Na próxima ida ao supermercado, pense melhor antes de comprar aquela garrafa de água de plástico se a ideia for reutilizá-la por diversas vezes. É que apesar de serem práticas, baratas e fáceis de utilizar ou transportar, servem apenas para uma utilização. Ao não respeitar isso, está a pôr em risco a sua saúde.

Quantas vezes já teve de mandar garrafas de água de plástico para o lixo porque amarelaram ou porque começaram a deitar um cheiro intenso? Provavelmente demasiadas e, se calhar, até tem colegas no escritório que insistem no erro de as continuar a reutilizar.

Isto acontece porque não estão a ser respeitadas as regras de utilização da embalagem que foi desenvolvida e testada com apenas um propósito em mente — usar uma vez e, depois disso, reciclar.

Os legumes congelados são mais seguros do que os frescos? Uma nutricionista responde

Quem o diz é Conceição Calhau, professora associada da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, onde ensina e investiga nas áreas de Nutrição, Metabolismo e Toxicologia, que não tem dúvidas de que esta deve ser uma medida adotada “por princípio”, exceto nos casos onde os rótulos das garrafas especifiquem o contrário.

“A garrafa plástica, com água ou qualquer outro tipo de bebida, serve apenas para beber uma vez e não deve ser reutilizada. Exceto as que sejam desenvolvidas e testadas para múltiplas funções. É importante ver a informação que consta no rótulo já que é aí que estão todas as indicações”, explica.

“Sabe-se que, através do calor ou de um pH ácido, pode acontecer a migração de aditivos do plástico para a bebida matriz”, explica. Conceição Calhau não tem dúvidas de que a exposição e acumulação no organismo de forma crónica a estes aditivos está associado a “doenças metabólicas como obesidade, diabetes, cancros e outras”.

Conceição Calhau é professora associada da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa nas áreas de Nutrição, Metabolismo e Toxicologia

Gustavo Bom/Global Imagens

É que mesmo que a garrafa seja mantida nas condições ideais, que para a investigadora significa “locais secos, frescos, isentos de odores e protegida da luz solar”, Conceição adverte para o facto de nem sempre se conhecer o circuito da garrafa durante a sua distribuição até chegar às mãos do consumidor.

A probabilidade de o plástico se danificar durante o processo de transporte é muito elevada e é nessas microfissuras que os micróbios se acumulam e multiplicam.

Mas lavar diariamente uma garrafa plástica que não foi fabricada para ser reutilizada também não é uma boa prática. Não só porque as bactérias são capazes de sobreviver na água, mas também porque, devido à qualidade do material, o plástico não é capaz de suportar lavagens mais agressivas como o vidro ou o alumínio — que permitem reutilizações frequentes.

Salmão. Esqueça a ideia de que este peixe é do melhor que se pode comer (não é)

É que ao contrário desses modelos, os produtos de lavagem podem contaminar o plástico e permitir uma maior proliferação de bactérias na garrafa.

“O vidro e o alumínio poderão ser usados mais vezes e lavados em condições mais agressivas comparativamente ao plástico”, e a professora garante que se forem usados conforme as condições para as quais foram desenvolvidas e testadas, o risco da sua utilização é mínimo.

No entanto, deixa o alerta em relação às garrafas de vidro: “Há quem defenda que o vidro é um material inseguro para este tipo de produtos já que se pode soltar em pedacinhos”. Se não forem identificados, há o risco de ingestão e de danos internos no corpo.