São aquilo que nos serve de base e suporte e nem sempre recebem o cuidado que merecem. Mas se os dias nacionais e mundiais servem para alguma coisa é para estas chamadas de atenção. E hoje falamos de pés.

Dia 8 de julho assinala-se o Dia Nacional do Podologista e a Associação Portuguesa de Podologia (APP) aproveita para lembrar que 85% dos portugueses com mais de 35 anos apresenta problemas nos pés mas alerta para a forma de tratamento. Segunda a associação, existe uma falta de cumprimento da lei que regula o exercício da podologia, o que pode levar a problemas de saúde pública inerentes a essa falta de regulamentação.

Mas há coisas que podemos fazer no dia a dia e que melhorar a saúde dos pés. Falamos com Manuel Portela, presidente da APP e fizemos-lhe 10 perguntas que prometem derrubar mitos sobre o cuidado a ter com os pés.

1. O verniz prejudica a saúde das unhas?

A unha tem a função de proteger a pele do contacto com bactérias e fungos. Quando colocamos verniz, estamos a evitar que a unha respire, dando azo a que as infeções se desenvolvam. Além de o verniz ser prejudicial, a luz ultravioleta — utilizada no processo das unhas de gel — também pode ser um inimigo da unha, e pode até causar cancro da pele.
O presidente da associação aconselha a não utilizarmos verniz por mais de 15 dias. “Para manter uma boa saúde das unhas podemos hidratá-las com creme para o corpo, por exemplo.”

2. Com que frequência devemos cortar as unhas?

O crescimento da unha é diferente consoante a idade. Sabemos que nos jovens existe um crescimento mais rápido e forte, portanto é aconselhado cortar uma vez por semana. “Já nos idosos”, lembra o especialista, “as unhas começam a enfraquecer, tendo um crescimento mais lento e, por isso, cortar de 15 em 15 dias é o suficiente para manter as unhas num bom tamanho.”

3. O formato das unhas influencia o encravamento?

Os nossos pés estão constantemente a suportar pressão apenas pelo simples movimento ou pelas caminhadas. De acordo com Manuel Portela, “as unhas devem ser cortadas em forma reta, de forma a respeitar os cantos das unhas”. Se os cantos forem cortados, os tecidos da pele da unha ficam expostos, sendo mais fácil para as bactérias alojarem-se, podendo então resultar numa unha encravada.

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4. Os calos são causados pelo atrito com os sapatos?

As queratopatias, ou seja, as calosidades são respostas que o organismo dá quando existe uma agressão. “Essa mesma agressão pode ser causada pelo calçado e também pela existência de um pé plano – acontece quando a curvatura do pé não é a correta ou não existe”, explica.
Quando o pé tem demasiada pressão numa zona, a pele acaba por engrossar e assim forma o calo.

5. Devemos espremer as bolhas dos pés?

Segundo o presidente da APP, “as bolhas dos pés são o resultado de um traumatismo agudo num período de tempo muito curto a uma pressão muito elevada e calor. Provoca então um deslocamento que forma espaços vazios entre as três camadas da nossa pele logo, esse espaço vazio vai ser ocupado por um plasma.”
Apesar de o especialista afirmar não ser aconselhável espremer, podem existir situações que nos fazem agir contra as regras. “Por exemplo as pessoas que participam em peregrinações. Elas são obrigadas a continuar a caminhar e não o conseguem fazer com bolhas nos pés. Portanto, sim, nestes casos poderão optar por espremer as bolhas mas preferencialmente isso deve ser feito por um profissional para não provocar infeções”.

6. Aplicar creme hidratante nos pés resulta mesmo?

O creme deve ser colocado diariamente, após o banho. O especialista explica que o creme que aplicarmos “não deve ser colocado no espaço entre os dedos, porque devido a ser uma zona estreita, provoca mais humidade e mau cheiro.”
O mais indicado seria um creme específico para os pés, mas se não tiver, poderá usar creme hidratante para o corpo.

7. Lixar os pés deixa a pela mais macia?

No momento imediato pode dar-nos a sensação de pele macia. Mas a verdade é que se lixarmos demasiado a pele, esta pode sobreaquecer. “Ao lixarmos a pele estamos a tirar as células e assim há mais probabilidades de se produzir calosidades. O melhor tratamento é lavar e hidratar diariamente.” aconselha.

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8. Os ténis causam mais odor que outro tipo de calçado?

O presidente da APP reforça que antigamente os materiais utilizados para fazer ténis e sapatilhas não era os melhores. Como não estavam aptos para o suor que o pé produz, “os materiais mantinham o calor dentro do calçado, o que causava mau estar, calor e suor.”
Hoje em dia, os ténis já são idealizados a pensar na respiração do pé. Até os materiais sintéticos já se encontram preparados para absorver o suor do pé.

9. O pé de atleta pode ser resultado de andarmos descalços?

De acordo com o especialista “o pé de atleta é provocado por um fungo dermatófitos, candidíase ou leveduras. É um fungo que se alimenta da queratina da pele e pode estar no chão da nossa casa ou até no jardim. Normalmente estão em locais mais quentes e húmidos, como por exemplo, balneários, casa de banho e chuveiros.”
“Alguns destes micro-organismos estão em contacto com o nosso corpo, mas não se manifestam. Só o fazem quando têm as condições necessárias (humidade e ambientes quentes) para sobressair”, explica ainda.
Então, se mantivermos os pés secos e arejados, os fungos dificilmente se manifestam. Por outro lado se não secarmos os pés corretamente e tivermos gretas, podemos multiplicar as hipóteses.

10. As meias de algodão ajudam a prevenir o mau cheiro?

A escolha das meias não deve ser feita ao acaso. “A fibra de algodão tem grande capacidade de absorção. Assim que há transpiração, o têxtil vai absorvendo o suor de forma a não acumular o odor que é causado pelo movimento que o nosso pé faz todos os dias.” Já se a meia for de fibra sintética, é muito provável que não absorva.