Fui fazer uma formação de leitura de aura alquímica. Sabe o que é?

Somos todos energia. E se alguém conseguisse lê-la? Um jornalista da MAGG esteve cinco meses a aprender esta prática e conta-lhe tudo.

A leitura de aura é uma prática que se realiza entre duas pessoas, um leitor e um consultante, numa sala ou idealmente ao ar livre

Henri Cartier-Bresson

Foi nos dias 3 e 4 de novembro do ano passado que iniciei uma formação de leitura de aura alquímica. Não fazia a menor ideia para que género de viagem estava a caminhar, mas estava certo de que estava pronto para partir. O primeiro contacto que tive com esta área foi com a minha amiga Andreia Passos que, em 2017, depois de eu regressar de uma viagem de sete meses e meio pelo continente Sul Americano, me fez a primeira leitura de aura. Na altura não compreendi bem em que consistia, mas deixei-me levar, e a verdade é que tudo o que Andreia me foi dizendo fez todo o sentido. Com o tempo fui conseguindo integrar as informações e os conselhos transmitidos, refletindo sobre eles.

Em 2018, depois de regressar de uma experiência profissional em Cabo Verde, senti-me novamente perdido, a navegar em escolhas e decisões para tomar. A liberdade era tanta que acabava por me encarcerar, não estando preparado para voltar a agarrar a vida sem olhar primeiro para dentro, mais profundamente. Foi aí que, após conversar novamente com a minha amiga Andreia, acabei por tomar a decisão de fazer uma formação de leitura de aura alquímica com o formador João Pires, na Karma Clinic, em Lisboa.

É curioso o facto de que, quando me quis inscrever na formação, já não existiam vagas disponíveis. Só às 21 horas da noite da véspera do primeiro módulo da formação é que o João me contactou a dizer que tinha tinha havido uma desistência, e que caso eu estivesse interessado em ficar com a vaga, ela era minha. Aceitei. Mas volto a frisar, sem nunca saber ao certo para onde ia nem que transformações me aguardavam.

Mas afinal, perguntam vocês, o que é de facto a leitura de aura alquímica? A leitura de aura é uma prática que se realiza entre duas pessoas, um leitor e um consultante, numa sala ou idealmente ao ar livre. O leitor vai dizer através de palavras aquilo que está a sentir na energia da outra pessoa, se a sente, por exemplo, desgastada, deprimida, infeliz ou com determinado aspeto da sua vida familiar, profissional ou emocional por resolver. Ou pelo contrário, pode achar que a sente livre e sintonizada, com energia de sobra para se desenvolver e ajudar os outros.

A leitura é baseada na intuição, e como tal o leitor não sabe de antemão o que irá dizer ao consultante, sendo que as informações vão aparecendo sob a forma de imagens, cores ou sensações à medida que a energia dos dois se vai conectando. Quanto maior for a abertura por parte do consultante, de escutar e aprender mais sobre si mesmo, melhor a energia irá fluir e de maior relevância e profundidade serão as informações partilhadas pelo leitor.

Robert Doisneau

Durante a prática o leitor começa por se conectar com a energia do consultante fechando os olhos, partilhando de seguida todas as mensagens e informações presentes na aura (o campo de energia em torno do nosso corpo físico, que para a maioria das pessoas é invisível a olho nu) do consultante. Estas informações podem ser sobre os seus familiares, amigos ou relacionamentos amorosos. O consultante irá estar sempre de olhos abertos, com os braços e pernas não cruzados para não bloquear a energia, a escutar todas as informações que recebe sobre si, e caso deseje, colocando questões que gostaria de ver aprofundadas ou melhor esclarecidas. O objetivo da leitura será empoderar o consultante no seu processo de desenvolvimento pessoal e auto-conhecimento, assumindo um maior sentido de responsabilidade pela sua vida e perante a vida.

No final da leitura, o leitor poderá proceder à cura energética, caso o consultante assim o deseje, e limpar-lhe todos os bloqueios físicos, mentais, emocionais ou espirituais que poderão estar acumulados na sua aura. Podemos dizer que a leitura de aura é uma espécie de consulta médica mas a nível energético, que em vez de se focar apenas numa dimensão física, foca-se também em dimensões como a emocional, a mental e a espiritual.

Acima de tudo, a leitura de aura é uma oportunidade de aprendizagem e de reflexão sobre nós mesmos, uma paragem no turbilhão desenfreado das nossas vidas. Mas importa realçar que é uma paragem em movimento, ou seja, as informações recebidas que são depois desconstruídas e repensadas pelo consultante, deverão servir para melhor a sua vida diária.

Toda a gente já sentiu energia — positiva ou negativa

Se pensarmos bem, todos nós somos leitores de energia exímios, apenas não estamos conscientes desse facto ou nunca desenvolvemos as nossas competências nesse sentido. Quando entramos dentro de um centro comercial e repentinamente ficamos cheios de dores de cabeça, ou quando estamos com determinada pessoa que não gosta do seu trabalho e faz questão de gritar isso aos ouvidos (“vomitando” para cima de nós toda a sua ira e negatividade), são exemplos perfeitos de leituras de energia que quase todos já experienciámos.

Existem também exemplos positivos, como é o caso dos espaços naturais nos quais as energias são bastante mais leves e limpas, ou os casos de pessoas livres e sintonizadas que nos vão contagiando com a sua paz interior e sensação de bem-estar, aumentando a nossa vitalidade. Trata-se simplesmente da nossa intuição a dar-nos informações úteis sobre por onde devemos ou não devemos caminhar, com quem devemos ou não devemos relacionar-nos, ou ainda a prevenir-nos de que será bom protegermo-nos e prepararmo-nos para enfrentar determinada situação ou desafio. Tudo é energia. Desde os seres humanos, aos animais, às plantas e até aos objetos.

