É entre a licenciatura de Design Gráfico e a vontade de mudar o mundo que Inês Durão, 19 anos, se desdobra. O design exige-lhe criatividade, mas o que ela quer da vida vai além disso, de um trabalho, ela quer fazer qualquer coisa por um futuro melhor para as próximas gerações, onde palavras como “aquecimento global” ou “desflorestação” já não abrem noticiários nem fazem manchetes de jornais.

Não se considera ativista, nunca esteve envolvida em nenhuma causa solidária e garante que só faz o mínimo no que toca a preservar o ambiente — como reciclar ou deixar de comer carne. “É o mínimo necessário que qualquer pessoa pode fazer para ajudar a salvar o planeta”, garante.

Inês é a pessoa por detrás do projeto Mãos à Obra, uma iniciativa solidária que promete uma limpeza geral de norte a sul do País. A ideia surgiu como qualquer outra: catalisada por um acontecimento, uma imagem ou uma história.

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E o que inspirou Inês foi a notícia de que, em julho, tinham sido plantadas mais de 350 milhões de árvores na Etiópia com o objetivo de combater os efeitos das alterações climáticas e da desflorestação da região. “Se num país com tão poucos recursos se consegue uma coisa destas, porque é que em Portugal não se faz nada semelhante?”, pensou. E tentou replicar a ideia.

Enviou e-mails a organizações como a Greenpeace com o objetivo de arranjar o apoio necessário para que em Portugal também se começassem a plantar árvores. Mas essa ideia nunca se concretizou, em parte porque o solo tinha de ser analisado antes de se proceder à iniciativa.

Foi nessa altura que lhe pareceu mais prático recolher o lixo depositado nas cidades e nas praias. “Apesar de todos os anos se limparem as praias do País, nunca houve uma iniciativa que propusesse fazer o mesmo mas num dia específico e em toda a região. Mas depois também não me fazia sentido focar apenas nas praias. Afinal, as ruas das cidades também estão sujas e precisam de ser limpas.”

Estávamos no final de julho. Nessa altura ainda não havia conta de Instagram (que já tem mais de nove mil seguidores), mas já estava idealizado o projeto que a 22 de setembro vai pôr jovens a limpar Portugal e que já conta com quase mil grupos de voluntários espalhados pelo País.

Inês Durão é a responsável pelo projeto Mãos à Obra — a iniciativa que promete limpar Portugal com vários jovens voluntários

Fotografia cedida por Inês Durão

“Somos mais de 10 mil pessoas em Portugal e já estão criados mais de 100 grupos. O de Braga, por exemplo, já tem registadas 600 pessoas que só querem ajudar”, conta.

“A organização é feita de seguinte forma: as pessoas que estão mais próximas da costa, limpam as praias. Quem, pelo contrário, estiver nas regiões mais interiores, ficam responsáveis pelas cidades.” Mas esta é uma iniciativa que já extravasa fronteiras. “Em Barcelona, por exemplo, soube que já estão a ser organizados grupos para limparem a cidade no mesmo dia que nós, em Portugal.”

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Além de fazer a diferença, ao passar uma ideia do papel para a prática, Inês não esconde o orgulho ao referir aquilo que o Mãos à Obra representa: a ideia de que as coisas acontecem desde que haja vontade para isso.

“Os millennials são muitas vezes olhados como a geração do deixa andar, do não querer saber. Mas isto mostra que há quem se preocupe e não se fique pela internet a lamentar”, remata. 

Para fazer parte do projeto basta enviar uma mensagem privada aos gestores da página de Instagram e, consoante a sua localização, será colocado num grupo de conversa com os restantes voluntários da sua área de residência. Cada itinerário e ação de limpeza é coordenada pelo representante da região que delega.