O estranho caso do assassinato da menina de 6 anos que está a chocar o Reino Unido

Alesha MacPhail foi raptada, violada e assassinada durante a madrugada de 2 de julho. O suspeito do crime é menor de 16 anos.

A morte Alesha MacPhail deixou uma pequena comunidade escocesa em choque

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Alesha MacPhail era uma menina de 6 anos que, segundo os pais, era muito feliz. Vivia em Airdrie, Lanarkshire, na Escócia, com a mãe Georgina Lochrane e a irmã Courtney, de 4 anos. Em plenas férias de verão, Alesha MacPhail foi para a ilha de Bute, também na Escócia, passar três semanas de férias com os avós, Angela King e Calum MacPhail, o pai, Robert MacPhail (que se separou da mãe da menina quando ela tinha 3 meses) e a namorada, Toni McLachlan, com quem já mantinha uma relação há dois anos.

O que pareciam ser umas férias de verão perfeitas, acabou em tragédia. A 2 de julho de 2018, Alesha Macphail foi encontrada morta num terreno abandonado perto da casa dos avós paternos. A menina foi vista pela última vez no dia 1 de julho, pelas 23 horas, no seu quarto. O seu desaparecimento foi reportado às 6h25 da manhã seguinte, pelos avós, os primeiros a aperceber-se da ausência da criança.

Angela King e Calum MacPhail, com 46 e 49 anos, respetivamente, fizeram queixa na polícia e lançaram um apelo no Facebook. Rapidamente vários habitantes juntaram-se para procurar a menina pela ilha.

Foi através deste apelo que a mãe da criança, 23 anos, ficou a saber que algo de errado se tinha passado com a sua filha. De acordo com a BBC, o corpo da criança foi encontrado às 8h54 por um habitante local, perto das ruínas do antigo Kyles Hotel. Pouco tempo depois, às 9h23, a Alesha MacPhail era dada como morta.

Memorial em homenagem a Alesha MacPhail, na ilha de Bute

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Um jovem de 16 anos foi acusado

Dois dias depois, a 4 de julho, um adolescente menor de idade foi detido por suspeita de ter cometido o crime. O adolescente foi presente a tribunal e acusado de ter raptado, violado e morto a menina de 6 anos, bem como de obstrução à justiça. O funeral da menina realizou-se no dia 21 — 19 dias depois ter sido encontrada morta — em Lanarkshire, onde vivia com a mãe.

De acordo com a acusação, o jovem de 16 anos terá entrado na casa da família MacPhail durante a noite e raptado a menina. Segundo o jornal “The Sun”, o procurador disse em tribunal que o acusado “levantou-a da cama, prendeu-a contra a sua vontade e levou-a para o local do antigo Kyles Hydropathic Hotel.” Terá sido neste sítio que despiu a criança e abanou-a violentamente. Depois, colocou a mão sobre o nariz e boca da criança, fez pressão sobre a cara e o pescoço da vítima e acabou por matá-la.

O acusado terá também tirado a roupa que usou durante o crime, deitando-a fora e tomando banho para desfazer-se de todas as provas incriminatórias. Embora o rapaz se tenha declarado inocente de todas as acusações, o caso seguiu para julgamento.

O julgamento do caso está a chocar o Reino Unido

O julgamento teve início no passado dia 11 de fevereiro. Ao longo desta última semana e meia, têm sido divulgados vários detalhes ainda não conhecidos sobre o caso. De acordo com o jornal “Daily Mail” e com o jornal “The Sun“, o rapaz, quando interrogado sobre estes factos, voltou a negar ser o autor do crime.

Porque é que não se sabe o nome do arguido?

De acordo com a lei escocesa, é proibido por lei publicar em qualquer meio de comunicação o nome, a morada, a escola ou qualquer outra informação que permita identificar uma testemunha, vítima ou acusado, que estejam envolvidos num crime e seja menor de idade. A exceção é quando o menor envolvido no caso já não está vivo.

A mãe do suspeito foi também chamada a depor. De acordo com o seu depoimento, assim que soube do desaparecimento da criança, verificou a câmara de vigilância que tem em casa  para se conseguia ver alguma imagem da menina desaparecida. No entanto, apenas viu o filho a entrar e sair de casa três vezes, ao longo da noite, sendo possível perceber que teria trocado de roupa e tomado banho durante as várias entradas e saídas.

