Nos últimos dez anos a prevalência da alergia alimentar aumentou em 20%. Não se conhecem ao certo os motivos, mas este crescimento já foi associado ao sedentarismo, a uma alimentação com mais agroquímicos e menos ómega 3, ao maior consumo de medicação (sobretudo antibióticos), à sobreprotecção infantil — crianças devem contactar com agentes patogénicos para que desenvolvam o sistema imunitário — ou ainda a uma diminuição exposição solar.

Tudo isto vem explicado no livro “Tenho uma Alergia Alimentar — E agora?“, da professora, investigadora e nutricionista Inês Pádua, que responde a centenas de perguntas relacionadas com o tema, dividindo-as por diferentes capítulos: desde as mais gerais, a outras que se relacionam com diferentes fases da vida (adolescência, infância, gravidez), dedicando ainda partes a alimentos específicos.

Sabia, por exemplo, que um beijo pode desencadear uma reação alérgica (caso tenha havido contacto com o alimento) e que, por isso, deve avisar os seus amigos e companheiros sobre esta condição? Esta foi uma das curiosidades que aprendemos.

Para compreender o novo livro — e saber mais sobre alergias —selecionámos seis perguntas e seis respostas do novo livro, editado pela Pergaminho e disponível nas livrarias desde 6 de março.

O livro, editado pela Pergaminho, está à venda nas livrarias por 15,5€

1. O que é uma alergia alimentar?

“Uma alergia alimentar é uma reação adversa para a saúde que resulta de uma resposta do sistema imunológico quando é exposto a determinado alimento e erradamente o identifica como agressor.”

2.  O que é uma intolerância alimentar?

“Uma intolerância alimentar é também uma reação adversa que ocorre após o contacto com um alimento, mas que, ao contrário da alergia alimentar, não envolve diretamente o sistema imunológico, nem põe a vida do doente em risco. A intolerância alimentar envolve essencialmente o sistema gastrointestinal e, como tal, as manifestações são geralmente náuseas, vómitos, cólicas e diarreia, mais ou menos intensas.”

Oito restaurantes, uma padaria, duas gelatarias, cinco pastelarias. É esta a oferta para celíacos

3. Que alimentos podem causar alergia alimentar?

“Qualquer alimento com proteínas pode causar alergia. Contudo, as alergias alimentares mais comuns são ao leite de vaca, ao ovo, ao amendoim, aos frutos gordos e oleaginosos (conhecidos como “frutos de casca rija” ou “frutos secos”, como a noz, a avelã, a amêndoa, entre outros), ao peixe, ao marisco, ao trigo, à soja, sendo estes alimentos responsáveis por 90% das reações.”

Inês Pádua, natural do Porto, é docente na Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Leiria, investigadora e nutricionista na área clínica e comunitária

4. Quais são as manifestações da alergia alimentar? 

“Os sintomas ou manifestações podem ser cutâneos (na pele e nas mucosas), respiratórios, gastrointestinais, e cardiovasculares.

  • Manifestações cutâneas: urticária, comichão e sensação de aperto na garganta.
  • Manifestações respiratórias: pieira ou “gatinho” e dificuldade em respirar.
  • Manifestações gastrointestinais: vómitos, dores abdominais e diarreia.
  • Manifestações cardiovasculares: diminuição da pressão arterial e perda de consciência.”

5. Para o diagnóstico de uma alergia alimentar, que especialidade médica devo consultar?

“A especialidade médica indicada para patologias do foro alérgico é a imunoalergologia. Pode procurar diretamente este profissional ou consultar o seu médico de Medicina Geral e Familiar (“médico de família”), de forma a que este o encaminhe para o médico imunoalergologista.”

6. O que devo ter em conta para a gestão da minha alergia dentro de casa?

“De uma forma muito geral, o conhecimento sobre contaminação cruzada [quando dois alimentos se cruzam — basta que estejam em contacto —, sendo que um deles fica contaminado com o alimento alergénico] e a leitura dos rótulos são essenciais para a gestão da alergia alimentar. Adicionalmente é muito importante estar sempre atento, tendo em conta que muitas exposições acidentais acontecem quando se assume uma segurança que não existe.”