Já não dava mais para viver em São Paulo. “É muito trabalho, só se fala sobre trabalho, é muita gente, muito trânsito, demora-se muito tempo a chegar ao trabalho”, lembra Vítor Mortara, tentando assim justificar a mudança para Lisboa, faz agora três anos.

Portugal era destino, não só porque a mulher Letícia tinha dupla nacionalidade, mas também porque lhes pareceu o sítio ideal para finalmente terem um negócio próprio e, acima de tudo, qualidade de vida.

Café Mortara

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Morada: Rua Teixeira de Pascoais, 1A, Lisboa
Horário: 11h-20h, segunda-feira e sábado 16h-22h (fecha ao domingo)

Vítor, aliás, teve muita dificuldade em adaptar-se à calma da cidade. “Não percebia porque é que se fosse para uma zona da cidade não tinha sequer lugar para sentar numa esplanada e noutras não se via gente na rua”, conta.

Trabalhar em restaurantes antes de avançar para o seu ajudou à adaptação à forma de estar — e de trabalhar — dos portugueses. “Em São Paulo há muito mais gente a servir e, por isso, cada cliente é tratado de forma mais personalizada. Aqui, nos cafés e restaurantes grandes, não dá para perder tanto tempo para cada cliente”.

Começou no restaurante Fábulas, passou pelo Copenhagen Coffee Lab e pela Musa. Quando avançou para um negócio próprio sabia que queria que o espaço fosse pequeno, para contrariar a lógica do cliente distante. “Aqui fazemos tudo com tempo, damos atenção a cada pessoa, a cada pedido”, acrescenta Letícia, que fez uma pausa no jornalismo, no qual chegou a trabalhar também em Portugal, para ajudar Vitor a abrir o Mortara, o novo café de Alvalade.

Além de dar o seu nome ao restaurante, Vitor deu-lhe também todas as suas memórias. A receita das cookies é da sua irmã, o bolo Bem Casado aprendeu a fazer com a melhor amiga e a massas frescas que em breve vai passar a servir são da autoria da avó. “Fiz um apanhado de afetos e pus no prato”, resume.

Vitor Mortara veio do Brasil há três anos com a mulher, Letícia

E, por isso, este café junta pedaços do Brasil, das raízes italianas de Vitor, mas já se notam também pormenores bem portugueses. Para acompanhar a cerveja há tremoços, o queijo das sandes é da ilha e os bolos levam Vinho do Porto. “Eu fiquei espantado com o bolo. Eu não sabia que era capaz de fazer doces mas agora já tem muita gente que vem cá só para comer o meu bolo de fubá“.

Além dos doces, há duas opções de saladas (5€), uma de salmão fumada e outra caprese, e sandes (5€), também com opção caprese, ou seja, com mozzarella, pesto e tomate, e uma de rúcula, presunto e queijo da ilha.

Boteco da Dri. Picanha, pão de queijo e brigadeiros chegam a sambar ao Cais do Sodré

Há ainda pão de queijo (1€) e, pelo menos, três bolos, todos a 1,5€ a fatia: um de chocolate, “porque tem que haver sempre um bolo de chocolate, né?”, o tão famoso bolo de fubá e o Bem Casado, uma espécie de pão de ló com recheio de doce de leite e Vinho do Porto.

O Bolo de Fubá é um sucesso. Leva uma cobertura de goiabada e custa 2€

O Mortara abre de terça a sexta durante o dia, mas à segunda-feira tem um horário especial. Vítor decidiu abrir das 16 às 22 horas, a pensar nos colegas da área da restauração que normalmente folgam nesse dia. “Estive anos sem ter um café para ir beber um copo à segunda-feira e quero que o Mortara seja esse sítio para toda a gente que trabalha na mesma área”.