Ativistas, investigadores e desportistas. As vidas que se perderam com o voo da Ethiopian

Grande parte das vítimas trabalhava na área do ambiente, devido a uma assembleia ambientalista da ONU que iria decorrer no Quénia.

O avião terá caído a 10 de março, seis minutos após ter partido do aeroporto de Addis Ababa, na Etiópia

AFP/Getty Images

Um total de 157 pessoas de 35 nacionalidades diferentes. Foi este o custo da queda do Boeing 737 da Ethiopian Airlines, que fazia o trajeto entre Addis-Abeba​, capital da Etiópia e Nairóbi, a capital do Quénia.

A companhia aérea utilizou a rede social Twitter para divulgar a lista de nacionalidades das vítimas mortais. O Quénia encontra-se no topo, com 32 mortes a registar, seguido do Canadá (18) e da Etiópia (9). Segundo dados divulgados, não existiam portugueses a bordo.

A conferência de arqueologia da UNESCO e a assembleia da ONU para o meio ambiente fizeram com que grande parte das vítimas a registar esteja associada a Organizações Não-Governamentais ou a grupos de intervenção e investigação dessas áreas de estudo. No entanto, em 149 passageiros, as idades, nacionalidades e carreiras são diversas. 

Deputado eslovaco perde mulher e dois filhos

Anton Hrnko é dirigente do partido nacional eslovaco, deputado no conselho nacional e perdeu a mulher, Blanka, e os dois filhos, Michala e Martin, na sequência do acidente.

O político de 64 anos foi um dos membros fundadores do partido e trabalhou em cargos do ministério da defesa entre 1990 e 2016. Foi através do Facebook que Anton anunciou o sucedido.”É com profunda tristeza que anuncio que a minha querida esposa, Blanka, o meu filho, Martin, e a minha filha, Michala, morreram às primeiras horas da manhã no desastre aéreo em Addis Abeba”.

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Posted by Anton Hrnko on Sunday, March 10, 2019

Associação que construía hospitais no país mais pobre do mundo perde três médicos

Na lista de oito vítimas de nacionalidade italiana constam três médicos que dirigiam e desenvolviam trabalho humanitário em África, em nome da Organização Não-Governamental Africa Tremila. Carpo Spini, de 75 anos, era o diretor da ONG e estava acompanhado pela esposa, Gabriella Viggiani e por um amigo de ambos, Matteo Ravasio. O casal, que morava em Toscana, deixa quatro filhos.

A equipa era responsável pela construção de hospitais no Sudão do Sul, considerado o país mais pobre do mundo pelo FMI. A partir da cidade de Nairobi, o trio deveria seguir para o país do nordeste africano.

Ex-secretário geral da federação queniana de futebol entre as vítimas

Hussein Swaleh teria estado a oficializar um jogo da liga dos campeões da confederação africana de futebol, no qual o Ismaily, equipa do Egito, defrontou o Tout Puissant Mazembe, da República Democrática do Congo.

Foram várias as figuras da política e do futebol africano que se vieram pronunciar sobre a tragédia. A notícia foi confirmada pelo presidente da federação Queniana de Futebol, Nick Mwendwa, numa entrevista por telefone ao site “Goal”.

O ex-presidente da FKF, Sam Nyamweya, declarou que era um “dia triste para o futebol queniano. Não tenho palavras para explicar as notícias, perdemos um trabalhador dedicado, que queria ver o futebol melhorar a cada dia”, cita o mesmo site.

Também Uhuru Kenyatta, presidente do Quénia, veio falar a público sobre o sucedido. Em comunicado, afirmou: “As minhas orações estão com as famílias e associações ligadas àqueles que estavam a bordo.”

Professor universitário faz post religioso no Facebook antes da tragédia

Escritor e professor na Universidade de Carleton, em Ottawa, Pius Adesanmi estava a caminho de uma reunião do conselho económico, social e cultural da União Africana, em Nairóbi.

O aclamado escritor nigeriano era diretor do instituto de estudos africanos da universidade e ex-professor assistente de literatura comparativa na Universidade Estadual da Pensilvânia.

Antes de entrar no avião, Pius publicou uma fotografia no Facebook, onde se pode ver o professor sentado no aeroporto com o passaporte canadiano na mão. Na legenda, escreveu o excerto de um salmo religioso — “Se eu tomar as asas da manhã e habitar as partes mais remotas do mar, mesmo aí a sua mão irá guiar-me, e a sua mão direita irá segurar-me.”

A fotografia que Pius Adesanmi partilhou na rede social

O vice-chanceler e presidente da universidade de Carleton, Benoit-Antoine Bacon, declarou que considerava Pius uma “figura imponente do conhecimento africano e pós-colonial. A sua perda súbita é uma tragédia”.

Jovem ativista de 24 anos

Danielle Moore estava a bordo do avião da Ethiopian que tinha descolado de Addis Ababa. Com apenas 24 anos, era bióloga marinha e estava a trabalhar com o Ocean Wise, um grupo dedicado à limpeza dos oceanos.

A jovem natural de Scarborough, em Ontário, tinha colocado um post no Facebook onde revelava ter sido selecionada para participar na assembleia da ONU para o meio ambiente, em Nairóbi.

Com nome associado a várias Organizações Não-Governamentais em Winnipeg, no Canadá, a jovem escreveu que estava entusiasmada por ter a oportunidade de “discutir questões ambientais globais, partilhar histórias criar ligações com outros jovens e líderes de todo o mundo”.

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