Quando questionado sobre os seus movimentos noturnos captados pela câmara de vigilância, o arguido explicou que nessa noite tinha ido ter com Toni McLachlan, 18 anos, e que estes dormiram juntos na noite que Alesha MacPhail desapareceu. Desta forma, o acusado confessou que mantinha uma relação extraconjugal com a namorada do pai Alesha MacPhail e que dormiam juntos uma a duas vezes por semana. O arguido afirmou ainda que os dois eram “amigos coloridos” e que o Robert MacPhail, 26, não tinha conhecimento deste caso extraconjugal.

Quando questionado sobre as outras duas vezes que saiu de casa, o suspeito explicou que, após ter regressado da primeira vez e de ter tomado banho, apercebeu-se que tinha perdido o telemóvel e foi à procura do mesmo. Depois voltou novamente para casa para ir buscar uma lanterna para ajudar na busca do aparelho.

Além disso, afirmou também que quem teria na verdade cometido o crime seria Toni McLachlan. E que, para o incriminar, ela usou o preservativo que ele deixou na garagem onde fizeram sexo para espalhar o seu sémen pelo corpo da criança.

As provas estão todas contra o adolescente

No entanto, foram várias as provas apresentadas pelas as equipas forenses em tribunal que apontam para o adolescente e não para Toni McLachlan.

De acordo com a BBC, John Williams, um dos médicos-legistas que autopsiou Alesha MacPhail, afirmou que a causa de morte da menina foi a pressão aplicada na boca, nariz e pescoço. Além disso, foram contabilizados 117 ferimentos no corpo da criança, embora alguns pudessem ter sido causados pela vegetação local. Williams afirmou ainda que os ferimentos presentes na área genital eram os mais graves que tinha alguma vez visto na sua carreira.

Robert MacPhail

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Já o cientista forense Stuart Bailey testemunhou em tribunal afirmando que o ADN do acusado fora encontrado em 14 partes do corpo da criança. O cientista forense afirmou ainda que, de acordo com a BBC, foi também encontrado ADN do arguido na roupa da menina e na roupa encontrada abandonada na praia.

Embora esta roupa estivesse danificada pela água salgada, foi possível recolher uma amostra dentro de uma costura das calças de fato de treino, comprovando que estas pertenciam ao jovem suspeito de ter cometido o crime. Devido ao volume de amostras disponíveis, o cientista disse ainda que o ADN presente no corpo da menina só poderia ter ido lá parar por contacto direto entre o agressor e a vítima. 

De acordo com o jornal escocês “The Express & Star“, a cientista forense Sarah Jones confirmou que as fibras encontradas na roupa da menina pertenciam às calças de fato de treino que foram recuperadas na praia, comprovando que as duas peças estiveram em contacto direto.

Já Peter Benson, líder de uma equipa de instigação de cibercrime, testemunhou em tribunal que o acusado pesquisou no seu telemóvel sobre “como a polícia encontra ADN” no dia 3 de julho, às 00h32. Quando questionado sobre se a vítima e Toni McLachlan tinham trocado mensagens no Instagram, o investigador disse não ter acesso a essa informação pois não tinha como ver conteúdos armazenados online.

Georgina Lochrane

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Foram também chamados a depor alguns amigos com quem o acusado costumava trocar mensagens online. De acordo com uma amiga do adolescente, o suspeito publicou, numa conversa com outros 25 jovens, um vídeo dele com a seguinte legenda: “Encontrei a pessoa que fez isto [o crime]”. No entanto, a rapariga achou que na altura aquilo seria apenas uma piada de mau gosto.

Uma outra amiga do acusado revelou em tribunal o conteúdo de uma conversa que tiveram no Messenger em janeiro de 2017. De acordo com o site “Express“, durante a conversa sobre documentários criminais, o arguido confessou ter vontade de matar alguém um dia para ficar com experiência de vida, tendo ainda acrescentado que se o crime fosse bem planeado ninguém o descobriria.

O julgamento continua a decorrer na Escócia, estando previsto terminar no final desta semana.

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