Primeira missão espacial feminina é cancelada — e a culpa é da roupa

Anne McClain já não vai caminhar ao lado de Christina Koch. Em causa está a falta de equipamentos espaciais no tamanho certo.

Anne McClain à esquerda e Christina Koch à direita

Desde que a Estação Espacial Internacional foi construída, em 2011, já foram feitas 214 missões espaciais, percorridas sempre por dois homens ou por um homem e uma mulher. A primeira executada apenas por mulheres estava marcada para 29 de março, sexta-feira, sendo que a missão passava por colocar baterias novas na estação.

No entanto, num comunicado de imprensa divulgado esta segunda-feira, 25 de março, citado pelo “The Guardian“, a NASA suspendeu a missão, porque o equipamento não tinha o tamanho adequado para as duas mulheres.

Anne McClain tinha sido uma das astronautas destacadas para a missão — já tinha estado noutra, ainda em março, tendo sido a 13.ª mulher a realizá-lo. No entanto, avisa a NASA, será substituída por Nick Hague, que será quem afinal vai acompanhar Christina Koch. Em causa estão os tamanho das partes de cima dos fatos: até à data, só poderia ser produzido um — aquele que será entregue à astronauta que continua na missão.

De acordo com Brandi Dean, a porta-voz do Centro Espacial Johnson, em Houston, no Estado do Texas, os fatos espaciais a bordo da Estação Espacial Internacional são feitos de várias partes, que se vão adaptando ao corpo dos astronautas.

“Fazemos o nosso melhor para antecipar os tamanhos das roupas espaciais de que cada astronauta vai precisar, com base no tamanho do traje espacial que usavam nos treinos em terra e, em alguns casos, os astronautas treinam com vários tamanhos”, disse Dean, que acrescentou que estão disponíveis três opções para cada parte dos fatos: médio, largo e extra-largo.

McCLain, no entanto, não tinha um fato para o tamanho dela que pudesse ser utilizado fora da estação espacial. “Apesar de tudo, as necessidades de tamanho das pessoas podem mudar quando estão em órbita, uma resposta às mudanças da microgravidade, que podem afetar o corpo”, acrescentou a porta-voz.

Brandi Dean chama ainda a atenção para o facto de ser impossível representar de forma absolutamente igual o meio espacial. “Nenhum ambiente de treino pode simular totalmente a realização de uma missão espacial em microgravidade e uma pessoa pode descobrir que o tamanho mais ajustado no espaço é outro.”

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