Afinal, as trotinetes elétricas não são assim tão ecológicas

Não têm tubo de escape nem emitem CO2. O problema está nos materiais de fabrico, no transporte e na manutenção das trotinetes.

A maioria das pessoas não substitui o carro pela trotinete e admite que, se não usasse este tipo de transporte, ia a pé

Evitam o trânsito, não têm fumo a sair de um tubo de escape e não têm buzina (algumas têm só uma campainha). Quando apresentadas ao País, as trotinetes elétricas que agora vemos em cada esquina de Lisboa — e também em algumas cidades do Norte e do Algarve — eram tidas como uma das formas mais ecológicas de circular. Mas afinal, não é bem assim.

Um estudo da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, divulgado pelo “The Guardian“, revelou que este meio de transporte tem uma pegada ecológica superior quando comparada com andar de autocarro, bicicleta, ciclomotor ou a pé.

A equipa de investigadores perceberam que, embora andar de trotinete não seja particularmente prejudicial para o ambiente, os materiais necessários para fabricar a estrutura, as rodas e a bateria, assim como a forma como são retiradas da rua, carregadas e de novo postas na rua, têm um impacto significativo na emissão de gases com efeito de estufa.

“Descobrimos que, ainda que emitam zero emissões durante a utilização, o antes e o depois não fazem com que andar de trotinete seja um ato livre de carbono”, explica ao jornal Joe Hollingsworth, autor do do estudo.

Os investigadores desmontaram um modelo de trotinete e calcularam as emissões de gases associados à sua montagem. Com isso, perceberam que os materiais e o fabrico representavam cerca de metade do impacto causado pelo veículo. Há ainda que ter em conta que grande parte das trotinetes são fabricadas na China e depois distribuídas pelo mundo. Além disso, para o carregamento, existem carrinhas que as tiram da rua e as voltam a colocar. Se juntarmos tudo isto, o nível de poluição provocada por este meio de transporte atinge um nível superior maior ao esperado.

Claro que, fazendo a comparação com o uso do carro, a trotinete ganha — 200 gramas de CO2 emitido por milha percorrida face às 400 gramas no caso do carro. O problema é que a maioria das pessoas que usa a trotinete, não a usa como substituto do carro.

Segundo os investigadores, que reuniram dados de outras pesquisas sobre o mesmo tema, 49% dos utilizadores de trotinete teriam pedalado ou andado para fazer o mesmo percurso e só 34% teriam usado o carro. O autocarro seria a alternativa para apenas 11% das pessoas e 7% teriam optado por, simplesmente, não fazer a viagem.

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