso que se vai falar na conferência performativa, com curadoria de Ana Teixeira Pinto.

5. Conferência e debates sobre cultura digital: Black Box — Stories of the future

Esta conferência/debate vai para além da data do Porto Design Biennale. Realiza-se a 4 de dezembro e pretende refletir sobre a cultura digital no design. No debate vão ser abordadas várias questões: “O que podemos aprender do passado no que concerne ao design baseado em regras? O que são as estéticas informacionais? Quais as possibilidades de fabricação digital?”, indica o programa do evento.

Várias especialistas no tema — desde designers, arquitetos, artistas e teóricos — vão participar e esclarecer estas questões. O objetivo é perceber como é que o design contemporâneo foi influenciado pela tecnologia computacional que ao longo do tempo se tornou cada vez mais profunda e acelerada.

O Black Box tem curadoria de Isa Clara Neves e Jorge Figueira.