A época quente tem muitas coisas boas, mas também traz umas quantas más. E se os dias de férias e os mergulhos são recebidos com alegria, o mesmo não se pode dizer das filas constantes para atravessar a ponte 25 de Abril, da rapidez com que os gelados se derretem e dos ataques das melgas, mosquitos e afins, que são um dos maiores flagelos do verão.

É verdade que os adultos são tão suscetíveis de sofrerem picadas destes insetos como as crianças e os bebés mais pequenos, mas também não é mentira que esta população requer mais cuidados, de uma forma geral. E os pais ficam mais nervosos com uma borbulha na perna dos filhos do que com uma gigantesca baba em si próprios.

Felizmente, hoje em dia existem várias soluções no mercado para afastar estes insetos, desde os repelentes aos difusores, e até às pulseiras anti mosquitos, uma gama de produtos muito recente. E muitos destes produtos têm sub gamas especificas para bebés e crianças.

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Mas será que esta divisão entre a população faz sentido? Fernando Chaves, pediatra do Hospital Lusíadas Lisboa, acha que não: “Acho graça a essa ideia de colocar as crianças à parte dos adolescentes e dos adultos. Se esse tipo de produtos fosse tão tóxico para as crianças, também o seria para o resto da população”.

As crianças podem usar os mesmos repelentes do que os adultos?

Se entrar numa farmácia em busca de um repelente, vai encontrar várias opções indicadas para bebés, outras para crianças mais velhas e por aí em diante. O mesmo acontece num supermercado, com os eletrodifusores para afastar mosquitos e melgas: existem alguns específicos para os mais jovens.

No entanto, segundo o pediatra Fernando Chaves, estas gamas de produtos podem não ser eficazes. “Na minha opinião, estes produtos representam um nicho de mercado que não serve para nada. São teoricamente mais leves, logo é bem provável que não afugentem os insetos”, explica o especialista à MAGG.

Fernando Chaves é médico pediatra no Hospital Lusíadas Lisboa

De acordo com o pediatra, existem repelentes de farmácia com a indicação que não podem ser usados antes dos 6 meses de idade.

“Logo, eu pergunto-me: um bebé de 5 meses não os pode usar? O que digo aos meus pacientes em relação a um repelente de farmácia, por exemplo, é que se usam uma determinada quantidade num adolescente, usem metade numa criança mais nova”, salienta Fernando Chaves.

No entanto, há cuidados a ter. Segundo o especialista, os pais devem evitar colocar repelente “nas mãos dos bebés e das crianças, dado que estas as podem levar à boca, e também nos pés, uma vez que alguns bebés, ali por volta dos 6 meses, também os põem na boca”.

Da mesma forma, Fernando Chaves alerta que este tipo de produtos de farmácia devem ser “aplicados de forma segura no corpo dos mais pequenos, evitando as superfícies que possam entrar em contacto com a boca e os olhos”.

Em relação aos eletrodifusores clássicos contra os insetos, que colocamos nas tomadas das paredes, o pediatra também os considera seguros, mas recomenda que faça limitações ao seu uso. “Pode optar por deixá-los ligados durante o dia e, à noite, fechar as janelas e desligá-los”, diz Fernando Chaves.

E as discretas e práticas pulseiras anti mosquitos, são eficazes? O especialista explica que “é tudo muito novo e não sei se resultam, se são eficazes. Se me perguntar daqui a dez anos, já consigo ter uma opinião sobre as pulseiras”.

“Mais do que tratar as picadas, é importante evitá-las”

Para Fernando Chaves, médico pediatra, “mais do que tratar as picadas, é importante evitá-las”. Assim, o especialista recomenda a que se usem barreiras físicas, como os mosquiteiros nas janelas e nos berços, bem como o uso de repelentes tópicos e eletrodifusores contra insetos.

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No entanto, os insetos podem sempre levar a melhor e picar as crianças, sendo que existem algumas mais sensíveis do que outras, e que exigem maiores cuidados.

“Há crianças que fazem picadas exuberantes, que ficam com aquelas babas enormes. Nestes casos, e mediante aconselhamento do pediatra, acho eficaz que os pais recorram a anti-histamínicos orais de imediato, logo a seguir à criança ser picada, para impedir o processo de inflamação e alergia local, que também dá muita comichão”, salienta o especialista.

Para além disso, deve também ter em conta o seu destino de férias. “As melgas e os mosquitos não são iguais em todos os países. Sempre que quiser comprar repelentes, aconselho a que o façam já no destino e com a recomendação dos profissionais de saúde e farmacêuticos locais”, conclui o pediatra.