“Todas as pessoas gostam de ouvir uma história e todas têm uma história para contar. Mais ainda, se falamos de crianças hospitalizadas ou em instituições”, diz Fernanda Freitas, presidente da “Nuvem Vitória”. Foi com este foco que a Associação foi criada há dois anos. “Queríamos desenvolver um projeto pioneiro na área hospitalar e surgiu a ideia de contarmos histórias à noite, em regime de voluntariado, para promover hábitos de sono saudáveis”.

Em 2016 foi montado o projeto piloto para validar a ideia e, um ano depois, a “Nuvem” era apresentada ao mundo. Hoje, os números são extraordinários: 12 mil histórias contadas em seis mil horas de voluntariado, nível Prestígio no Selo de Qualidade em Voluntariado Join4Change® (um sistema de avaliação de programas de voluntariado) e o reconhecimento da “World Sleep Association” de que este é um projeto único no mundo. Mas os números não espelham tudo o que a “Nuvem Vitória” faz. Para as crianças, é uma forma de, por momentos, esquecerem onde estão. Entram num mundo de sonho a caminho de uma melhor noite de sono. Para a família é também um momento de calma e de diminuição dos níveis de ansiedade, trazendo alguma felicidade em momentos de tanta angústia. São inúmeros os casos de pais que agradeceram a chegada da “Nuvem” para conseguirem convencer os mais pequenos a ir dormir. Alguns deles são hoje voluntários e fazem parte deste grupo que anda pelo Hospital de Santa Maria, Hospital de São João, Hospital de Vila Franca de Xira e o Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão a contar histórias.

Campanha de Natal do Lidl

Se estão a surgir mais “nuvens” por todo o país, é também graças ao empenho de empresas como o Lidl, já que, este ano, a campanha de Natal solidária reverte a favor da “Nuvem Vitória”. Iniciada a três de dezembro, decorre até dia 30, e faz reverter um euro para a associação por cada bolo-rei Favorina vendido. Desta forma, nos próximos dois anos, será possível alargar para 10 o número de instituições que irá receber a visita das “nuvens” contadoras de histórias, de norte a sul do país. Além disso, serão organizados mais dois núcleos de voluntariado no Grande Porto e em Lisboa. Até 2020, o objetivo é chegar a 50 mil crianças, com 900 voluntários.

Esta campanha não se resume, porém, a uma ação pontual, fruto das festas. Além da doação monetária, a marca assume a sensibilização para a importância do sono como uma prioridade na sua estratégia de promoção de estilos de vida saudáveis. Aposta, assim, no apoio a uma plataforma online sobre o sono (www.querodormir.pt), desenvolvida pela associação “Nuvem Vitória”, em parceria com a Associação Portuguesa do Sono e um Conselho Consultivo – composto por médicos, psicólogos e outros especialistas – com conteúdo nacional e internacional sobre esta temática, abordando questões tão diversas como os espaços onde dormimos, as patologias mais frequentes, os hábitos que não nos deixam dormir e rotinas para adormecer. Sempre com acesso a estudos científicos.

“Uma boa noite de sono não é um luxo, é uma necessidade, e é essa a mensagem que pretendemos reforçar”, revela Vanessa Romeu, diretora de comunicação corporativa do Lidl Portugal. Melhores noites de sono, promovem uma melhor qualidade de vida e ajudam a estreitar laços familiares – uma preocupação global e transversal na comunicação dos vários países onde o grupo está presente e que se reflete num estudo realizado em parceria com a GFK. Para a realização deste estudo, foram efetuados 500 questionários online, dirigidos a indivíduos portugueses entre os 18 e os 54 anos, pais de crianças entre um e sete anos. Uma das conclusões apresentadas diz respeito às horas de sono, referindo que as crianças e os pais dormem menos do que seria recomendável e que as histórias para adormecer estão a cair em desuso.

“Dormir continua a não ser trendy”, confirma Rita Ferro Alvim, “influencer” e uma das embaixadoras desta campanha. “Focamo-nos muito na alimentação e no desporto e secundarizamos a importância do sono, mas a verdade é que o nosso corpo aguenta algum tempo sem comer ou sem fazer exercício físico, mas não aguenta sem dormir. É cool dizermos que nos levantámos às seis da manhã para irmos correr, mas ninguém diz que ficou na cama a dormir, e a verdade é que isso é tão ou mais importante”.
Ao apoiar a “Nuvem Vitória”, o Lidl Portugal contribuirá para que a associação desenvolva e promova mais materiais, ferramentas e competências que propiciem um ambiente favorável e equilibrado para uma noite de sono adequada às crianças hospitalizadas, mas tão importante como isto, é sensibilizar as famílias portuguesas para a importância de se lerem histórias para adormecer, de forma a proporcionar um descanso mais feliz.

Voluntárias da Nuvem Vitória são verdadeiras contadoras de histórias

Há mais de 20 anos em Portugal, o Lidl tem vindo a assumir uma estratégia de Responsabilidade Social que tem como prioridade contribuir para desenvolver um futuro que respeite mais o ambiente e as pessoas. Pretende, desta forma, assegurar o desenvolvimento de sociedades mais responsáveis e, simultaneamente, partilhar valor com a comunidade. A Responsabilidade Social é, assim, parte integrante da sua estratégia de negócio e reflete o ADN das pessoas e da organização. E, se a “Nuvem Vitória” é a beneficiária da campanha de Natal deste ano, a aposta do grupo nesta temática não se esgota no final desta campanha específica, uma vez que o sono é um dos pilares da sua estratégia de promoção de estilos de vida saudáveis, na qual continuará a investir, explorando mais vertentes, projetos e eventuais parcerias que possam fazer sentido.

Mas, entretanto, todos podemos ajudar: entre 3 e 30 de dezembro, por cada bolo-rei Favorina vendido, o Lidl doará 1 euro à associação, que será convertido em histórias a serem lidas a mais crianças.

Responsáveis pelo projecto

João Filipe Aguiar - Fotografia

Caixa

Como ser uma “nuvem”
Para integrar as equipas de voluntários da “Nuvem Vitória”, terá de ser maior de 21 anos e receber a formação da associação. “Trabalhamos muitas horas antes de entrar em cena”, lembra Fernanda Freitas, presidente da associação. Os voluntários terão de conhecer todos os aspetos legais desta atividade (os seus direitos e deveres), têm sessões com especialistas do sono e reuniões com os responsáveis pelas unidades onde estarão inseridos, para que conheçam os regulamentos internos. Há ainda lugar a formações com contadores de histórias em ambiente hospitalar. Não há uma biblioteca e, sim, uma lista com sugestões de leitura, mas as “nuvens” (nome dado aos voluntários) são encorajadas a escolher as histórias que querem contar, tendo em conta a idade e gosto do ouvinte. “Uma das primeiras perguntas que nos fazem é: que tipo de história devo contar? A resposta é que não há uma fórmula mágica.

Por vezes, nem interessa o que estamos a ler, mas a forma como estamos a fazê-lo. A preparação é tudo: conhecer a história e ajudar a tornar o ambiente mais agradável à leitura e à vinda do sono, incentivando a desligar os aparelhos electrónicos e diminuindo o ruído à sua volta”, continua Fernanda Freitas. A lista de espera para ser “nuvem” é grande, mas vale a pena aguardar.