O trânsito estava caótico, a água já nos entrava nas All Star pouco preparadas para uma chuva de junho e o vento era tal que nos fez pensar se em vez do Porto, não estaríamos num cenário menos tropical se tivéssemos escolhido Manila.

No meio do caos, surge numa esquina o nosso abrigo para as próximas horas. Há que secar os pés, tirar o impermeável e deixar que a comida dê o conforto que a chuva tira. E para tudo isso temos o Garden, o novo restaurante do Porto, que tanto serve street food, como panquecas e tigelas de açai.

“Queríamos abrir um espaço onde todos pudessem sentar-se à mesa e escolher o que cada um gosta mais”, explica à MAGG Alexandre Castro, um dos três sócios do restaurante.

Depois de cinco anos a trabalhar em Londres como barman, decidiu voltar ao Porto e abrir finalmente um espaço seu, com tudo o que foi absorvendo dos anos que viveu fora do País.

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A ideia sempre foi servir brunch, mas percebeu que o conceito já estava um pouco esgotado e para avançar, tinha que ser diferente. É por isso que aqui, além de não haver menus fixos, a comida tem influência americana, mexicana e até asiática.

Do outro lado do Atlântico vieram as panquecas bem gulosas feitas com Oreo (6,50€), por exemplo, ou aquelas que são a América num prato: panquecas com bacon, ovos e maple syrup (6,50€).

Também há ovos com bacon e molho barbecue (8,50€), asas de frango crocantes (6,5€) e hambúrgueres, um de porco desfiado (9,90€) e outro de boi (10,50€).

Camélia. O novo brunch que é servido com vista para o Douro

A partir daí, é ver o menu beber influências de todo o mundo. Há tacos vegetarianos que podiam vir do México (6,50€), guiozas de frango e legumes da China (5,50€), pimentos padrón espanhóis (3€), bowl de açai (5,50€) do Brasil e uma sopa da Pedra (3,50€) que nos faz voltar à terra, ou melhor, ao jardim.

É que basta passar a porta deste restaurante para entrar num mundo à parte, principalmente quando lá fora a tempestade parece não acabar. O chão é de calçada portuguesa, as mesas são de madeira, as cadeiras de verga e as plantas estão por todo o lado. No teto, nas paredes, na estante onde estão expostas as bebidas, nas mesas e até nos pratos. Não houve um único que tivesse chegado à mesa sem uma flor. Nem mesmo a tosta de batata doce, que tem um asterisco no menu que pode fazer toda a diferença. Leva cogumelos, tomate assado e ovo escalfado e foi pensada pelo nutricionista Pedro Carvalho, “para dar um toque minimamente saudável ao menu”, explica o responsável.

No dia da visita da MAGG, o restaurante estava cheio e não acreditámos que todos estivessem só a fugir da chuva. Ouvia-se muito sotaque do Porto a elogiar a comida e viam-se muitos mochileiros com a concha de Santiago de Compostela que de certeza escolheram o Garden para descansar os pés e nutrir o corpo. E nada como uma mistura de açai com guiozas e molho barbecue para dar força, não para chegar a Espanha, mas para dar a volta ao mundo.