Regressando à formação de leitura de aura que realizei ao longo de cinco fins de semana intensivos, intercalados num período de tempo de cinco meses, só posso dizer que foi um período de crescimento com muitos altos e baixos. Em alguns momentos tinha a certeza de que a formação era a melhor coisa do mundo, ao passo que noutros só pensava em desistir e não via qualquer sentido neste “mundo invisível do sentir”. Contudo, todas estas dúvidas e momentos de altos e baixos não são mais do que a nossa mente a querer manter-nos presos, dentro da caixa, a não nos deixar agarrar a vida e seguir os sinais.

Karma Clinic

Morada: Praça Francisco Sá Carneiro, 7, 3.º esq., 1000-159 Lisboa
Telefone: 218 479 635
E-mail: [email protected]

 

O difícil é estar atento e desperto para os sentir. Seguir as coincidências. Por exemplo, se certa pessoa já não surge há muito tempo na minha vida e de repente aparecer em determinada situação, será um sinal de que será para eu combinar um café com ela? Terá sido por acaso? Não. E quando não sabemos o que fazer, é deixar-nos levar que o nosso espírito faz o resto, ele decide por nós, e posso garantir-vos que não existe ninguém mais sábio. Por muito útil que a nossa mente nos possa parecer, faz muitas vezes o papel contrário e desencaminha-nos se não a tivermos bem nos eixos. Vou para a direita ou para a esquerda? Vou deixar que o meu ego, louco aos saltos, ou que as minhas motivações materiais assumam o controlo do que estou realmente a sentir? Foram estas algumas das coisas que fui aprendendo, sendo que aqui são só palavras, e não o que realmente aprendi.

É fundamental realçar que lidar com clássico “queixume” foi também um fator de grande aprendizagem para toda a vida. O culpar fora habitual para desculpar o dentro, sendo que o que criticamos fora é sempre um reflexo do que vai por dentro. “O governo é corrupto e apenas toma decisões erradas.” Vamos inverter ao estilo de Byron Katie. “Eu estou a corromper-me e apenas tomo decisões erradas”. Ou ainda, “A minha mulher não me compreende, e a culpada de toda esta situação é ela”. Vamos inverter. “Eu não compreendo a minha mulher, e o culpado de toda esta situação sou eu”. Não estará esta inversão das nossas queixas mais próxima da realidade? A chave está em assumirmos as rédeas da nossa vida e em não colocarmos as culpas ou responsabilidades no exterior, porque somos nós que temos o poder de criar o nosso mundo, está tudo dentro de nós. Este foi outro dos grandes ensinamentos do curso, mas num sentido prático, e não apenas teórico como aqui exponho.

A importância que a meditação adquiriu na minha vida

A prática da meditação diária foi um dos exercícios a colocar em prática ao longo dos cinco meses de formação. Tornou-se essencial na minha vida, por me dar a possibilidade de descobrir e experienciar um momento de encontro comigo mesmo. É uma hora por dia na qual estou verdadeiramente sozinho sem pessoas, telemóveis, computadores, televisões ou livros para me distrair. Tenho um tempo para mim, para me sentir enquanto ser e curar ou clarificar qualquer desafio que me tenha sido proposto, para aumentar a frequência da minha energia e não viver numa vibração de reação e conflito, para me sentir pleno no meu centro.

Nós atraímos pessoas e situações que se encontrem numa mesma vibração energética que nós, daí ser tão importante cuidarmos da nossa energia e escutarmos o que sentimos. Enquanto turista numa cidade que desconheço, posso passear alegremente por um subúrbio extremamente violento e perigoso, e sair ileso sem sentir um fragmento de medo que seja. Ao passo que um nativo dessa cidade morreria de medo de passear por aquele subúrbio, e provavelmente iria atrair alguma situação infeliz por estar nessa vibração mais densa e negativa.

Ansel Adams

Quando a psicologia fala sobre sermos positivos não é mera “conversa da treta”, são simplesmente palavras que nos ajudam a compreender e sintonizar melhor com as leis energéticas do Universo. Portanto, considerem tirar meia hora que seja do vosso dia para estarem convosco, e não intelectualizem, façam-no pela experiência — se for positivo continuam, caso não se identifiquem ou não se sintam bem poderão sempre desistir e regressar às vossas distrações habituais, essas ninguém vos tira.

Para concluir, gostaria de referir que após realizar a formação me senti cada vez mais em sintonia comigo mesmo, e acima de tudo mais autónomo, independente e consciente da importância do assumir das minhas escolhas e decisões. Ao mesmo tempo a minha vida exterior foi respondendo tal qual um reflexo do meu interior, equilibrando a minha dimensão física (agora realizo exercício físico mais regularmente e procuro ter uma alimentação mais cuidada), emocional (aprendi a sentir mais e a pensar menos), mental (aprendi a usar a mente apenas quando necessário, curando-a através da meditação) e espiritual (agora sinto-me mais ligado ao mundo em geral).

Contudo, é importante não fantasiar e desmistificar a ideia de que a leitura de aura será a panaceia do século XXI, porque todo o trabalho de crescimento pessoal é único e incomparável, e que tal como em tudo na vida, a chave para o nosso bem-estar está dentro de nós e não nos outros, no mundo ou na leitura de aura alquímica enquanto técnica.

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