A suite-museu com as histórias do bed-in que John Lennon e Yoko Ono fizeram em Toronto

Hoje é uma suite, ainda com vestígios do casal. Sujavam tudo de pétalas, comiam sopa de tartaruga e não respeitaram a hora do check-out.

Lennon e Yoko dedicaram-se aos bed-in, uma forma de protesto pacífico contra a guerra e a favor da paz mundial, em que permaneciam na cama, recebendo várias visitas de jornalistas

Sadie Whitelocks/MailOnline

Corria o mês de março de 69. A guerra do Vietname já ia com 14 anos. Richard Nixon ocupava a sala oval da Casa Branca, nos Estados Unidos. Já faltava pouco para os ingleses Beatles acabarem. John Lennon, um dos membros, tinha acabado de casar com Yoko Ono, com quem tinha lançado o álbum “Two Virgins”, em que apareciam nus na capa. O destino da lua-de-mel foi o hotel Hilton, em Amesterdão, onde passaram sete dias seguidos na cama a receber, das nove da manhã às nove da noite, jornalistas. Não ia ser uma demonstração de sexo público, como alguns acharam. O motivo era outro. Estavam num protesto pacifico pela paz mundial, a que se deu o nome de bed-in.

O segundo bed-in aconteceu no mesmo ano, só que em Montreal, no Canadá — era para ter sido em Nova Iorque, mas Lennon estava impedido de entrar nos Estados Unidos, por, em 1968, ter sido condenado por posse de canabis em Inglaterra (ou, como também se alega, por ter muita influência política e social, o que assustava a administração do presidente Nixon). Ficaram hospedados num quarto no 17.º andar do Fairmont Queen Elizabeth e deram mais de 150 entrevistas, na cama.

Hoje este espaço faz parte de uma suite de quatro divisões, que custa cerca de 1700€ por noite. Parece um museu: está decorada com várias alusões ao segundo protesto de Lennon e Yoko, revelando o que é que o casal fez nesta viagem, através de pedidos de serviço de quarto e registos de limpeza.

De acordo com o “Daily Travel”, a secção de viagens do Daily Mail, que fez uma tour na suite, entre os registos encontra-se uma sopa de tartaruga, filete de linguado grelhado e “compota, marmelada e muito mel e manteiga” para o pequeno-almoço, pedido que também incluía “o seu próprio pão especial”.

Durante o almoço, os pedidos habituais eram de arroz, o clássico britânico Fish and Chips (peixe frito com batatas fritas), alabote grelhado e muitos legumes. Segundo os registos, os licores e bebidas alcoólicas serviam apenas para oferecer aos convidados que passavam por lá, uma vez que Lennon e Yoko não estavam a beber durante o protesto.

Segundo a mesma publicação, um dos registos de limpeza de quarto relatava que o “corredor e a suite estavam cobertos de pétalas de flores” e que era necessário aspirar o espaço entre três a quatro vezes por dia porque “John Lennon atirava pétalas ao ar.”

John Lennon e Yoko Ono demoraram muito a sair do quarto, segundo os documentos da recepção. As responsáveis pela limpeza só tiveram uma hora para colocar tudo no sítio até ao hóspede seguinte, sendo que o casal foi alertado várias vezes para se ir embora.

Foi só depois de, a 8 de dezembro de 1980, Mark David Chapman ter assassinado o membro dos Beatles, que o hotel começou a juntar todas as peças da estadia do casal. Em 1989, inauguraram a John Lennon & Yoko Ono Suite, que, atualmente com capacidade para quatro hospedes, integra o quarto principal onde o casal ficou, um lounge, zona de jantares e cozinha. Sofreu uma remodelação há pouco tempo no valor de cerca de 89 milhões de euros.

Há várias surpresas escondidas no quarto. Se um hóspede agarrar no telefone da sala, vai ouvir a voz de Lennon no quarto, a falar sobre o seu compromisso pela paz mundial. De acordo com o que Joanne Papipeu disse ao “Daily Mail”, o casal apareceu no hotel com 50 malas, apesar de terem permanecido de pijama, na cama, os dias todos.

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