Os dois aneurismas que quase mataram Emilia Clarke durante “A Guerra dos Tronos”

A atriz tinha 24 anos quando se sentiu a definhar. "Nos meus piores momentos, pedi aos médicos que me deixassem morrer", recorda.

Emilia Clarke é Daenerys em "A Guerra dos Tronos" mas entre a primeira e terceira temporada, a vida da atriz foi tudo menos fácil

Falar de Daenerys Targaryen é falar de personagens fortes, destemidas e justas. Principalmente quando, no universo de “A Guerra dos Tronos”, estas qualidades parecem ser ofuscadas pelos inúmeros planos de traição engendrados por personagens ambiciosas e mesquinhas. Mas a resiliência de Daenerys nem sempre foi partilhada pela atriz que lhe dava vida na série.

“Quando todos os meus sonhos de criança pareciam ter-se tornado realidade, vi-me quase a perder a memória e, logo de seguida, a minha vida.” Foi assim que Emilia Clarke (“Viver Depois de Ti”), 32 anos, revelou esta quinta-feira, 21 de março, num texto publicado na revista “The New Yorker”, os dois momentos em que se sentiu a perder tudo o que tinha conquistado.

Em 2011, depois de terminadas as gravações da primeira temporada de “A Guerra dos Tronos”, Emilia Clarke nem queria acreditar na sorte que tinha. Estava a seguir o seu sonho de ser atriz e via-se agora inserida num meio que desconhecia mas que, entendeu depressa, conseguia ser muito exigente e desgastante.

“Para aliviar o stresse, fazia exercício físico com um personal trainer. Afinal de contas, era uma atriz de televisão e isto é o que os atores fazem.” A 11 de fevereiro de 2011, Emilia estava nos balneários a preparar-se para mais uma sessão de treino quando sentiu uma dor de cabeça intensa que era diferente de todas aquelas que já tinha tido na vida.

“Estava tão cansada que mal conseguia calçar as sapatilhas. Quando comecei o treino, tive de me forçar a completar os primeiros exercícios até não conseguir mais. Disse ao meu personal trainer que já não conseguia aguentar mais e fizemos uma pausa”, revela.

Do espaço de treinos aos balneários, o caminho foi feito de forma desamparada ao ponto de a atriz se arrastar até lá chegar. “Quando cheguei aos balneários, pus-me de joelhos e senti-me violentamente doente à medida que aquela dor intensa só parecia piorar. De certa forma, sabia que o meu cérebro estava danificado”, recorda a atriz.

Por forma a tentar combater o que lhe estava a acontecer, tentou não pensar na dor e na náusea. Recusou-se a ficar paralisada, mexendo os dedos dos pés ou tentando recordar alguns dos diálogos do guião de “A Guerra dos Tronos”. Era pouco o que podia fazer, mas na altura serviu-lhe de conforto de que aquilo iria passar.

Não passou e, depois de chegar ao hospital de urgência, a notícia do diagnóstico não parecia oferecer qualquer tipo de resolução: Emilia tinha sofrido um tipo de aneurisma ao qual cerca de um terço de pessoas não sobrevive. Para pacientes que sobrevivam, a solução imediata passa por intervenções cirúrgicas para evitar mais e novas complicações — mas nem isso era certo.

A operação durou três horas mas não seria a primeira nem a pior que Emilia iria sofrer. Na altura, tinha apenas 24 anos. Depois de poucos dias de recuperação, uma enfermeira terá acordado a atriz para os primeiros testes. O objetivo era avaliar se teriam existido complicações durante o processo e perguntou-lhe o nome.

“O meu nome completo é Emilia Isobel Euphemia Rose Clarke. Mas, na altura, não me conseguia lembrar. Em vez disso, da minha boca saíram palavras sem sentido e entrei em pânico. Nunca tinha sentido tanto medo como naquele dia. Vi no que a minha vida se iria tornar e achei que não valia a pena vivê-la. Era uma atriz, precisava de me lembrar do guião e agora nem do meu nome me conseguia lembrar”, revelou.

Como consequência do trauma que tinha sofrido, a atriz britânica estava agora incapaz de se lembrar do que quer que fosse, de falar ou de perceber a linguagem escrita.

“A minha mãe teve a delicadeza de me tentar convencer de que estava perfeitamente lúcida, mas eu sabia que estava a definhar. Nos meus piores momentos, pedi aos médicos que me deixassem morrer.”

Uma semana depois, Emilia voltou a ganhar consciência, a saber quem era e onde estava e tudo parecia normal. Foi informada de que tinha um outro aneurisma que poderia rebentar a qualquer altura mas que, na altura, estava dormente. Mas entre o final da segunda e a estreia da terceira temporada de “A Guerra dos Tronos”, foi obrigada a uma nova operação.

O aneurisma tinha aumentado de tamanho e a sua remoção era obrigatória. Os vários médicos que acompanharam o caso prometeram-lhe uma operação “relativamente simples de apenas duas horas” mas quando acordou, gritou de dor.

“A operação tinha falhado. Tinha sofrido hemorragia intensa no cérebro e os médicos disseram-me que tinha poucas chances de sobreviver a menos que fosse operada outra vez.” Ao contrário do que tinha acontecido anteriormente, esta operação tinha de ser feita diretamente através do crânio e o período de recuperação prometia ser mais doloroso.

Saí da sala de operações com um dreno a sair da minha cabeça. Parte do meu crânio foi substituído por titânio e a cicatriz, que na altura não sabia que não ia ser visível, ia da minha orelha até ao escalpe. Passei um mês no hospital e perdi toda a esperança. Não conseguia olhar ninguém nos olhos e tive vários e terríveis ataques de pânico”, continua.

Atualmente, Emilia Clarke está totalmente curada e a experiência fê-la criar, em conjunto com várias empresas no Reino Unido e nos Estados Unidos, uma associação de caridade com o objetivo de fornecer tratamentos a pessoas que estejam a recuperar de lesões cerebrais.

“Sei que não sou única. Muitas pessoas terão sofrido mais do que eu e sem acesso ao tratamento que eu tive tanta sorte de receber. Sinto-me muito grata e estou feliz por ainda aqui estar e poder ver o final da história de ‘A Guerra dos Tronos’ e o início de outros projetos que possam surgir”, escreve.

A nova e última temporada de “A Guerra dos Tronos” chega a Portugal a 15 de abril, através da HBO e do canal SyFy.

Partilhe
Fale connosco
Se encontrou algum erro ou incorreção no artigo, alerte-nos. Muito obrigado. [email protected]